O número dedentnos Estados Unidos interessados em vender seus Teslas atingiu um recorde histórico, coincidindo com um período difícil para a empresa. De acordo com dados do Google Trends, o interesse de busca por "vender meu Tesla usado" disparou em março, chegando a 733% em 22 de março.
O interesse pelo termo começou de forma normal no início de março, registrando uma pontuação de 12 na semana entre 2 e 8 de março. A situação começou a piorar no final desta semana, com o termo de busca apresentando uma pontuação de 100 no final da semana que terminou em 21 de março. Ao longo do último ano, o termo apresentou resultados mínimos, e o recente aumento repentino em março sugere que algo está acontecendo.

Segundo relatos, o termo de busca tem a maior concentração na Califórnia, Virgínia e Flórida, enquanto Washington e Texas também demonstram um interesse crescente. A tendência parece acompanhar os dados reais do mercado global. Além disso, a plataforma de recursos automotivos Edmunds revelou um aumento no número de proprietários de Tesla que optaram por trocar seus veículos, demonstrando uma mudança crescente no sentimento do consumidor em relação aos veículos elétricos (VE).
A Tesla enfrenta dificuldades em meio às críticas de Musk ao DOGE
Nos dados fornecidos pela Edmunds, os modelos Tesla de 2017 ou mais recentes representaram cerca de 1,4% de todas as trocas de veículos nas duas primeiras semanas de março, um aumento em relação aos 1,2% registrados em fevereiro. Segundo as estimativas da empresa, março deverá registrar a maior participação de trocas de veículos Tesla, caso a tendência se mantenha.
O aumento do interesse na venda de veículos Tesla também ocorre em um momento em que a empresa enfrenta forte concorrência de fabricantes chineses de veículos elétricos, em meio à queda nas vendas.
Entretanto, a necessidade de vender veículos Tesla usados também pode ser atribuída à reação negativa que seu CEO, Elon Musk, recebeu por seu trabalho no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE). O departamento foi criado para cortar gastos governamentais, eliminar o desperdício excessivo e reduzir a dívida nacional. Embora tenha conquistado as ruas nas primeiras semanas no departamento, suas ações subsequentes geraram críticas da maior parte da população.
Os críticos de Musk fizeram de tudo para chamar sua atenção, incluindo a organização de manifestações pacíficas em concessionárias e fábricas da Tesla na América do Norte e na Europa. Outros foram além da paz, vandalizando e explodindo veículos da Tesla, o que levou o governo a classificar o ato como terrorismo doméstico. Embora odent dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha demonstrado admiração pelo trabalho de Musk e apoiado seus negócios, resta saber qual será o impacto disso na população.
Em resposta ao vandalismo que vem ocorrendo contra veículos da Tesla, o analista Ben Kallo, da Baird, mencionou que tais atos podem dissuadir compradores de adquirirem veículos da fabricante de carros elétricos. "Quando os carros das pessoas correm o risco de serem riscados ou incendiados, mesmo aqueles que apoiam Musk ou são indiferentes a ele podem pensar duas vezes antes de comprar um Tesla", disse Kallo.
Embora Musk tenha se mantido resiliente diante da adversidade, a empresa tem enfrentado muitos contratempos nos últimos meses. O mais recente deles diz respeito às normas de segurança relacionadas ao seu veículo, a Cybertruck . Nesse sentido, a empresa fez um recall de 46.000 Cybertrucks devido a um defeito que pode causar o desprendimento dos painéis da carroceria. Este é o oitavo recall do mesmo veículo no último ano.
Persistem as incertezas enquanto Wall Street discute as ações da Tesla
Enquanto a marca Tesla continua enfrentando incertezas, as ações da empresa têm estado sob imensa pressão, com tentativas de recuperação a curto prazo. Segundo relatos, os investidores têm procurado se desfazer das ações, que lutam para ultrapassar o nível de resistência de US$ 250. Atualmente, as ações estão sendo negociadas a US$ 248, com alta de 5,2% nas últimas 24 horas. As ações apresentam um leve ganho de 1,5% na última semana, mas ainda acumulam queda de cerca de 35% no ano.
Enquanto isso, os analistas de Wall Street permanecem divididos quanto às perspectivas para as ações. Por exemplo, Tom Narayan, da RBC Capital, manteve sua recomendação de "desempenho superior" para as ações, mas reduziu seu preço-alvo de US$ 440 para US$ 320. Ele descartou a queda nas vendas do veículo elétrico, observando que os temores estão sendo exagerados. Da mesma forma, Ryan Brinkman, do JPMorgan, mantém suas previsões pessimistas, reduzindo seu preço-alvo de US$ 130 para US$ 120. Ele citou a reação negativa contra Musk e o aumento dos boicotes como fatores importantes.
A Redburn-Atlantic manteve sua recomendação de "venda", com preço-alvo de US$ 160. A agência citou o fraco crescimento e os altos estoques, enquanto a Tesla se prepara para divulgar seu relatório de entregas de abril. Em uma perspectiva otimista, Adam Jonas, do Morgan Stanley, afirmou que a Tesla continua sendo sua escolha no setor automotivo, mantendo a recomendação de "acima da média do mercado" e o preço-alvo de US$ 430. Ele vê a Tesla como a futura líder em inteligência artificial e robótica, prevendo um potencial de valorização de US$ 800. Dan Ives, da Wedbush, também manteve seu preço-alvo de US$ 550 e a recomendação de "desempenho superior ao mercado". Ele classificou a recente queda como um "momento decisivo" para os investidores.

