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As políticas dodent Trump correm o risco de isolar os Estados Unidos do resto do mundo

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
  • Trump quer assumir o controle do Canadá, da Groenlândia e do Canal do Panamá. Os aliados não estão achando graça.
  • Líderes da UE afirmam que as ameaças de Trump em relação à Groenlândia podem levar a um impasse na área da defesa.
  • Os críticos acreditam que Trump está dando vantagem à Rússia e à China ao enfraquecer as alianças.

As políticas dodent Donald Trump estão fazendo algo que ninguém imaginava ser possível: levando os Estados Unidos ao isolamento. Seus comentários extravagantes sobre anexar o Canadá, retomar o Canal do Panamá e tomar a Groenlândia causaram ondas de choque em todo o mundo.

Independentemente de as declarações de Trump serem sérias ou apenas mais uma de suas infames "piadas", elas estão forçando líderes do mundo todo a levá-lo a sério. O embaixador canadense em Washington minimizou a sugestão inicial de Trump de transformar o Canadá no 51º estado americano, considerando-a "apenas uma brincadeira".

Mas Trump continua falando, e quanto mais ele fala, menos parece uma piada. Os líderes canadenses não tiveram escolha a não ser responder, rejeitando a ideia de imediato.

Trump esclareceu que não invadiria o Canadá, mas reiterou sua posição ao ameaçar com "força econômica". Enquanto isso, sua recusa em descartar uma ação militar contra a Groenlândia e o Canal do Panamá gerou alarme internacional.

A Europa leva a sério a ameaça de Trump em relação à Groenlândia

A Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, tornou-se outro alvo das ambições de Trump. Ele tem falado com tanta intensidade sobre "retomar" a Groenlândia que os líderes europeus estão agora em alerta máximo. A chanceler alemã e o ministro das Relações Exteriores francês advertiram que a Groenlândia está abrangida pela cláusula de defesa mútua da União Europeia.

Tradução? Se Trump fizer alguma investida em relação à Groenlândia, a UE poderá defendê-la legalmente. Essa é a gravidade da situação. E enquanto os defensores de Trump minimizam a questão, chamando suas declarações de "Doutrina Donroe" — uma alusão à Doutrina Monroe do século XIX —, outros não acham graça.

O congressista republicano Brandon Gill chegou a brincar dizendo que o Canadá, o Panamá e a Groenlândia deveriam se sentir "honrados" com a ideia de se tornarem parte dos Estados Unidos. Mas ninguém está achando graça no Canadá, onde 82% da população rejeitou recentemente a ideia de se unir aos EUA, segundo uma pesquisa recente.

Trump é o problema

Os direitos das nações menores não são motivo de riso. Quando nações maiores começam a falar em anexar as menores, isso é um sinal de alerta para a política global. É o tipo de comportamento que desencadeou as duas Guerras Mundiais. Em 1914, o primeiro-ministro britânico David Lloyd George não pôde ignorar o ataque da Alemanha à Bélgica, alegando ser uma obrigação moral defender as nações menores.

Algumas décadas depois, a Grã-Bretanha e a França aprenderam da pior maneira que apaziguar a Alemanha nazista só incentivava mais agressões. Quando se comprometeram a defender a Polônia, a Segunda Guerra Mundial já era inevitável.

Os defensores de Trump detestam essas comparações. Eles argumentam que seu discurso sobre anexar territórios visa fortalecer o mundo livre contra autocracias como a China e a Rússia. O próprio Trump apresentou suas ambições como uma questão de segurança nacional.

Mas eis a questão: suas ações beneficiam diretamente os adversários dos Estados Unidos. A Rússia e a China há muito sonham em enfraquecer a aliança ocidental, e Trump está fazendo o trabalho sujo para elas.

Se Trump argumenta que é estrategicamente necessário para os EUA reivindicar a Groenlândia ou o Canal do Panamá, o que impede a Rússia de fazer o mesmo argumento sobre a Ucrânia? Ou a China sobre Taiwan? A retórica de Trump está criando umdentperigoso, que pode desestabilizar toda a ordem global.

A Rússia e a China não poderiam ter imaginado um cenário melhor. As ameaças de Trump estão criando divisões entre os EUA e seus aliados, enfraquecendo as próprias alianças que mantinham esses adversários sob controle.

A mídia canadense já publica manchetes como "Por que os Estados Unidos não conseguem conquistar o Canadá", refletindo o crescente temor de uma agressão desenfreada por parte dos EUA no país. Nos EUA, os apoiadores de Trump continuam a aplaudi-lo, descartando sua retórica como bravata estratégica.

O estado da economia dos EUA

As políticas de Trump também estão afetando a economia dos EUA. As projeções de crescimento para 2025 mostram uma desaceleração, com a economia prevista para crescer apenas 2%. Isso representa uma queda em relação aos anos anteriores e pode piorar se as tarifas de Trump adicionarem mais um ponto percentual à inflação, ao mesmo tempo que reduzem o crescimento em 0,7%.

A perda de empregos é outra preocupação. A redução da imigração sob as políticas de Trump pode custar aos EUA 100 mil empregos por mês, afetando a produtividade e o consumo. Espera-se que os rendimentos dos títulos do Tesouro permaneçam altos, entre 4% e 5%.

Os principais indicadores econômicos das próximas semanas esclarecerão melhor a situação. Os relatórios do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e do Índice de Preços ao Produtor (IPP), com divulgação prevista para 15 e 14 de janeiro, respectivamente, revelarão como a inflação está afetando consumidores e produtores.

A balança comercial dos EUA, que apresentou um defide US$ 78,2 bilhões no mês passado, continua sendo motivo de preocupação, já que as importações seguem superando as exportações. Grandes bancos como Wells Fargo e JPMorgan também devem divulgar seus resultados na próxima semana.

Esses resultados oferecerão informações sobre como as políticas de Trump estão afetando o setor financeiro. Embora a desregulamentação e as reformas tributárias tenham impulsionado os lucros, a volatilidade do mercado e as mudanças nas políticas comerciais podem representar desafios.

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Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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