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Ações tokenizadas são uma ideia interessante, até você parar para pensar no assunto

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
  • As ações tokenizadas de plataformas como Robinhood e Kraken têm apresentado erros de preço enormes desde o lançamento.
  • Alguns tokens foram negociados a preços mais de 100 vezes superiores aos das ações reais, com pouca liquidez para estabilizá-los.
  • A Robinhood lançou tokens vinculados à OpenAI e à SpaceX sem autorização, o que gerou investigações regulatórias na Europa.

Os entusiastas das criptomoedas dizem que estão reconstruindo Wall Street na blockchain. Eles afirmam que tokens atrelados a ações do mundo real, como Nvidia, Apple e até mesmo a Tesla de Elon Musk, podem facilitar o investimento global, mas, no momento em que você começa a prestar atenção, o que se vê é caos, preços falsos, problemas legais e nenhuma proteção.

No final de junho, Robinhood, Kraken, Gemini e Bybit lançaram versões em blockchain de ações e ETFs americanos para usuários fora dos EUA. A Robinhood tentou roubar a cena com ummatic na França, chegando a tematizá-lo com base em um filme de Hitchcock.

Mas as coisas não saíram como planejado. Seus tokens, criados para empresas como OpenAI e SpaceX, que ainda nem abriram capital, provocaram uma reação negativa. A OpenAI respondeu imediatamente nas redes sociais: “Não fizemos parceria com a Robinhood, não estivemos envolvidos nisso e não endossamos essa iniciativa”. O banco central da Lituânia, que regula as operações da Robinhood na Europa, entrou em contato com a empresa para esclarecimentos.

Oscilações bruscas de preços atingem ações tokenizadas horas após o lançamento

Em 3 de julho, o token AAPLX — criado para representar as ações da Apple — atingiu US$ 236,72, um prêmio de 12% acima do preço real das ações da Apple. O token da Amazon, AMZNX, disparou para US$ 891,58 apenas dois dias depois — quatro vezes maior que o último fechamento das ações da Amazon.

Mas a maior distorção ocorreu naquela mesma semana na Jupiter, uma plataforma de negociação ponto a ponto. Um único investidor tentou comprar o equivalente a US$ 500 em AMZNX, e essa ação sozinha fez o token atingir US$ 23.781,22. Isso representa mais de 100 vezes o valor real da Amazon.

Todos esses tokens foram emitidos pela Backed Finance, uma empresa suíça que os lançou em 30 de junho por meio de parcerias com a Kraken e a Bybit. A Backed os chama de “xStocks” e afirma que são lastreados em ações reais na proporção de um para um.

Quando as pessoas compram mais tokens, a empresa compra mais ações. Quando as pessoas vendem, elas queimam os tokens e se desfazem das ações. A ideia é que os preços dos tokens se mantenham próximos aos preços reais. Mas, na realidade, esses tokens são negociados muito pouco.

A liquidez é fraca, e uma pequena negociação é suficiente para desestabilizar completamente o preço, especialmente nos fins de semana, à noite ou em feriados, quando a bolsa de valores está fechada.

Um porta-voz da Backed teria dito ao Wall Street Journal: “Estamos tracessas distorções de preço e interagindo com as corretoras para garantir que elas trabalhem para corrigir o problema e sigam as melhores práticas para evitar que isso aconteça novamente”. Mas o mercado de criptomoedas não é conhecido por suas “melhores práticas”, especialmente quando as negociações ocorrem em plataformas anônimas.

A falta de supervisão abre portas para abusos

O mercado de ações dos EUA depende de controles rigorosos. Corretoras verificamdent. Bolsas monitoram as negociações. Órgãos reguladores tracatividades suspeitas. Todo esse sistema não existe aqui. As xStocks da Backed são “sem permissão”

Isso significa que eles podem ser transferidos entre carteiras e plataformas sem qualquer atrito. A Kraken pode registrardent, mas a Jupiter não. Uma vez que os tokens migram para uma plataforma descentralizada, eles desaparecem completamente do radar.

Cameron WinkLevoss, cofundador da Gemini, argumentou: "Acreditamos que, ao tokenizar ações, podemos exportar os mercados de capitais dos EUA para qualquer lugar do mundo". Mas esse sonho ignora o problema central: ações negociadas sem transparência ou regulamentação são um convite ao desastre. É claro que o blockchain torna as transações públicas, mas nomes e rostos podem ser ocultados permanentemente, como vimos no caso do Grupo Lazarus, da Coreia do Norte. Eles podem nem ser da Coreia do Norte, pois não temos como saber com certeza. E é exatamente assim que prosperam os esquemas de insider trading e pump-and-dump.

Carlos Domingo, CEO da Securitize, foi direto ao ponto: "É uma caixa de Pandora que vai explodir em algum momento, porque as pessoas vão encontrar maneiras de fazer algo ilegal com esses tokens."

E esse é o verdadeiro risco aqui. Esses tokens podem parecer um progresso, mas também facilitam que abusos de mercado passem despercebidos. E não há nenhum indício de que isso tenha sido um caso isolado.

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Aviso Legal. As informações fornecidas não constituem aconselhamento de investimento. CryptopolitanO não se responsabiliza por quaisquer investimentos realizados com base nas informações fornecidas nesta página. Recomendamostrona realização de pesquisas independentesdent /ou a consulta a um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão de investimento.

Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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