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As exportações do Japão se recuperaram em 4,2% em setembro, mesmo com a queda de 13,3% nos embarques para os EUA

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
As exportações do Japão se recuperaram em 4,2% em setembro, mesmo com a queda de 13,3% nos embarques para os EUA.
  • As exportações do Japão aumentaram 4,2% em setembro, pondo fim a uma queda de quatro meses, mas ficaram abaixo das previsões.

  • As remessas para os EUA caíram 13,3%, enquanto as exportações para a Ásia subiram 9,2%, lideradas pela China.

  • As exportações de automóveis para os EUA caíram 24,2%, apesar da redução das tarifas para 15% em agosto.

O setor exportador do Japão voltou à ativa em setembro de 2025, registrando um aumento de 4,2% em relação ao ano anterior, após quatro meses consecutivos de queda, segundo dados divulgados pelo Ministério das Finanças.

A recuperação, porém, veio com uma grande ressalva: as exportações para os EUA despencaram 13,3%, freando o ímpeto justamente quando outros mercados asiáticos ganhavam força. A demanda da Ásia aumentou 9,2% em comparação com o mesmo mês do ano passado, com a China liderando o crescimento. Os embarques para a China continental, ainda o maior parceiro comercial do Japão, saltaram 5,8%, oferecendo alguma proteção contra o impacto da queda nos EUA.

A indústria de semicondutores foi a principal responsável pela recuperação. As exportações de chips aumentaram 12,6% em valor em relação ao ano anterior, dando às empresas de tecnologia um alívio. Mas as exportações de automóveis, a espinha dorsal do comércio do Japão com os EUA, sofreram um forte impacto novamente.

Em setembro, as exportações de veículos para os Estados Unidos caíram 24,2%, um baque, mas ligeiramente melhor do que a queda de 28,4% registrada em agosto. Essa queda acentuada se deve, em grande parte, à guerra tarifária com Washington, que ainda afeta as rotas de exportação mais importantes do país.

Tóquio reduz tarifas, mas compradores americanos ainda recuam

Em julho, o governo japonês chegou a um acordo com a Casa Branca, reduzindo as tarifas de exportação originalmente propostas de 25% para 15%. Essa taxa mais baixa entrou em vigor em 7 de agosto, mas até agora não ajudou muito.

A essa altura, o estrago já havia se infiltrado no sistema. A queda nas exportações para os Estados Unidos, o segundo maior cliente do Japão, anulou qualquer benefício esperado com a redução dos preços dos produtos.

As importações também não ficaram paradas. Elas inverteram a tendência, registrando um aumento de 3,3% em setembro, após uma queda de 5,2% em agosto. Esse resultado superou a previsão de crescimento de 0,6% feita por economistas consultados pela Reuters, com as empresas reabastecendo seus estoques de energia e maquinário, que haviam sofrido um baque no início do ano.

Hirofumi Suzuki, estrategista-chefe de câmbio e chefe de pesquisa do Sumitomo Mitsui Banking Corporation, afirmou que os números não são tão bons quanto parecem. "As exportações não estão tãotronquanto aparentam", disse Hirofumi, apontando para o efeito da base de comparação baixa do ano passado. Ele também alertou que as tensões contínuas entre Washington e Pequim tornam o comércio futuro imprevisível.

Takaichi assume o cargo em meio à desvalorização do iene, que impulsiona o Nikkei e obscurece as perspectivas fiscais

Os dados comerciais foram divulgados um dia depois de Sanae Takaichi assumir o cargo de primeira-ministra do Japão, substituindo Shigeru Ishikawashibmeses de caos dentro do Partido Liberal Democrático, que estava no poder.

A nova líder prometeu um plano de gastos fiscais massivo, aliado a uma política monetária expansionista, dois fatores que os investidores já precificaram. Estão chamando isso de "estratégia Takaichi". Desde que ela assumiu a liderança do PLD em setembro, o índice Nikkei 225 tem apresentado um desempenho excepcional, atingindo recordes históricos esta semana.

O iene caiu para menos de 150 por dólar, ante 147 no mesmo mês do ano passado. Mas Hirofumi não está convencido de que o câmbio ainda seja um fator determinante para as exportações. “Embora o iene estivesse em patamares bastante desfavoráveis ​​em relação ao dólar americano no ano passado, ainda não vimos um aumento significativo nas exportações. Fatores políticos, como tarifas, parecem ter um impacto maior do que o câmbio sobre as exportações”, acrescentou.

Os investidores têm acompanhado de perto os números após a economia japonesa ter apresentado um desempenho melhor do que o esperado no segundo trimestre. O PIB foi revisado para cima, atingindo 0,5% em relação ao trimestre anterior, ante a estimativa anterior de 0,3%, superando em muito o crescimento de 0,1% previsto pelos analistas.

As atenções estão voltadas para o Banco do Japão, que, segundo a maioria dos economistas, elevará sua taxa básica de juros para 0,75% ainda neste trimestre. Em pesquisa da Reuters realizada entre 14 e 20 de outubro, 60% dos entrevistados (45 de 75) previram um aumento em outubro ou dezembro. Até março, 96% dos economistas esperam que os custos de empréstimo atinjam pelo menos 0,75%.

Dos 35 economistas que indicaram um mês específico, 46% apontaram para janeiro, 31% para dezembro e 14% para outubro. A trajetória da taxa de juros é agora uma incógnita crucial, à medida que as políticas econômicas de Takaichi se consolidam.

Ela prometeu aumentar os gastos do governo em setores essenciais como energia e segurança nacional, sob o que ela chama de "políticas fiscais responsáveis ​​e proativas". Mas ninguém sabe ainda o que isso realmente significa.

Em uma pergunta adicional na mesma pesquisa da Reuters, 67% dosdent, ou seja, 18 de 27, disseram não saber dizer se apoiavam ou se opunham ao plano dela. Enquanto isso, 17 de 26 disseram estar preocupados com o que isso significa para a já frágil saúde fiscal do Japão.

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Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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