As ambições da Oracle em relação à nuvem com IA esbarram na realidade, com a dívida ultrapassando US$ 100 bilhões e o mercado de ações se voltando contra Larry Elton John.

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A carteira de pedidos da Oracle, avaliada em US$ 317 bilhões, estava em grande parte ligada à OpenAI, e suas ações despencaram desde então, ficando abaixo dos níveis pré-alta.
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A empresa emitiu US$ 18 bilhões em novos títulos, elevando sua dívida total para mais de US$ 100 bilhões — o valor mais alto entre as empresas de tecnologia com grau de investimento.
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As agências Moody's e S&P estão perto de rebaixar a classificação dos títulos da Oracle para grau especulativo, já que a dívida ajustada pode chegar a US$ 300 bilhões até 2028.
A Oracle enfrenta a maior reviravolta em suas quatro décadas de atuação na bolsa de valores, com investidores recuando do grande investimento da empresa em infraestrutura de IA após semanas de queda na confiança e uma brutal perda de ganhos.
As ações da empresa, que subiram mais de 30% em setembro depois que a Oracle divulgou uma carteira de pedidos de US$ 317 bilhões, agora caíram abaixo do nível anterior à alta, sendo que a maior parte dessa carteira está ligada à OpenAI, de acordo com o Wall Street Journal.
A queda está diretamente relacionada à rapidez com que a Oracle tem investido dinheiro na construção de centros de dados de IA para a OpenAI e outros clientes.
Embora a empresa já tenha registrado três altas diárias acima de 30%, esta é a primeira vez que esses ganhos se dissiparam e as ações caíram abaixo do ponto inicial.
A Oracle está contraindo dívidas exorbitantes para atender à demanda por IA.
Para financiar sua expansão em serviços de nuvem com inteligência artificial, a Oracle vendeu US$ 18 bilhões em novos títulos de grau de investimento.
Essa venda elevou a dívida total pendente para mais de US$ 100 bilhões, tornando a empresa a grande empresa de tecnologia mais endividada que ainda mantém uma classificação de grau de investimento.
A Oracle está consumindo muito cash e precisará de mais empréstimos para cobrir dividendos e investimentos de capital, sem nenhum sinal de que seu ritmo de gastos esteja diminuindo.
Tanto a Moody's Ratings quanto a S&P Global Ratings se aproximaram da possibilidade de rebaixar a classificação da dívida da Oracle para grau especulativo. Ao mesmo tempo, um dos futuros locadores de data centers da Oracle tomou um empréstimo de US$ 38 bilhões para construir dois novos campi que a Oracle planeja ocupar.
Analistas de crédito do Morgan Stanley estimam que a dívida ajustada da Oracle, que inclui arrendamentos e outras obrigações, poderá chegar a US$ 300 bilhões até 2028, caso os gastos se mantenham nesse patamar.
Rishi Jaluria, analista da RBC Capital Markets, afirmou: "O mercado entrou na fase do 'você precisa me provar isso'", refletindo a crescente exigência dos investidores por resultados, em vez de promessas de mais gastos.
A gestora de fundos Blue Owl Capital, que investe em centros de dados utilizados por grandes empresas de tecnologia, está cobrando da Oracle um aluguel mais alto do que o cobrado de inquilinos como a Meta, alegando maior percepção de risco e utilizando a precificação para gerenciar essa exposição.
Investidores estão expressando preocupação com a estranha dependência da Oracle em relação à OpenAI.
Grande parte da ansiedade dos investidores vem da dependência da Oracle em relação à OpenAI, que prevê prejuízos operacionais de US$ 74 bilhões até 2028, o equivalente a cerca de três quartos de sua receita.
A Oracle informou aos investidores que também possui dezenas de bilhões emtraccom clientes que não são da OpenAI, como a Meta, mas a dimensão do compromisso com a OpenAI torna a parceria impossível de ignorar.
Clay Magouyrk, chefe da divisão de infraestrutura em nuvem da Oracle, disse à CNBC em outubro quedent a OpenAI cumprirá sua parte no acordo de longo prazo, o que pode resultar em pagamentos de cerca de US$ 60 bilhões por ano à Oracle ao longo de cinco anos.
Clay afirmou que espera que mais de um participante tenha sucesso na corrida da IA, sinalizando que a Oracle não vê seu portfólio de projetos como atrelado a um único vencedor.
A tensão em torno do balanço patrimonial da Oracle também está se refletindo no mercado de swaps de crédito (CDS). O custo de proteção dos títulos de cinco anos da empresa contra inadimplência mais que dobrou desde meados de setembro, chegando a aproximadamente 1,1 ponto percentual. Embora ainda baixo em termos absolutos, o aumento demonstra uma mudança real no sentimento do mercado. Swaps como esses podem oscilar rapidamente devido à baixa liquidez, mas os investidores estão claramente se posicionando para o risco.
Alguns dos credores de longo prazo da Oracle podem estar comprando swaps para proteger seus empréstimos, enquanto outros os estão usando para "expressar uma opinião direta sobre o tema mais amplo de investimentos em IA", como escreveram analistas do Morgan Stanley em setembro.
Com grande parte do futuro da Oracle atrelado aos investimentos em IA e ao desempenho da OpenAI, o mercado pressiona a empresa de Larry El a provar que consegue honrar seus gigantescos compromissos sem se endividar ainda mais.
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Jai Hamid
Jai Hamid é uma escritora de finanças com seis anos de experiência cobrindo criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, cobrindo análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e já participou três vezes de programas em uma das principais redes de TV da África para compartilhar insights sobre o mercado de criptomoedas.
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