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Ministros das Finanças dos BRICS pedem reforma do FMI em nome do Sul Global

PorLubomir TassevLubomir Tassev
Tempo de leitura: 3 minutos
Ministros das Finanças dos BRICS pedem reforma do FMI em nome do Sul Global
  • Os ministros das finanças dos países do BRICS estão pressionando por uma reformulação do FMI.
  • O bloco BRICS busca aumentar as quotas do FMI destinadas aos países em desenvolvimento.
  • A reforma proposta deverá abranger os direitos de voto e a gestão.

Os ministros das finanças do grupo BRICS de países em desenvolvimento pediram uma reformulação do FMI que redistribua os direitos de voto e acabe com a tradição de colocar um europeu no comando do fundo.

A proposta unificada, inédita para a crescente organização que aspira representar o Sul Global, será discutida em uma reunião do FMI ainda este ano, que revisará o atual sistema de cotas.

Ministros das Finanças dos BRICS propõem mudanças no FMI

Os ministros das finanças dos países que formam o bloco BRICS estão pedindo a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) em uma declaração conjunta que apresenta, pela primeira vez, sua posição compartilhada sobre o assunto, conforme relatado pela Reuters.

A introdução de uma nova fórmula para a distribuição dos direitos de voto e o fim de uma regra informal que previa a nomeação de gestores europeus para o fundo fazem parte da proposta, aprovada em reunião que antecedeu a Cúpula de Líderes no Brasil, no domingo.

Os ministros reuniram-se no Rio de Janeiro no sábado e concordaram em apoiar a posição unificada para a próxima reunião do FMI em dezembro, dedicada à revisão das alterações no sistema de quotas do fundo, que também determina as contribuições.

Insistindo que o novo mecanismo de distribuição deveria aumentar as quotas para os países em desenvolvimento, os representantes governamentais dos BRICS declararam:

“O realinhamento das quotas deve refletir as posições relativas dos membros na economia global, protegendo, ao mesmo tempo, as quotas dos membros mais pobres.”

Os ministros da Fazenda enfatizaram que a fórmula revisada deve ser ponderada pela produção econômica e pelo poder de compra, levando em consideração o valor relativo das moedas. Isso representaria melhor os países de baixa renda, segundo um funcionário brasileiro citado na reportagem.

A influência dos BRICS cresce com a adesão de novos membros

O BRICS, fundado por Brasil, Rússia, Índia e China, realizou sua primeira reunião ministerial em 2006 e sua primeira cúpula em 2009, antes da África do Sul aderir ao grupo em 2010. Desde então, a organização incorporou Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos como membros plenos.

Em 2024, convidou Argélia, Bielorrússia, Bolívia, Cuba, Indonésia, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Tailândia, Turquia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã a participarem como “países parceiros”, elevando o total de nações envolvidas para 23.

“Isso conferiu maior influênciamatic ao grupo, que pretende representar as nações em desenvolvimento do Sul Global, defendendo reformas em instituições há muito dominadas pelas potências ocidentais tradicionais”, observou a Reuters.

Nesse contexto, o BRICS também propõe pôr fim à tradição histórica de escolher um europeu para chefiar o Fundo Monetário Internacional. Seus ministros das Finanças deixaram isso claro em sua declaração:

"Com todo o respeito a um processo de seleção baseado no mérito, a representação regional deve ser reforçada na gestão do FMI, superando o anacrônico acordo de cavalheiros do pós-Segunda Guerra Mundial, inadequado para a atual ordem mundial."

Grupo confirma negociações sobre mecanismo de garantia do NDB

O documento também confirmou os planos para estabelecer um novo mecanismo de garantia apoiado pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) do grupo, que deverá reduzir os custos de financiamento e impulsionar o investimento nos países em desenvolvimento.

A principal função do NDB, financiado pelos BRICS, é apoiar projetos públicos e privados por meio de empréstimos, garantias e outros instrumentos financeiros. O banco, com sede em Xangai, foi criado há uma década e conta atualmente com uma dúzia de membros, expandindo seu alcance para além dos BRICS.

Na sexta-feira, o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, que também está no Brasil, revelou que os ativos financeiros dos países do BRICS ultrapassaram US$ 60 trilhões e pediu atracde mais capital, inclusive por meio do uso de ativos financeiros digitais.

Entretanto, o vice-ministro das Finanças da Indonésia, Thomas Djiwandono, foi citado pela agência de notícias Antara afirmando que o banco de desenvolvimento dos BRICS não se tornará uma instituição dominante como o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Mundial.

Em declarações à imprensa indonésia no Rio de Janeiro, ele explicou que a abordagem dos BRICS à governança, que enfatiza a igualdade e o respeito mútuo entre os Estados-membros, diferencia o NDB das instituições financeiras globais tradicionais.

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