Nigéria abandona o dólar americano e agora venderá petróleo bruto em naira

- A Nigéria deixará de vender petróleo bruto em dólares americanos e passará a usar o naira para todas as transações.
- A alta dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito Irã-Israel, pode ajudar a Nigéria a reduzir seu defiorçamentário, caso a produção se mantenha estável.
- O roubo de petróleo e a corrupção no setor petrolífero da Nigéria ainda são problemas graves que podem impedir o país de se beneficiar plenamente dos preços mais altos do petróleo.
A Nigéria, o maior produtor de petróleo da África, deixou de vender petróleo bruto em dólares americanos. O governo decidiu começar a vendê-lo em naira.
Essa mudança foi feita pelo Conselho Executivo Federal (FEC). A indústria petrolífera da Nigéria dependeu fortemente de moeda estrangeira, especificamente do dólar, durante décadas.
Mohammed Manga, porta-voz do Ministério das Finanças, explicou que essa mudança estratégica melhorará o crescimento e a estabilidade da economia nigeriana.
Com reservas de petróleo estimadas em cerca de 37 bilhões de barris, o país detém 3,1% das reservas globais. Diante da atual instabilidade geopolítica, incluindo as tensões no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia, o momento não poderia ser mais oportuno
Preços do petróleo bruto sobem em meio a tensões no Oriente Médio
O conflito entre o Irã e Israel fez com que os preços do petróleo disparassem. O petróleo bruto nigeriano, do tipo Bonny Light, subiu de US$ 73 para US$ 78 por barril.
O petróleo Brent, referência internacional, está agora cotado a US$ 79 por barril, um aumento de mais de 10%. O Irã, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, lançou quase 200 mísseis contra Israel, agravando ainda mais a situação.
O governo nigeriano estabeleceu em seu orçamento para 2024 uma meta de US$ 78 por barril, valor que agora está sendo alcançado. Se a produção atingir a meta diária, isso poderá ajudar a reduzir o defiorçamentário.
O Dr. Abdulsalam Muhammad Kani, economista, afirma que, se essa tendência de alta continuar, poderá ser uma oportunidade rara para a Nigéria estabilizar sua economia. Ele disse:
“Se os preços se mantiverem altos e a produção constante, a Nigéria poderá ter algum alívio no serviço da dívida e no financiamento de projetos públicos.”
Ao mesmo tempo, uma maior entrada de dólares na economia poderia aliviar a pressão sobre as reservas cambiais da Nigéria. Um nairatronpoderia reduzir os custos dos bens importados, uma questão importante para um país que importa quase tudo. Kani explicou:
“Quanto mais dólares ganharmos com o petróleo, maistronnossa moeda poderá ficar, o que significa produtos mais baratos para os nigerianos.”
Mas este não é o quadro completo.
O roubo de petróleo e a corrupção ainda são grandes obstáculos
Mesmo com o aumento dos preços do petróleo, a Nigéria ainda enfrenta problemas internos que ameaçam quaisquer benefícios potenciais. O especialista em energia, Engenheiro Sani Yabagi, destacou que a corrupção e o roubo de petróleo são desenfreados no setor petrolífero, corroendo os lucros da Nigéria.
Yabagi destaca que a Nigéria perde muito petróleo bruto devido a roubos, a maior parte deles cometidos por indivíduos com boas conexões.
“O dinheiro que a Nigéria deveria estar ganhando com seu petróleo bruto acaba nas mãos de ladrões. Este é um problema enorme e impede o país de enjplenamente da alta dos preços globais do petróleo.”
Entre 24 e 30 de agosto, a Corporação Nacional de Petróleo da Nigéria (NNPC) registrou 188dentde roubo de petróleo somente no Delta do Níger. Isso em apenas uma semana.
Esse nível de roubo reduz drasticamente a quantidade de petróleo bruto que a Nigéria pode vender, mesmo com o aumento dos preços. Yabagi explicou que a receita petrolífera da Nigéria é ainda mais prejudicada pelo fato de o país importar a maior parte de seus derivados de petróleo refinados.
“Vendemos petróleo bruto e compramos petróleo refinado de volta. Portanto, mesmo quando os preços do petróleo bruto sobem, ainda estamos gastando o dinheiro que ganhamos para trazer produtos refinados para o país.”
A Nigéria só recentemente começou a refinar seu próprio petróleo, com a inauguração da Refinaria Dangote. Mas, como se trata de uma operação privada, seus efeitos sobre a receita nacional são mínimos por enquanto.
Na semana passada, o governo federal começou a vender petróleo bruto para a Dangote e outras refinarias locais em naira, consolidando ainda mais sua decisão de se afastar do dólar americano. Mas, segundo Yabagi, isso não é suficiente para resolver os problemas maiores. Ele disse:
“A menos que o governo venda petróleo bruto para refinarias locais como a Dangote a um preço mais baixo, o impacto nos preços dos combustíveis será pequeno. Por enquanto, a Dangote ainda compra petróleo bruto de outros países também, porque a NNPC não consegue atender a toda a sua demanda.”
A crise no Oriente Médio deverá elevar ainda mais os custos globais de energia. Embora isso possa trazer ganhos de curto prazo para os países produtores de petróleo, Yabagi acredita que, sem uma gestão adequada, a Nigéria poderá não se beneficiar tanto quanto o esperado.
Ele acrescentou: “O aumento dos custos de energia pode prejudicar a Nigéria mais do que ajudar. Precisamos combater a corrupção e as importações, caso contrário, não veremos muitas melhorias.”
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