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Singapura dá à Meta menos de uma semana para combater golpes, sob pena de multa de US$ 776.400

PorFlorença MuchaiFlorença Muchai
Tempo de leitura: 3 minutos
Singapura dá à Meta menos de uma semana para combater golpes, sob pena de multa de US$ 776.400
  • Órgãos de fiscalização da publicidade alertam os consumidores sobre lojas online falsas no Facebook e Instagram que utilizam táticas enganosas de dropshipping.
  • Pesquisadores de segurança cibernética encontram 50.000 anúncios com argumentos de vendadent, muitos deles vinculados a contas recém-criadas ou alteradas.
  • Os consumidores correm o risco de não receber nada ou de receber produtos de baixa qualidade, devido a imagens geradas por IA e informações comerciais falsas usadas para enganar os compradores.

O governo de Singapura instruiu a Meta Platforms, empresa controladora do Facebook, a aprimorar suas ações no combate a golpes online em sua plataforma de mídia social. A Meta tem até 30 de setembro para cumprir a determinação ou enfrentará pesadas multas. 

Segundo o Straits Times, a diretiva foi emitida na quinta-feira ao abrigo da Lei de Danos Criminais Online (OCHA) do país. É a primeira vez que a lei é invocada contra uma grande empresa de redes sociais.

A Meta deve cumprir as regras do OCHA ou estará sujeita a multas

O Ministério do Interior (MHA) anunciou que a Meta, proprietária do Facebook, deve aprimorar seus sistemas de reconhecimento facial e agilizar a análise de denúncias de usuários relacionadas a golpes em Singapura. 

As autoridades locais disseram que o apelo à ação foi feito após um aumento repentino de golpes de falsificação de identidade envolvendo contas falsas, anúncios e páginas comerciais que se fazem passar por funcionários do governo no país.

A Meta poderá ser multada em até S$ 1 milhão (US$ 776.400) caso não cumpra os requisitos. Se a infração persistir após a condenação inicial, a empresa poderá ser responsabilizada por multas adicionais de até S$ 100.000 por cada dia de descumprimento.

“Embora a Meta tenha tomado medidas para lidar com o risco de golpes de falsificação de identidade em todo o mundo, o Ministério do Interior (MHA) e a Polícia de Singapura (SPF) continuam preocupados com a prevalência desses golpes em Singapura”, afirmou o MHA.

Conforme relatado pela Cryptopolitan, a decisão de emitir a ordem foi sinalizada pela primeira vez em 3 de setembro, durante a Global Anti-Scam Summit Asia 2025.

“O Facebook é a principal plataforma usada por golpistas para cometer esses golpes de falsificação de identidade. Impedir a proliferação desses golpes é fundamental para proteger o público de danos e manter a confiança em nosso governo e instituições públicas”, disse ao South China Morning Post.

Indivíduos mal-intencionados se fazem passar por líderes do governo de Singapura

Segundo dados fornecidos à imprensa pelas autoridades locais, golpes envolvendo a personificação de importantes líderes de Singapura atingiram milhares de vítimas no último ano. Entre junho de 2024 e junho de 2025, a Força Policial de Singapura (SPF) desmantelou cerca de 2.000 anúncios fraudulentos e perfis falsos no Facebook. 

Muitos desses casos envolviam vídeos ou imagens do primeiro-ministro Lawrence Wong e do ex-ministro da Defesa Ng Eng Hen, de 66 anos, sendo usados ​​indevidamente em propagandas falsas.

Em março, Wong alertou o público para não cair em golpes que utilizavam deepfakes ou imagens manipuladas dele. Essas publicações falsas tentavam atrair vítimas para investimentos em criptomoedas, esquemas de enriquecimento rápido ou serviços fraudulentos para pedidos de residência permanente.

Dados da polícia mostram que os golpes de falsificação de identidade de funcionários do governo quase triplicaram em relação ao ano anterior. As autoridades registraram 1.762 casos no primeiro semestre de 2025, em comparação com 589 no mesmo período de 2024.

As vítimas perderam S$ 172 milhões (US$ 126,5 milhões) nos primeiros seis meses de 2025, quase o dobro dos S$ 91,5 milhões (US$ 67,2 milhões) perdidos durante o primeiro semestre de 2024.

Facebook inundado por golpes de 'dropshipping'

Órgãos reguladores de publicidade e especialistas em cibersegurança alertam os consumidores para que desconfiem de lojas online que anunciam produtos que não têm em stock, uma vez que muitas se revelam operações fraudulentas de "dropshipping".

No Facebook e no Instagram, os consumidores estão sendo atraídos por anúncios de liquidações ou descontos por fechamento de lojas. Muitos clientes que caem nesse golpe não recebem nada após o pagamento ou acabam com itens de qualidade muito inferior à anunciada.

Algumas lojas chegam a incentivar compras múltiplas com descontos progressivos, como 20% de desconto em um item e 40% de desconto em dois, para induzir os consumidores a perdas maiores.

Segundo Marta Mallavibarrena, pesquisadora de cibersegurança em Madri, quatro lojas diferentes no Instagram estavam usando a mesma linguagem promocional, cada uma começando com “Infelizmente, estamos fechando…” para anunciar supostas liquidações.

Alguns anúncios ofereciam agasalhos masculinos, enquanto outros promoviam roupas com estampa animal. O Mallavibarrena consultou o acervo de anúncios da Meta e encontrou quase 50.000 anúncios com a mesma redação.

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