A zona do euro se prepara para um 2025 difícil, com economistas destacando os crescentes riscos de uma potencial guerra comercial global e da instabilidade política regional. Uma pesquisa do Financial Times com 72 economistasdentesses fatores como as ameaças mais significativas à saúde econômica da região, com as previsões consensuais projetando um crescimento de apenas 1,1% para o ano.
A promessa do presidentedentdos EUA, Donald Trump, de impor tarifas de até 20% sobre as importações americanas, com uma possível escalada para 60% sobre produtos chineses, aumentou os temores de um protecionismo exacerbado. Se implementadas, essas medidas representariam o aumento mais significativo das tarifas americanas desde a Grande Depressão, provavelmente desencadeando ações retaliatórias dos países afetados.
A zona do euro, que mantém um superávit comercial significativo com os EUA, enfrenta uma maior exposição a essas tarifas. Economistas também alertam para possíveis perturbações vindas da China, que pode inundar os mercados globais com produtos baratos em resposta às políticas de Trump.
Guerras comerciais se aproximam: a zona do euro deve se preparar para o impacto?
Quase 69% dos entrevistados na pesquisa do Financial Times dent um conflito comercial entre os EUA e a UE, enquanto 81% esperam que o retorno de Trump pese fortemente sobre o crescimento da zona do euro. "A segunda presidência de Trump é agora o maior risco político e econômico", disse Mujtaba Rahman, diretor-geral para a Europa do Eurasia Group.
Economistas preveem que a zona do euro crescerá apenas 0,9% em 2025, marcando o terceiro ano consecutivo de crescimento abaixo da média. Essa perspectiva está em consonância com uma pesquisa recente do Banco Central Europeu (BCE) junto a economistasdent , que apontou diversos riscos de queda.
A mera expectativa de tarifas provavelmente levará as empresas a adiarem investimentos, à medida que o medo do "desconhecido" se infiltra nos setores empresariais.
John Llewellyn, ex-economista sênior da OCDE, previu um cenário ainda mais sombrio, sugerindo que a economia da zona do euro poderia encolher 1% ao longo do ano. "A estabilidade econômica é muito mais frágil do que a geração moderna reconhece", alertou ele.
A "paralisia" política pode criar desafios internos
Em toda a Europa, analistas preveem uma fragmentação política que poderá complicar ainda mais o cenário econômico. A maioria acredita que é improvável que a Alemanha consiga formar um governo estável antes das eleições antecipadas de fevereiro, enquanto a França permanece politicamente estagnada até o fim do mandato dodent Emmanuel Macron, em 2027.
O economista Ulrich Kater, do banco alemão Deka, comparou as dificuldades da Europa às do “final do Império Habsburgo”, citando ineficiências burocráticas e a falta de inovação tecnológica. “A Europa está atolada na melancólica lembrança de sua antiga grandeza”, acrescentou.
⚠️A INDÚSTRIA DA ZONA EUROPEIA ESTÁ EM SITUAÇÃO DESAGRADÁVEL⚠️
— Global Markets Investor (@GlobalMktObserv) 27 de dezembro de 2024
A atividade industrial na Zona Euro está em CONTRAÇÃO KIN 29 meses consecutivos.
Esta é a sequência mais longa desde a crise da dívida europeia de 2011-2012.
O setor de serviços também entrou em trac em novembro. 👇 https://t.co/OlSrKmUzsH
As ações europeias tiveram um desempenho inferior ao das ações americanas, com o índice Euro Stoxx 600 sendo negociado com um desconto recorde de 40% em relação ao S&P 500, com base nas projeções de lucros para o próximo ano. Apesar das altas próximas dos recordes históricos nos mercados de ações europeus, gestores de fundos globais continuam com posições abaixo da média em ações europeias, segundo uma pesquisa do Bank of America.
Embora alguns analistas ainda tenham esperança de uma recuperação na Alemanha após as eleições de fevereiro, outros não estão convencidos de que haja esperança. Marcel Fratzscher,dent do DIW, alertou para que não se espere que um novo governo alemão impulsione significativamente a confiança.
Negociações comerciais devem reacender o otimismo
A maioria dos economistas consultados pelo Financial Times, 61%, apoia o apelo da presidente do BCE, dent Lagarde, para que os legisladores da UE iniciem negociações comerciais com Trump a fim de evitar uma guerra comercial generalizada. No entanto, as opiniões divergem sobre a melhor abordagem.
“[A UE] pode querer usar a ameaça de retaliação como parte da negociação. Mas, em última análise, as tarifas são um dano autoinfligido, e a UE estaria melhor se não as utilizasse”, disse Isabelle Mateos y Lago, economista-chefe do BNP Paribas.
Outros são menos otimistas quanto a uma abordagem conciliatória. "Trump tem a mentalidade de um valentão de recreio", observou Kamil Kovar, economista sênior da Moody's, alertando que concessões poderiam encorajar políticas mais agressivas por parte dos EUA.
Alguns economistas veem motivos para esperança, apoiando suas perspectivas otimistas na queda das taxas de juros e em um potencial aumento na demanda do consumidor, que poderia oferecer um alívio modesto. Além disso, as reformas decorrentes das eleições na Alemanha poderiam aliviar as restrições fiscais, potencialmente eliminando o freio constitucional da dívida do país e estimulando o investimento.
“A depressão psicológica na Alemanha poderia ser revertida se uma nova coligação apresentasse um programa de reformas coerente”, disse Moritz Kraemer, do LBBW.
No entanto, desafios significativos permanecem, com economistas a apelar a esforços coordenados para lidar com os riscos externos e internos à recuperação "frágil" da zona euro.

