Após se estabilizar durante os aumentos das taxas de juros, a demanda por cash na zona do euro está crescendotronnovamente, atualmente a uma taxa anual de 2,3%, reconheceu o Banco Central Europeu (BCE).
O reconhecimento surge numa nova tentativa de dissipar os receios de que o euro digital substitua as notas e moedas tradicionais que a maioria dos europeus deseja manter como opção de pagamento.
Circulação de 5.000 euros em notas per capita na zona euro
As notas e moedas continuarão a desempenhar um papel crucial, tanto como meio de pagamento quanto como reserva de valor, de acordo com Piero Cipollone, membro do Conselho Executivo do BCE, que publicou um artigo em seu blog na segunda-feira dedicado ao futuro do dinheiro de papel e metal na zona do euro.
As notas de euro em circulação ultrapassam os 30 mil milhões, com um valor total que atinge 1,6 biliões de euros (1,85 biliões de dólares), destacou o responsável no seu artigo. Prosseguiu explicando por que o dinheiro em papel continua a ser indispensável e como a autoridade monetária está a trabalhar para garantir que se mantenha disponível na área da moeda comum.
“Depois de atingirem um patamar estável quando aumentamos as taxas de juros – o que tornou menostracpara as pessoas manterem grandes quantias de poupança em cash – esses números estão crescendo novamente, atualmente a uma taxa anual de 2,3% em termos de volume e 1,7% em termos de valor”, detalhou Cipollone, explicando:
“Para se ter uma ideia: quase 5.000 euros em notas estão atualmente em circulação para cada cidadão da zona euro.”
Para corroborar os números citados, o executivo do BCE referiu-se a um gráfico que indica que as notas de euro em circulação na economia da zona euro têm vindo a aumentar desde o início de 2024 e estão agora a aproximar-se do máximo histórico registado em 2022.

Com exceção dos anos da Covid-19, quando os pagamentos digitais dispararam, o euro em papel tem se multiplicado desde a crise financeira de 2008, quando seu valor era um pouco superior a € 600 bilhões.
Segundo uma pesquisa realizada pelo BCE em 2024, a opção de pagar em cash continua sendo muito ou bastante importante para cerca de 62% da população da zona do euro. Essa maioria aumentou em 2 pontos percentuais em relação à pesquisa de 2022.
Piero Cipollone observou:
“Os europeus querem manter a opção de pagar em cash, por isso esperam que ela continue disponível no futuro… Cash também é usado como reserva de valor e a procura por ele se mantevetronem todas as faixas etárias.”
Cash para continuar relevante, especialmente em tempos de crise
Além do aumento nos pagamentos não cash , impulsionado pela pandemia, a chegada do euro digital também alimentou preocupações sobre o futuro das notas físicas no Velho Continente.
Na primavera passada, a presidente do BCE, dent Lagarde, anunciou que o regulador da política monetária pretende finalizar os preparativos para o lançamento da nova moeda até outubro de 2025.
O Banco Central Europeu e a Comissão Europeia têm vindo a desenvolver estratégias para preservar o euro cash e adaptá-lo ao futuro, observou Cipollone.
Entre elas, ele listou o Regulamento sobre a Moeda de Cash Legal, criado para proteger o status das notas e moedas de euro como meio de pagamento, e o Regulamento sobre o Euro Digital.
As duas propostas legislativas devem garantir que a moeda digital do banco central europeu complemente, em vez de substituir, cashfísico europeu, "ampliando a gama de opções de pagamento disponíveis, oferecendo cash em formatos físicos e digitais"
que isso fortalecerá a autonomia da Europa em matéria de pagamentos. Cash espécie continuará sendo "altamente relevante" e coexistirá com outros métodos de pagamento, acrescentou.
Cipollone também destacou a importância de manter cash disponível em momentos de emergência, quando as alternativas não conseguem substituí-lo completamente em certos aspectos.
“O recente apagão na Península Ibérica demonstrou mais uma vez que cashem espécie,dent da tecnologia, é sempre uma opção confiável”, destacou.

