ÚLTIMAS NOTÍCIAS
SELECIONADO PARA VOCÊ

Porque é que as ações da Intel e da SK Hynix estão em alta hoje?

PorJai HamidJai Hamid Tempo de leitura: 3 minutos
Porque é que as ações da Intel e da SK Hynix estão em alta hoje?
  • As ações da Intel e da SK Hynix subiram após relatos de negociações sobre a produção de chips de memória nos EUA.
  • A SK Hynix poderia utilizar parte das instalações da Intel em Ohio ou participar num empreendimento mais amplo com empresas de computação em nuvem.
  • Qualquer acordo com os EUA poderá enfrentar custos mais elevados e um maior escrutínio por parte do governo sul-coreano.

As ações da Intel (NASDAQ: INTC) e da SK Hynix (NASDAQ: SKHY; KRX: 000660) estão em alta esta quarta-feira, após relatos de que as duas fabricantes de chips estão a discutir um acordo de produção nos EUA.

As ações da Intel subiram 5,2% antes da abertura do mercado, enquanto as da SK Hynix fecharam a subir 4,1% em Seul. Os seus títulos no Nasdaq subiram cerca de 3% antes do início da sessão em Wall Street.

A SK Hynix poderá começar a fabricar chips de memória nos Estados Unidos pela primeira vez. Uma das opções seria utilizar parte da fábrica da Intel em Ohio. Outra possibilidade seria a criação de uma joint-venture entre a Intel, a SK Hynix e grandes empresas de computação em nuvem.

Ainda não foi acordado nada, e as discussões ainda estão numa fase inicial. A SK Hynix está também a analisar outras possibilidades. A estrutura proposta não foi divulgada anteriormente.

A Intel poderá ceder espaço à SK Hynix em Ohio, enquanto ambas as partes trabalham num acordo nos EUA

Ainda ninguém sabe que chips a SK Hynix fabricaria em Ohio. A sua linha de produtos inclui DRAM, que ajuda servidores, PCs e telemóveis a processar dados enquanto estão em funcionamento, e memória flash NAND, que armazena informação durante períodos mais longos. A SK Hynix é também o principal fornecedor de HBM, a memória de alta velocidade utilizada nos processadores de IA.

Fontes alegaram que o governo sul-coreano pode opor-se a um acordo que inclua HBM ou DRAM, uma vez que estes produtos são considerados tecnologias sensíveis. O Ministério do Comércio da Coreia do Sul declarou que a SK Hynix tem liberdade para decidir onde investir, mas qualquer projeto que envolva uma “tecnologia nacional essencial” necessitaria de ser analisado de acordo com a Lei de Proteção da Tecnologia Industrial.

A SK Hynix afirmou que está a "analisar várias medidas, incluindo o estabelecimento de bases de produção adicionais, para reforçar a competitividade do seu negócio de memória" e acrescentou que "nenhuma decisão foi tomada nesta fase"

A Intel não comentou as negociações e descreveu o relatório como especulação, embora tenha afirmado que os trabalhos no projeto de Ohio continuam em curso.

Fontes afirmaram que fabricar chips nos Estados Unidos custa muito mais do que na Coreia do Sul. A mão-de-obra e a construção são mais caras nos EUA, e grande parte da cadeia de fornecimento de semicondutores ainda se encontra na Ásia. Isso encarece a produção americana.

A SK Hynix tem ainda motivos para considerar esta possibilidade. A empresa concluiu uma listagem secundária na Nasdaq em julho e está a construir uma fábrica de embalagens de chips no Indiana. Não possui nenhuma fábrica de chips nos EUA.

Em julho, o presidente do Grupo SK, Chey Tae-won, afirmou que os clientes e os governos estavam a pressionar fortemente a empresa para aumentar a produção. Chey disse aos jornalistas: "Acho que precisamos de construir uma fábrica nos Estados Unidos. Se possível, acredito que devemos construí-la"

Washington quer mais chips fabricados nos Estados Unidos, enquanto Seul mantém a SK Hynix focada no seu próprio país

Uma parceria também poderia aliviar um pouco a pressão sobre os gastos da Intel no Ohio. A Intel afirmou em 2022 que poderia investir até 100 mil milhões de dólares no projeto, planeado para ser um enorme polo de fabrico de chips. A produção estava prevista começar em 2025, mas agora as duas fábricas deverão entrar em funcionamento em 2030 e 2031. O governo dos EUA detém também uma participação na Intel.

A SK Hynix enfrenta a pressão de dois governos. Seul tem pressionado a SK Hynix e a Samsungtron(KRX: 005930) para acelerarem o desenvolvimento de um novo polo de semicondutores no sudoeste da Coreia do Sul. Washington, por sua vez, deseja aumentar a produção de semicondutores em território americano.

Howard Lutnick, o Secretário do Comércio dos EUA, disse às empresas sul-coreanas e taiwanesas que as tarifas alfandegárias poderiam ser elevadas para 100% no caso de não garantirem aumentar a sua produção nos Estados Unidos. Há aqui outra grande disputa financeira envolvida.

Ao que tudo indica, a Coreia do Sul comprometeu-se a investir 350 mil milhões de dólares no mercado americano em troca da redução das tarifas americanas sobre os seus produtos no ano passado. Deste montante, 150 mil milhões de dólares foram destinados à construção naval, enquanto o restante, 200 mil milhões de dólares, ainda não está definido.

As fontes terão afirmado que Seul quer usar qualquer investimento da SK Hynix nos EUA como forma de pressionar nestas negociações mais amplas. Washington, por sua vez, quer que a empresa se comprometa rapidamente com a expansão nos Estados Unidos.

Isto coloca a SK Hynix numa situação delicada, uma vez que tem de avaliar se deve ou não utilizar a unidade da Intel em Ohio para a sua primeira produção de chips de memória nos Estados Unidos.

As mentes mais brilhantes do mundo das criptomoedas já leem nossa newsletter. Quer participar? Junte-se a elas.

Compartilhe este artigo
Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

MAIS… NOTÍCIAS