As ações caíram novamente na manhã de quinta-feira, com os investidores ignorando os novos dados de inflação e os sinais de alívio comercial entre Washington e Pequim, optando por se desfazer de posições de risco em todos os setores.
Os futuros do S&P 500 caíram 0,37%, os do Nasdaq 100 perderam 0,29% e os do Dow Jones recuaram 257 pontos, ou 0,6%. As perdas ocorreram após uma sessão fraca na quarta-feira, na qual o S&P 500 interrompeu uma sequência de três dias de alta e fechou em queda de 0,3%, com o Nasdaq Composite também perdendo 0,5%.
O Dow Jones ficou praticamente estável. O índice está agora mais de 2% abaixo de sua máxima histórica, registrada no final de fevereiro, interrompendo qualquer impulso rumo a um novo recorde. Os investidores não esperaram pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP) de quinta-feira para começar a vender.
A divulgação da inflação mensal de maio estava prevista para as 8h30 (horário do leste dos EUA), com projeções da Dow Jones indicando um aumento de 0,2% nos preços gerais e de 0,3% no núcleo do IPP (Índice de Preços ao Produtor), que exclui alimentos e energia. Mas o mercado não deu importância. O posicionamento já era defensivo, com os investidores reagindo a outros acontecimentos e tratando a divulgação do IPP como um ruído de fundo.
O dólar se desvaloriza com as tensões globais levando os investidores a buscarem ativos seguros
O dólar já estava em queda quando os mercados abriram, atingindo seu nível mais baixo desde abril — um ponto que também marcou seu menor valor em três anos. De acordo com a Dow Jones, a moeda americana já perdeu 10% em relação a uma cesta de moedas somente em 2025.
Os riscos no Oriente Médio e as dúvidas sobre a solidez da atual trégua comercial entre os EUA e a China levaram os investidores a buscar moedas mais seguras. O franco suíço e o iene japonês se valorizaram, com alta de 0,6% cada em relação ao dólar.
As ações europeias também caíram. O índice STOXX 600 recuou 0,8%, com as companhias aéreas e montadoras de veículos sofrendo os maiores impactos, devido à pressão da alta dos preços do petróleo sobre o setor.
Entretanto, as ações globais recuaram após uma alta implacável iniciada no começo de abril. O índice MSCI All-Country World caiu 0,1%, ficando ligeiramente abaixo de sua máxima histórica do dia anterior.
Nos Estados Unidos, a recente tarifária do presidente dent Trump continuou a perturbar os investidores. Sua abordagem errática em relação ao comércio causou uma venda generalizada de ativos americanos, especialmente dólares, à medida que as pessoas se preparam para preços mais altos e crescimento mais lento. O euro se valorizou com a queda do dólar, atingindo a máxima em sete semanas e cotado a US$ 1,1535 durante a sessão.
Ouro se mantém próximo das máximas, criptomoedas caem, títulos do tesouro se valorizam
O ouro se mantevetron, com os investidores evitando riscos. O preço do ouro à vista subiu 0,2%, para US$ 3.367,33 a onça, atingindo seu maior valor desde 5 de junho. Os investidores aguardavam orientações do relatório do Índice de Preços ao Produtor (PPI) e avaliavam as chances de um corte na taxa de juros pelo Fed ainda este ano.
“O ouro permanece estagnado… sendo necessária uma quebra acima de US$ 3.400 para mudar esse cenário. O foco no curto prazo está nos desdobramentos no Oriente Médio, no dólar e nas especulações sobre o momento do próximo corte na taxa de juros dos EUA”, disse Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank.
As criptomoedas recuaram em sintonia com as ações de tecnologia e crescimento. Bitcoin perdeu os ganhos iniciais, chegando a US$ 109 mil, e agora luta para se manter acima de US$ 107 mil, e as altcoins seguiram o mesmo caminho, conforme as expectativas de valorização continuavam mudando.

Outros metais apresentaram desempenho misto. A prata caiu 0,8%, para US$ 35,94 a onça, enquanto a platina subiu 0,3%, para US$ 1.260,14, aproximando-se da máxima em quatro anos. O paládio recuou 1,9%, sendo negociado a US$ 1.059,25.
Os títulos do governo americano se valorizaram com a busca cash mais seguros. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos caíram 1,5 ponto-base, ficando abaixo de 4,4%, enquanto os rendimentos dos títulos de 2 anos, que reagem mais rapidamente às perspectivas de inflação, recuaram 1,6 ponto-base, para 3,93%. Essa alta confirmou o que os investidores estavam demonstrando com seus movimentos: eles não estavam convencidos pela baixa inflação, pelo otimismo em relação ao comércio ou por qualquer um dos sinais usuais do dia. Estavam se preparando para o que viesse a seguir.

