As ações da Figma despencaram 18% após resultados decepcionantes levarem o preço das ações abaixo dos níveis do IPO

- As ações da Figma caíram 18% após a divulgação de seu primeiro relatório de resultados como empresa de capital aberto.
- A receita aumentou 41%, para US$ 249,6 milhões, superando ligeiramente as estimativas.
- As ações perderam mais de 50% desde seu IPO, sendo negociadas atualmente abaixo dos níveis de estreia.
As ações da Figma caíram quase 20% na quinta-feira, atingindo seu nível mais baixo desde o IPO da empresa em julho de 2024, após a divulgação de seus resultados financeiros pela primeira vez desde a abertura de capital.
A forte queda fez com que as ações ficassem bem abaixo do preço de estreia, representando um duro golpe para o que antes era considerado um dos IPOs de tecnologia maistrondos últimos anos. Os números ficaram ligeiramente acima das estimativas, mas não foramtronpara impedir a onda de vendas.
De acordo com o relatório, a Figma registrou receita de US$ 249,6 milhões no segundo trimestre, um aumento de 41% em relação ao ano anterior, ficando ligeiramente acima dos US$ 248,8 milhões esperados pelos analistas tracpela LSEG.
Os resultados não foram uma surpresa, visto que a empresa já havia divulgado números preliminares mais de um mês antes. Mas isso não impediu a queda das ações.
Analistas da Piper Sandler classificaram os resultados como "praticamente irrelevantes", salientando que as ações têm apresentado oscilações bruscas desde a sua estreia, quando dispararam 250% no primeiro dia.
As ações perderam mais da metade do seu valor desde a estreia
A empresa, com sede em São Francisco, iniciou suas negociações em julho a US$ 33 por ação, disparando para US$ 115,50 no final do primeiro dia. Desde então, a Figma perdeu mais da metade desse valor, fechando em torno de US$ 66,85 na quarta-feira, antes da queda brusca de quinta-feira.
Isso reduziu a capitalização de mercado total da empresa para cerca de US$ 27 bilhões. A queda foi especialmente acentuada considerando a magnitude do IPO para o Vale do Silício, que aguardava uma recuperação do setor de tecnologia após anos de fracos índices de abertura de capital. A última grande onda de IPOs havia cessado no início de 2022, quando a inflação e as taxas de juros começaram a subir rapidamente.
Olhando para o futuro, a Figma espera faturar entre US$ 263 milhões e US$ 265 milhões no terceiro trimestre. Isso implica um crescimento de cerca de 33%, o que superaria a previsão dos analistas de US$ 256,8 milhões, segundo a LSEG, e de US$ 261,7 milhões da FactSet. Mesmo com essas projeções, os investidores não se convenceram.
O CEO Dylan Field afirmou que a empresa continua focada em expandir a forma como as empresas projetam produtos e interagem com os usuários. "Nesta era da IA, em que é mais fácil do que nunca criar software, acho que as pessoas estão percebendo que a média não é suficiente e que é preciso investir no sistema, na habilidade e na perspectiva de cada um", disse Dylan na teleconferência de resultados. Ele enfatizou que a Figma continua a conquistar novos clientes e a crescer dentro das contas existentes.
A plataforma, que permite que equipes projetem e testem produtos digitais de forma colaborativa, apresentou umatronexpansão em sua base de clientes. O número de contas pagas com receita recorrente anual superior a US$ 10.000 aumentou 31% em relação ao ano passado. As contas maiores, aquelas que gastam mais de US$ 100.000 por ano, cresceram 42%. Dylan afirmou que esse crescimento inclui empresas de todos os portes — de grandes corporações a pequenas startups — que estão investindo mais em ferramentas de design.
A empresa passa a dar lucro e se compromete com a expansão da IA
Neste trimestre, a Figma registrou um lucro de US$ 28,2 milhões, o que representa o ponto de equilíbrio por ação, em comparação com um prejuízo de US$ 827,9 milhões no ano anterior. Esse valor anterior havia sido distorcido por US$ 858,4 milhões em despesas com remuneração baseada em ações, que não apareceram desta vez. Analistas consultados pela FactSet esperavam um lucro de 9 centavos por ação, portanto, embora a Figma tecnicamente tenha ficado abaixo da meta de lucro por ação, o resultado representa uma mudança notável em relação ao enorme prejuízo do ano passado.
Dylan afirmou que a empresa está investindo pesado em IA após o lançamento de diversas novas ferramentas no último trimestre. Essas ferramentas fazem parte de uma estratégia de longo prazo para tornar a IA um elemento central do design de produtos. "Acreditamos que a IA é fundamental para a evolução e o futuro dos fluxos de trabalho de designers e desenvolvedores", disse Dylan. "Nossa filosofia é que, à medida que os modelos melhoram, nós também melhoramos."
As métricas de retenção também chamaram a atenção. A Figma registrou uma taxa de retenção líquida de 129%, o que demonstra o quanto os usuários atuais estão gastando a mais. Esse número representa uma leve queda em relação aos 132% registrados no primeiro trimestre, sugerindo uma pequena desaceleração nas vendas adicionais ou renovações.
Este relatório foi o primeiro comunicado oficial de resultados da empresa como companhia de capital aberto. Embora o crescimento da receita de 41% e a previsão de US$ 1,02 bilhão para o ano todo estejam em linha com as expectativas dos analistas, Wall Street claramente esperava mais. O crescimento projetado de 37% em relação ao ano anterior não foi suficiente para manter o entusiasmo dos investidores, especialmente após a alta inicial que impulsionou as ações a três dígitos.
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.
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