ÚLTIMAS NOTÍCIAS
SELECIONADO PARA VOCÊ
SEMANALMENTE
MANTENHA-SE NO TOPO

As melhores informações sobre criptomoedas direto na sua caixa de entrada.

Pela primeira vez na história, as montadoras chinesas de veículos elétricos enviam mais verbas de produção para o exterior do que para o mercado interno

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
Pela primeira vez na história, as montadoras chinesas de veículos elétricos enviam mais verbas de produção para o exterior do que para o mercado interno
  • Pela primeira vez na história, as empresas chinesas de veículos elétricos investiram mais em fábricas no exterior do que em fábricas nacionais em 2024.
  • 74% do investimento estrangeiro foi destinado a fábricas de baterias, com os gastos em fábricas de montagem aumentando rapidamente.
  • Entre os principais projetos lançados, destacam-se as fábricas da BYD e da Great Wall no Brasil e a fábrica de baterias da Envision na França.

De acordo com o Rhodium Group, as empresas chinesas de veículos elétricos estão investindo mais em fábricas no cash do que na China, e 2024 será o primeiro ano em que os gastos com a produção estrangeira do setor superarão os planos domésticos.

A indústria chinesa de veículos elétricos, que inclui montadoras e fornecedores de baterias, está reagindo à crescente pressão interna e externa. Dentro da China, o setor está repleto de concorrentes disputando participação de mercado.

No exterior, o aumento das tarifas e as regras mais rígidas — especialmente na União Europeia — dificultaram as exportações. Para sobreviver, essas empresas agora estão construindo onde pretendem vender. O relatório mais recente da Rhodium, divulgado na segunda-feira, afirma que essa estratégia já desviou o fluxo de capital para fora das fronteiras chinesas.

As fábricas de baterias atraem a maior parte do dinheiro no exterior

A maior parte do dinheiro enviado para o exterior em 2024, cerca de 74%, foi destinada a fábricas de baterias. Essas são fábricas de grande escala que produzem componentes e materiais de íon-lítio para veículos elétricos.

A Rhodium afirmou que as fábricas de montagem também estão crescendo rapidamente, embora ainda fiquem atrás das de baterias em valor total. E esse crescimento está acontecendo enquanto os investimentos em fábricas na China despencam.

Em 2022, o investimento doméstico no setor manufatureiro ultrapassou os 90 bilhões de dólares. Esse valor caiu para 41 bilhões de dólares em 2023 e, neste ano, está em 15 bilhões de dólares.

Os novos investimentos no exterior ainda são menores em números absolutos, mas, pela primeira vez, superaram os totais domésticos. A Rhodium não divulgou o valor exato dos gastos estrangeiros em 2024, mas confirmou que eles "ultrapassaram por pouco" o que o setor de veículos elétricos da China gastou no mercado interno.

Um estudo independente publicado pela Rhodium no final de julho classificou o setor automotivo como o segundo setor de investimento externo mais ativo da China para o segundo trimestre de 2024. O único setor com maior atividade foi o de materiais e metais.

Oito contratos diferentes com empresas chinesas de componentes para veículos elétricos totalizaram mais de US$ 100 milhões cada. O maior deles foi fechado com a GEM, fabricante de materiais para baterias, que investiu US$ 293 milhões na expansão de sua unidade de precursores ternários na Indonésia.

Projetos de fábricas fora da China iniciam produção

Algumas das novas fábricas no exterior já estão em operação. A Great Wall Motor inaugurou sua primeira fábrica no Brasil na sexta-feira, horário local, e pode decidir abrir outra unidade na mesma região já em meados de 2025. A Great Wall não respondeu ao pedido de comentário da CNBC.

A BYD, outra grande montadora chinesa, iniciou a produção em sua própria fábrica no Brasil em julho. A empresa havia sido multada no início do ano por práticas trabalhistas, mas prosseguiu com sua expansão internacional.

Até o final de julho, a BYD já havia vendido mais de 545.000 carros no exterior em 2024, superando o total de exportações do ano anterior, que foi de 417.000 unidades.

De volta à Europa, a fornecedora chinesa de baterias Envision também iniciou as operações em sua primeira fábrica na França em junho deste ano. Essa unidade já está em produção, embora o panorama geral da expansão de veículos elétricos na China mostre uma tendência mais complexa.

A Rhodium afirmou que apenas 25% de todos os projetos de fábricas no exterior anunciados por empresas chinesas de veículos elétricos foram de fato concluídos. Isso está muito aquém da taxa de conclusão de 45% dos projetos de fábricas no mercado interno. Além disso, os projetos fora da China têm o dobro da probabilidade de serem cancelados por completo.

Há também pressão política vinda da própria Pequim. O governo começa a se preocupar com o que essa pressão externa pode custar ao país.

A Rhodium alertou que as empresas chinesas agora precisam lidar com a crescente preocupação do Partido Comunista Chinês em relação a questões como vazamento de tecnologia, perda de empregos locais e o temor generalizado de que as indústrias se esvaziem à medida que os investimentos deixam o país.

Isso pode levar a novas restrições sobre o que as empresas estão autorizadas a construir no exterior, especialmente em setores como o de veículos elétricos, que são considerados estratégicos por Pequim.

“As empresas chinesas também terão que lidar com a crescente preocupação de Pequim com o vazamento de tecnologia, a perda de empregos e o esvaziamento industrial, o que pode resultar em controles mais rígidos sobre o investimento no exterior em setores estratégicos”, afirmou a Rhodium em seu relatório.

Não se limite a ler notícias sobre criptomoedas. Compreenda-as. Assine nossa newsletter. É grátis.

Compartilhe este artigo
Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

MAIS… NOTÍCIAS
CURSO INTENSIVO DE CRIPTOMOEDAS AVANÇADAS