Segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas, a economia do Reino Unido registrou um crescimento de apenas 0,1% em agosto. Não se trata de uma recessão, mas também não é motivo para comemoração.
Essa leve alta ocorreu após a revisão dos números de julho; o que antes era reportado como crescimento nulo foi rebaixado para uma queda de 0,1%. Isso aconteceu depois de um aumento de 0,4% em junho. Resumindo os últimos três meses: alta, queda e, depois, uma leve alta novamente.
O principal fator para esse ganho microscópico de agosto foi um aumento de 0,4% na produção do Reino Unido. Mas o setor de serviços (a maior parte da economia) não apresentou nenhum resultado. A construção civil encolheu 0,3%, puxando para baixo o resultado geral. O desempenho ficou em linha com o que os economistas esperavam, mas sejamos honestos, a expectativa já era baixa.
Economistas preveem desaceleração no segundo semestre
Os números de agosto não surpreenderam os analistas que vinham alertando para uma desaceleração no Reino Unido no segundo semestre do ano. O PIB do terceiro trimestre, previsto para meados de novembro, provavelmente mostrará mais do mesmo ritmo lento. Sanjay Raja, economista-chefe para o Reino Unido do Deutsche Bank, resumiu a situação: "É provável que haja alguma correção de rumo após um excelente início para a economia britânica."
Raja afirmou que, após um primeiro semestretron, o ímpeto está diminuindo. "Esperamos que o crescimento desacelere no segundo semestre", acrescentou. O Deutsche Bank agora prevê que o PIB trimestral do Reino Unido ficará em torno de 0,2%, mas alertou para riscos de queda.
Para contextualizar, a economia do Reino Unido cresceu 0,7% no primeiro trimestre e 0,3% no segundo trimestre, este último impulsionado pela antecipação de atividades comerciais antes da entrada em vigor das tarifas comerciais americanas em abril.
Quanto ao Banco da Inglaterra, todas as atenções estão voltadas para sua próxima reunião, marcada para 6 de novembro. A questão é se o Comitê de Política Monetária reduzirá as taxas de juros novamente. A inflação continua sendo o principal obstáculo.
Os preços ao consumidor subiram 3,8% em agosto, ainda bem abaixo da meta de 2% do Banco da Inglaterra. E embora a inflação esteja arrefecendo em comparação com 2022, o progresso tem sido mais lento.
Essa não é a única pressão. O mercado de trabalho está enfraquecendo. O desemprego está aumentando. O crescimento salarial está diminuindo. Esses fatores podem dar ao Banco alguma margem de manobra, caso esteja disposto a correr o risco de a inflação permanecer alta.
Mas há também uma reviravolta política: o Orçamento de Outono será apresentado em 26 de novembro. Isso significa que os legisladores podem adiar novos cortes até verem o que a Ministra das Finanças, Rachel Reeves, está prestes a anunciar.
O Orçamento de Outono e a inflação complicam a trajetória das taxas de juros
Espera-se que Reeves anuncie novos aumentos de impostos e cortes de gastos, o tipo de medida que sufoca a demanda do consumidor. As empresas também podem recuar. E com a economia já perdendo fôlego, o momento certo é crucial.
Scott Gardner, estrategista de investimentos da Nutmeg, afirmou que os números mais recentes do PIB podem levar o Ministro da Fazenda a repensar suas decisões. "Essa desaceleração preocupa os formuladores de políticas e pode fazer toda a diferença nas decisões sobre impostos e gastos", disse ele na quinta-feira.
O Goldman Sachs reiterou essa cautela em uma nota divulgada na terça-feira. Sim, há argumentos para novos cortes nas taxas de juros, afirmaram, mas não se espera que aconteçam rapidamente. "O Banco da Inglaterra provavelmente desejará ver mais progressos no controle da inflação antes de cortar as taxas novamente", escreveu o Goldman. Afinal, o banco central reduziu a taxa básica de juros para 4% apenas em agosto.
O Goldman Sachs apontou um sinal de alerta específico: a inflação de serviços. Excluindo o ruído dos preços voláteis e regulamentados, a inflação subjacente de serviços estagnou. Isso é um mau sinal. E com os preços dos alimentos ainda exercendo pressão de alta, a inflação geral deverá ficar em torno de 4% até o final de 2025.
O banco de investimento afirmou esperar uma queda significativa na inflação de serviços no primeiro semestre de 2026, mas acredita que, até lá, o Banco da Inglaterra manterá sua política monetária inalterada. "É provável que o Comitê de Política Monetária (MPC) aguarde até observar um progresso tangível na redução da inflação de serviços antes de novos cortes", diz o relatório.

