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O que acontecerá com os BRICS sob a presidência de Trump?

PorFlorença MuchaiFlorença Muchai
Tempo de leitura: 5 minutos
O que acontecerá com os BRICS sob a presidência de Trump?
  • O retorno de Trump à Casa Branca aumenta as tensões com os países do BRICS, já que ele promete proteger o dólar americano de quaisquer tentativas de substituí-lo no cenário do comércio global.
  • Os países do BRICS enfrentam desafios econômicos internos, com a China, a Rússia, o Brasil e a Índia lutando contra o crescimento lento, a inflação e as tensões geopolíticas.
  • O FMI alerta que as ameaças de tarifas de Trump estão elevando os custos globais de empréstimos, complicando ainda mais as tentativas do BRICS de reduzir a dependência do dólar americano.

O retorno de Donald Trump à Casa Branca intensificou as tensões entre os Estados Unidos e os países do BRICS. Ele acredita que o bloco, liderado pelos "agressores" Rússia e China, quer minar o que os EUA construíram na frente do comércio internacional.

Desde que foi declarado vencedor das eleiçõesdentde novembro, Trump só tem cantado uma música: "Não enquanto eu estiver no poder". O futuro presidente está mobilizando tropas para proteger o dólar americano contra qualquer medida que os países do BRICS queiram propor para reduzir a dependência do dólar no comércio internacional. 

No ano passado, Trump deixou sua posição clara em uma declaração ousada, afirmando: “A ideiade os países do BRICS se afastarem do dólar enquanto ficamos de braços cruzados acabou”. O presidentedentdeixou absolutamente claro: qualquer país que tente substituir o dólar deve dar adeus a qualquer tipo de negócio com os EUA.

Trump: Tarifa é a minha palavra favorita no dicionário

Exigimos um compromisso desses países de que não criarão uma nova moeda para os BRICS nem apoiarão qualquer outra moeda para substituir o poderoso dólar americano, ou enfrentarão tarifas de 100% e deverão se despedir das vendas para a maravilhosa economia americana”, disse dos EUAdent, por meio de sua plataforma de mídia social Truth Social. 

A mensagem de Trump é inequívoca: nenhum país poderá minar o dólar sem sofrer graves consequências. "Que procurem outro 'otário'. Não há a menor chance de os BRICS substituírem o dólar americano no comércio internacional."

O seu regresso à presidência está a fazer com que a aliança BRICS repense quaisquer decisões que pretenda implementar. 

O bloco de nações, que vem explorando alternativas ao dólar há mais de uma década, já enfrentava dificuldades com o menos "consciente" Joe Biden na Casa Branca. Com Trump, a situação ficará ainda mais complicada.  

Durante seu primeiro mandato, o Conselheiro de Estado chinês Yang Jiechi observou que os modelos e conceitos de governança ocidentais estão tendo dificuldades para se adaptar ao cenário internacional em constante evolução. Ele argumentou que a governança global liderada pelo Ocidente chegou a um ponto "irrecuperável"

Será verdade? Bem, os dados de mercado sugerem o contrário. A economia dos EUA parece mais propensa a atingir seu pico durante o segundo mandato de Trump. Mas como estão se saindo os países do BRICS até agora? Estão registrando recordes? Não exatamente.

China

Em 2024, a previsão de crescimento do PIB da China era de 5%, mas, após uma análise mais detalhada, o desempenho econômico real mostrou-se mais fraco. Analistas estimam que o crescimento do PIB chinês apresentará apenas uma leve melhora, em torno de 2,4% a 2,8%, bem abaixo dos números oficiais. 

O setor imobiliário do país, que antes era um importante motor do crescimento econômico, está em declínio. Consequentemente, houve queda nos investimentos e no consumo dos governos locais. 

O governo chinês tentou estimular a economia reduzindo as taxas de juros e implementando programas massivos de refinanciamento, mas essas medidas não foram suficientes para compensar a desaceleração econômica.

Além disso, o crescimento do PIB ajustado pela inflação, que tem oscilado próximo a níveis negativos, complica ainda mais as perspectivas econômicas do país.

Rússia

A Rússia, outro membro importante do BRICS, tem apresentado uma mudançamatic em seus padrões comerciais nos últimos anos. Com as tensões geopolíticas e as sanções em curso, o comércio da Rússia com as nações ocidentais diminuiu significativamente. 

Segundo dados, as exportações da Rússia para economias avançadas, tradicionalmente pagas em moedas conversíveis, caíram para cerca de 10% do total no final de 2024, ante mais de 50% no início de 2022. Em dólares, essa queda representa uma perda de quase US$ 240 bilhões em receita.

