As exportações chinesas de terras raras para os Estados Unidos caíram em agosto, apesar da recuperação contínua das remessas totais de ímãs do país após Pequim ter flexibilizado as restrições às exportações no início deste ano.
Dados alfandegários divulgados no sábado mostram que as exportações de terras raras para os EUA caíram 5% em relação a julho, para 590 toneladas. O total de remessas para o exterior subiu para cerca de 6.146 toneladas, o maior volume mensal desde janeiro. Os dados mais recentes foram divulgados um dia depois de Trump e o líder chinês, Xi Jinping, terem conversado por telefone na sexta-feira para tratar das tensões comerciais.
Os ímãs de terras raras, usados em turbinas eólicas, sistemas militares e veículos elétricos, emergiram como um dostronpontos de pressão de Pequim no início do ano. Trump recentemente mencionou componentes de aviões em resposta às restrições da China ao uso de terras raras.
A China fornece cerca de 90% da produção mundial de ímãs de terras raras. A escassez acelerou os esforços nos EUA e em outros países para construir cadeias de suprimentos nacionais. A MP Materials Corp., única mineradora de terras raras dos EUA, afirma que planeja iniciar a produção comercial de ímãs ainda em 2025.
Pequim vem demonstrando seu controle sobre as terras raras
Há quase seis meses, Pequim enviou um sinal claro sobre seu controle a insumos críticos ao suspender as exportações de terras raras de alta resistência utilizadas em diversos setores industriais. Essa medida injetou nova urgência em projetos já em andamento para encontrar fontes alternativas. Nos EUA, quatro fábricas de ímãs estão concluindo a construção ou iniciando a produção, enquanto uma instalação particularmente grande foi inaugurada no Leste Europeu.
A China tem usado seu controle sobre o fornecimento de ímãs nas negociações com Trump e a União Europeia. Desde a suspensão inicial, Pequim permitiu alguns embarques, mantendo, porém, uma supervisão mais rigorosa. A China também limitou as exportações de ímãs para a Europa para pressionar a UE a reconsiderar as tarifas sobre carros elétricos fabricados na China.
As preocupações com o domínio da China começaram a surgir há anos em agências dos EUA e da UE. Vários projetos em fase de conclusão se beneficiaram de financiamento público.
Na sexta-feira, a Neo Performance Materials, uma empresa canadense, inaugurou sua fábrica na Estônia, o que, com uma única ação, praticamente dobrou a capacidade combinada de fabricação de ímãs na Europa. Além disso, a Neo também instalou os equipamentos necessários para aumentar a produção da fábrica em mais de duas vezes nos próximos anos.
A demanda fora da Ásia é grande e atualmente é atendida principalmente pela China
A Europa e a América do Norte compram quase 40.000 toneladas de ímãs de terras raras por ano para robôs, carros e outros itens, segundo dados da Adamas Intelligence. Países fora da Ásia produzem atualmente menos de 2.000 toneladas anualmente, com a maior parte dessa produção concentrada na Finlândia e na Alemanha.
As empresas japonesas adicionam cerca de 25.000 toneladas por ano no Japão e no Vietnã, principalmente para clientes na Coreia do Sul e no Japão, além de montadoras de automóveis. A China, por outro lado, produz mais de 200.000 toneladas por ano. Muitos desses ímãs são usados em diversos dispositivos montados em fábricas chinesas, como motores, e exportados como parte do grande fluxo de mercadorias da China.
Empresas que trabalham para aumentar a produção fora da China estão avançando, mas o ritmo é lento. A MP Materials, proprietária da mina Mountain Pass, na fronteira entre a Califórnia e Nevada, está construindo uma fábrica de ímãs com capacidade para 1.000 toneladas no Texas, que inicialmente abastecerá a General Motors.
A empresa planeja expandir e adicionar uma segunda unidade para aumentar a capacidade anual total para 10.000 toneladas nos próximos anos. O projeto recebeu um impulso neste verão, quando o Departamento de Defesa dos EUA decidiu investir US$ 400 milhões.
A USA Rare Earths construiu uma fábrica em Stillwater, Oklahoma. A unidade atingirá uma produção anual de 600 toneladas até o final de 2026 e a expectativa é que dobre essa capacidade até o início de 2027, segundo o vice-dent sênior da empresa, David Bush. Outra empresa, a Noveon Magnetics, construiu sua fábrica perto da cidade de Austin, no Texas.

