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Trump ordena tarifa de 100% sobre filmes importados para salvar Hollywood

PorNélio IreneNélio Irene
Tempo de leitura: 3 minutos
  • Trump anunciou tarifas de 100% sobre filmes estrangeiros no Truth Social.
  • Em resposta, a China está reduzindo o número de filmes americanos que permite.
  • A participação de Hollywood nas bilheterias da China caiu de 36% (2018) para 14% (2024).

Odent Donald Trump anunciou que está autorizando o Departamento de Comércio e o Representante Comercial dos EUA a iniciarem o processo de imposição de uma tarifa de 100% sobre filmes americanos produzidos no exterior, também conhecidos como produções fugitivas. 

Segundo Trump, os filmes americanos produzidos em "terras estrangeiras" representam uma ameaça à segurança nacional. Ele afirmou, em uma publicação em sua plataforma de mídia social Truth Social, que isso está causando uma "morte muito rápida" da indústria cinematográfica, acrescentando que Hollywood e outras regiões do país "estão sendo devastadas" por filmes produzidos em "terras estrangeiras".

Trump argumentou que o trabalho dodentera defender os Estados Unidos contra ameaças estrangeiras e domésticas e que a questão envolvia mensagens e propaganda, entre outras preocupações.

Trump afirmou que a tarifa entraria em vigor imediatamente e que o Departamento de Comércio dos EUA e o Representante Comercial dos EUA logo começariam a tomar todas as medidas necessárias e apropriadas, de acordo com a Seção 301, uma lei de bom senso comercial, para impedir o que ele chamou de práticas comerciais desleais. No entanto, ele não detalhou quando ou como a política entraria em vigor.

A publicação foi mais uma de uma série de aparições de Trump sobre tarifas desde o início da guerra tarifária, indicando que nenhum setor pode ficar imune. Ele justificou a medida em termos patrióticos, visando preservar empregos e valores americanos.

China planeja reduzir cota de filmes americanos

A China já havia começado a agir poucas semanas antes do anúncio de Trump. Em 10 de abril, a Administração de Cinema da China anunciou que reduziria o número de filmes americanos permitidos no mercado. Acredita-se que a medida seja uma retaliação às negociações anteriores dos EUA sobre o aumento das tarifas sobre o entretenimento importado.

Em comunicado público, o governo afirmou que o abuso de tarifas por parte do governo americano para interferir e suprimir indústrias legítimas havia remodelado a percepção do público chinês em relação aos filmes americanos. Acrescentou ainda que a China seguiria as regras do mercado e respeitaria as preferências do público, reduzindo o número de filmes americanos permitidos no país.

A China é o segundo maior mercado cinematográfico do mundo, e Hollywood depende cada vez mais dele. Mas o país tem se tornado mais protetor de sua indústria de entretenimento nacional. Nos últimos anos, os filmes chineses têm superado as produções hollywoodianas nas bilheterias locais.

Em 2024, os filmes americanos representaram cerca de 14% da bilheteria chinesa. Isso representa uma queda significativa em relação aos 36% registrados em 2018. isso se deve, em parte, ao fato de o público chinês estar cada vez mais cansado de sequências e reboots, e do que considera narrativas repetitivas de Hollywood.

O governo chinês está agora apoiando mais produções locais e incentivando o público a assistir conteúdo produzido no país. A tentativa mais recente de reduzir as importações de filmes dos Estados Unidos ameaça atingir Hollywood onde mais dói.

Os estúdios de Hollywood enfrentam dificuldades devido às tensões comerciais

Os estúdios de Hollywood estão cada vez mais preocupados com esses acontecimentos. A nova tarifa de 100% imposta pelo presidentedentsignificativamente o custo de entrada de filmes estrangeiros nos EUA — o maior mercado cinematográfico do mundo. Isso poderia prejudicar a concorrência para os filmes americanos e aumentar as tensões entre os quatro maiores parceiros comerciais: China, França, Coreia do Sul e Índia.

Recentemente, o empresário de Voight, Steven Paul, confirmou que ele e o ator elaboraram uma proposta para apresentar a Trump, com o objetivo de revitalizar a produção cinematográfica e televisiva americana.

No entanto, não ficou claro quais ideias estavam em seu plano ou se eles tinham uma reunião confirmada com Trump. Uma possível sugestão que Voight e Paul poderiam estar considerando é um incentivo fiscal federal, algo que a indústria — que sofreu economicamente nos últimos anos com os fechamentos devido à Covid, greves de roteiristas e incêndios florestais — provavelmente apoiaria. Incentivos fiscais no exterior ajudaram os estúdios a reduzir os custos de produção devido aos desafios econômicos.

Entretanto, a redução das importações de filmes americanos pela China já está surtindo efeito. Para estúdios como Disney, Warner Bros. e Paramount, que utilizam os mercados internacionais para ajudar a cobrir os custos de produção, a dependência é ainda maior no caso de grandes produções de alto orçamento.

Empresas que por muito tempo detiveram grande poder agora estão à beira da ruína por causa da pandemia. A queda nas vendas de ingressos na China — que antes era um dos principais mercados geradores de receita para Hollywood — deixou os grandes estúdios em busca desesperada de novas fontes de renda.

Críticos de cinema também alertam que os espectadores podem ficar privados de diversas histórias ao redor do mundo. Em sua publicação de domingo, Trump não mencionou as indústrias de televisão ou streaming, que também dependem de produções fora dos EUA. Se a medida implicar em aumento de tarifas em todo o mundo, filmes internacionais podem se tornar coisa do passado nos cinemas americanos.

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Nélio Irene

Nélio Irene

Nellius é formada em Administração de Empresas e TI, com cinco anos de experiência no setor de criptomoedas. Ela também é graduada pela Bitcoin Dada. Nellius já contribuiu para importantes publicações de mídia, incluindo BanklessTimes, Cryptobasic e Riseup Media.

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