Entretanto, o comércio da Rússia com moedas não conversíveis, como o renminbi chinês e a rupia indiana, aumentou consideravelmente. Contudo, embora o comércio com a China e a Índia tenha crescido, essas transações não são mais realizadas em dólares. 

Relatórios indicam que uma parcela substancial do comércio da Rússia com a Índia é realizada em rublos ou rúpias. Evitar o dólar americano levou a uma desvalorização do próprio rublo em mais de 20% em relação ao dólar no último ano. Não foi uma boa ideia, não é mesmo? 

Brasil

Dias antes de Donald Trump assumir adent, a expectativa é de desaceleração da economia brasileira devido a persistentes preocupações fiscais. Analistas preveem que o crescimento do PIB brasileiro ficará limitado a apenas 2,3% em 2024, marcando o menor índice anual desde o início da pandemia. 

A abordagem gradual do governo brasileiro em relação ao aperto fiscal não conseguiu tranquilizar os investidores, gerando preocupações sobre o crescente endividamento do país. Além disso, o real, que já sofreu desvalorização significativa em relação ao dólar, deve registrar novas quedas nos próximos meses.

Eduardo Saboia, o diplomata que liderará a próxima cúpula do BRICS no Rio de Janeiro em julho, descartou as recentes ameaças dodenteleito Trump de impor tarifas de 100% sobre os países do BRICS caso estes prejudiquem o dólar.

Em uma entrevista, Saboia esclareceu que não há intenção de substituir o dólar, mas sim de incentivar o uso de moedas locais no comércio.

Queremos aumentar o comércio entre nós, aumentar os investimentos e reduzir os custos de transação. Há uma discussão sobre o uso de moedas locais nas transações, mas não de forma impositiva”, disse ele.

Ele também enfatizou que as nações do BRICS não são antiocidentais. “Os membros do BRICS não são contra nada, antiocidentais. Pelo contrário, após a crise de 2008, as grandes economias desenvolvidas buscaram a colaboração dos países do BRICS no esforço de relançar a economia mundial… Os países do BRICS vêm para construir, não para piorar as coisas.”

Índia

Assim como o Brasil, o governo indiano reduziu sua previsão de crescimento do PIB para o ano fiscal, prevendo uma taxa de crescimento de apenas 6,4%, a mais fraca desde o início da pandemia. O consumo diminuiu e a inflação disparou, afetando ainda mais as perspectivas econômicas do país. 

Analistas preveem que a economia da Índia continuará a enfrentar desafios nos próximos meses, uma vez que o aumento das tensões geopolíticas e as tarifas propostas por Trump deverão prejudicar o comércio e o investimento globais. 

A pressão levou a crescentes apelos para que o novo governador do banco central, Sanjay Malhotra, reduza as taxas de juros e abandone as políticas restritivas mantidas por seu antecessor, Shaktikanta Das. 

Sob a gestão de Das, o Banco Central da Índia manteve as taxas de juros estáveis ​​por quase dois anos, apesar das crescentes demandas por flexibilização monetária, inclusive dentro do próprio governo. Malhotra estádent que a economia se recuperará em breve, impulsionada pelatronconfiança do consumidor e das empresas. 

A aliança BRICS está numa encruzilhada

China, Rússia, Brasil e Índia estão buscando maneiras de reduzir sua dependência do dólar americano, ainda que indiretamente. No entanto, cada um desses países membros enfrenta atualmente seus próprios problemas internos.

A China enfrenta uma desaceleração econômica, a Rússia trava uma batalha militar com a Ucrânia, o Brasil vive um período de incerteza nos mercados e a Índia prevê um crescimento mais lento. O futuro do bloco BRICS, sob a liderança do temperamental Donald Trump, permanece incerto. 

As políticas da futura administração republicana dos EUA e a potencial escalada das guerras comerciais representam um ponto de inflexão que pode deixar o bloco com mais a perder do que a ganhar. Em entrevista à Bloomberg, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou que a ameaça de tarifas já está elevando os custos de empréstimos de longo prazo em todo o mundo.

Trump não interfere nas políticas internacionais e, como dos BRICS ainda estão se consolidando, é provável que ele atrapalhe a maioria dos seus planos, senão todos.

Será que os BRICS conseguirão sobreviver aos desafios impostos pelas políticas comerciais do presidente Trump? Serão forçados a ceder à hegemonia econômica dos EUA? Só o tempo dirá, mas o que está em jogo para o comércio e as finanças globais nunca foi tão importante.

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