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O Irã está sob um grande apagão de internet, com 97% do país offline neste momento

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
  • O Irã desligou 97% da sua internet, com apenas 3% da população ainda conectada.
  • O apagão ocorre após ataques aéreos israelenses e a declaração de Trump sobre o controle aéreo total dos EUA sobre o Irã.
  • O Irã utilizou a retirada de rotas BGP, o desligamento de dispositivos móveis e ferramentas de inspeção profunda de pacotes (DPI) para bloquear a comunicação.

O Irã está agora quase completamente offline. Apenas 3% do país ainda está conectado à internet. Essa informação é baseada em dados em tempo real da NetBlocks, que mostram que a conectividade começou a cair drasticamente na segunda-feira desta semana, sob ordens diretas do regime iraniano.

O governo desencadeou o bloqueio, cortando o acesso de milhões de pessoas à internet móvel e banda larga. Essa é a mesma estratégia usada durante os protestos de 2019, quando pelo menos 100 pessoas foram mortas enquanto o resto do mundo era impedido de acompanhar os acontecimentos.

Esse apagão durou seis dias e deixou a maior parte do país às escuras enquanto as forças de segurança reprimiam a situação. Este ocorre em meio à escalada militar entre Israel e Irã, incluindo relatos de ataques aéreos israelenses contra instalações nucleares iranianas.

O Irã bloqueia as comunicações usando infraestrutura e equipamentos nacionais

Uma pesquisa publicada no Journal of Cybersecurity em 2024 constatou que esse tipo de bloqueio pode reduzir o fluxo de informações em 90% em um único dia. Esse tipo de apagão governamental só funciona porque o Irã possui ou controla toda a infraestrutura principal da internet, por meio da Companhia de Telecomunicações do Irã (TCI), que tem o poder de limitar ou bloquear todo o tráfego.

O país também controla o Border Gateway Protocol (BGP), o sistema que roteia o tráfego de entrada e saída das redes nacionais. Ao remover os anúncios de rotas do BGP, o Irã pode se desconectar da internet global, assim como o Egito fez em 2011 durante a Primavera Árabe, quando cortou 93% de sua conectividade por uma semana, e esse episódio tem sido estudado como um modelo de censura desde então.

O Irã está sob um grande apagão de internet, com 97% do país offline neste momento
Fonte: NetBlocks

O Irã não é o único país a usar apagões para silenciar a população. Países como a Índia (na Caxemira em 2020) e Mianmar (após o golpe militar de 2021) também recorreram a essa prática. Dados da Access Now mostram que 2024 registrou um recorde de 67 apagões em todo o mundo.

O Irã persegue a dissidência e isola o mundo exterior

O Irã está usando tecnologia avançada para isso. A Inspeção Profunda de Pacotes (DPI, na sigla em inglês) permite que eles escaneiem e bloqueiem aplicativos como Telegram, WhatsApp e Instagram. Esses filtros geralmente são alimentados por hardware de empresas como a Sandvine, no Canadá, e a Allot, em Israel.

No Irã, a inspeção profunda de pacotes (DPI) é amparada por lei estatal e usada para bloquear qualquer conteúdo não aprovado pelas autoridades. Há também a adulteração de DNS, que permite ao regime impedir que usuários acessem sites estrangeiros, reescrevendo endereços de domínio — táticas que fazem parte do plano do governo para construir uma internet paralela.

Esse sistema separado já existe. Chama-se Rede Nacional de Informação (NIN). Criada em 2012 e expandida desde então, a NIN funciona como uma intranet exclusivamente doméstica, hospedando sites como o Aparat, a versão local do YouTube. A NIN permite que o Estado mantenha os serviços essenciais em funcionamento dentro do país, enquanto corta todo o resto. É uma peça fundamental desse apagão.

Os militares também desempenham um papel importante em tudo isso. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) mantém uma divisão de cibersegurança que controla a vigilância e o bloqueio das comunicações. Sua equipe utiliza tecnologia chinesa da Huawei e algumas ferramentas de fabricação iraniana para interromper sinais, especialmente durante períodos de alto risco. Os dados da NetBlocks mostram que o apagão desta semana resultou de uma combinação de retirada do BGP e desligamento da rede móvel, provavelmente executados tanto pela TCI quanto pela NIN.

Não há dúvidas sobre o propósito disso. Quando o Irã cortou a internet em 2019, a medida ocorreu logo após protestos contra o preço dos combustíveis. A Anistia Internacional confirmou posteriormente que mais de 300 pessoas foram mortas enquanto a internet estava desligada.

As redes sociais são outro motivo para a repressão. Plataformas como o Twitter e o Telegram foram cruciais na organização de manifestações durante o Movimento Verde de 2009, e o Estado nunca se esqueceu disso. Essas ferramentas agora são proibidas ou bloqueadas instantaneamente quando as tensões aumentam.

Outro motivo? Controle sobre as notícias. Veículos de comunicação estrangeiros, como a BBC Persian e a Voz da América, são bloqueados. O Estado só permite notícias de fontes oficiais hospedadas na NIN (National Information Network). A Fundação Carnegie constatou que apagões de informação costumam ocorrer durante eleições ou crises nacionais para controlar o que o público vê.

Há também uma mensagem mais ampla aqui. Um apagão envia um sinal, tanto para os cidadãos quanto para os inimigos, de que o governo está no comando, embora a economia global pague o preço. A Internet Society afirmou que os apagões causaram uma perda de US$ 2,4 bilhões no PIB mundial entre 2015 e 2016. Mas o Irã, já sob sanções, pode não se importar.

Os governantes do Irã acreditam que esses apagões são úteis. Eles acreditam que isso impede protestos, bloqueia hackers e evita que empresas estrangeiras como Google ou Amazon interfiram. Eles querem controle total.

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Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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