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O superávit comercial da China atinge o recorde de US$ 1 trilhão, com 23 países solicitando adesão ao BRICS em meio a tensões com os EUA

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
O superávit comercial da China atinge o recorde de US$ 1 trilhão, com 23 países solicitando adesão ao BRICS em meio a tensões com os EUA
  • O superávit comercial da China atingiu US$ 1 trilhão no ano passado, quebrando recordes.
  • Mais de 20 países querem aderir ao BRICS para abandonar o dólar.
  • As exportações da China estão sujeitas a tarifas dos EUA e de outros países.

A China acaba de lançar uma bomba de US$ 1 trilhão na economia global. Esse é o tamanho do seu superávit comercial no ano passado, um número impressionante que deixou todos, de Washington a Jacarta, debruçados sobre suas planilhas.

O país exportou US$ 3,58 trilhões em bens e serviços, enquanto as importações mal chegaram a US$ 2,59 trilhões. Nem mesmo os EUA do pós-guerra ou o Japão, obcecado por exportações, conseguiram algo parecido.

O problema é o seguinte: enquanto os produtos chineses inundam o mundo, a economia interna do país está em péssimo estado. Um colapso no mercado imobiliário, a perda de empregos e a perda total das reservas financeiras deixaram a classe média com medo de gastar.

No entanto, as exportações estão em alta. As fábricas estão produzindo de tudo, desde carros a painéis solares, como se não houvesse amanhã, e Pequim sorri em meio ao caos.

As comportas das exportações se abrem enquanto as importações diminuem

Só em dezembro, houve um superávit de US$ 104,8 bilhões, impulsionado em parte por mercadorias enviadas às pressas para os EUA antes que odenteleito Donald Trump começasse a impor tarifas rigorosas. A Administração Geral de Alfândega confirmou esses números, revelando um domínio da indústria manufatureira que não se via desde os Estados Unidos do pós-Segunda Guerra Mundial.

Os bens manufaturados representam agora 10% da economia da China, superando até mesmo o auge da dependência dos Estados Unidos em excedentes de produção industrial durante a Primeira Guerra Mundial. E não se trata apenas de bugigangas e aparelhos eletrônicos.

A China está exportando produtos de alto valor agregado, incluindo carros,trone até mesmo aviões comerciais, desafiando gigantes como a Boeing e a Airbus. A política "Made in China 2025" do país, apoiada por um fundo de investimento de US$ 300 bilhões, impulsionou essa transição.

, a China destronou o Japão e se tornou a maior exportadora de automóveis do mundo. Coreia do Sul, Alemanha e México também estão ficando para trás. Até mesmo no setor de painéis solares, as fábricas chinesas agora produzem praticamente todos os painéis vendidos globalmente.

Mas esse crescimento agressivo não está isento de consequências. A superprodução está derrubando os preços, deixando muitas empresas chinesas atoladas em dívidas e à beira da falência.

Enquanto as exportações disparam, as importações estão em ritmo lento. Pequim vem promovendo uma agenda de autossuficiência há décadas, expulsando os concorrentes estrangeiros de seus mercados internos.

A reação global contra as práticas comerciais da China aumenta

Os parceiros comerciais da China não estão nada satisfeitos com esses números. De gigantes industriais como os EUA e a União Europeia a países de renda média como o Brasil e a Indonésia, os governos estão impondo tarifas sobre produtos chineses para proteger suas indústrias.

Os Estados Unidos aumentaram as tarifas sobre carros chineses no ano passado, e a Europa seguiu o exemplo. Até mesmo países em desenvolvimento que antes viam a China como uma aliada no crescimento estão impondo limites. Brasil, Turquia e Índia, todos à beira da industrialização, lutam para manter suas fábricas em funcionamento diante da avalanche de produtos chineses baratos.

Os países de renda média temem perder sua posição na indústria manufatureira global. Os produtos chineses, geralmente mais baratos e de produção mais rápida, estão superando as indústrias locais, provocando demissões em massa.

O governo Biden, dando continuidade ao trabalho iniciado por Trump, acusou Pequim de usar seus bancos estatais para injetar bilhões em sua capacidade ociosa. Os empréstimos para indústrias chinesas saltaram de US$ 83 bilhões em 2019 para US$ 670 bilhões em 2023. Críticos argumentam que esses subsídios distorcem os mercados globais, dando às empresas chinesas uma vantagem injusta.

A aliança BRICS se expande, impulsionando a agenda de desdolarização

Enquanto a China demonstra sua força comercial, a aliança BRICS continua a remodelar silenciosamente a ordem financeira global. O assessordentrusso, Yury Ushakov, confirmou que 23 países apresentaram pedidos de adesão ao BRICS.

A lista inclui uma mistura de economias emergentes e nações em desenvolvimento, como Venezuela, Marrocos, Paquistão e Sri Lanka. Esses países veem o BRICS como uma tábua de salvação, oferecendo alternativas ao dólar americano para o comércio internacional.

O BRICS está promovendo uma agenda difícil de ignorar: a desdolarização. Ao incentivar o uso de moedas locais nas transações comerciais, o bloco está minando a hegemonia do dólar. Para os países membros, trata-se de uma questão de sobrevivência.

O fortalecimento das moedas locais pode estabilizar os mercados cambiais e impulsionar o PIB em economias que sofrem com a dependência do dólar. O papel da China na expansão dos BRICS é inegável.

Com seu superávit comercial financiando projetos de infraestrutura massivos na Ásia, África e América Latina, Pequim se tornou a líder de fato do bloco. E não se trata apenas de dinheiro. A influência da China se estende à formulação de políticas, pressionando o bloco a adotar uma postura mais unificada contra as práticas comerciais ocidentais.

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Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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