A incerteza regulatória é apontada como a principal causa da fraca adesão às stablecoins no comércio eletrônico global

- As stablecoins estão longe de se tornarem os ativos preferidos para fins de comércio eletrônico global.
- A incerteza regulatória em torno do uso dessas moedas é o principal obstáculo para alcançar essa realidade.
- Apesar da crescente adoção de criptomoedas, as transações com moeda fiduciária continuam sendo o método preferido para concluir transações.
O uso global de criptomoedas, incluindo stablecoins, em transações online ainda é incipiente. É o que aponta um novo relatório da IDA Finance e da Quinlan Associates sobre pagamentos. O estudo constatou que os ativos digitais representam apenas 0,2% do valor total das transações de comércio eletrônico no mundo.
Segundo o relatório, a maioria dos comerciantes cita a volatilidade dos ativos como seu maior receio ao aceitar transações em criptoativos. Apesar das stablecoins lastreadas em moedas fiduciárias terem sido projetadas para mitigar essa volatilidade, os riscos e incertezas relacionados à regulamentação, governança, KYC (Conheça Seu Cliente) e requisitos de AML (Antilavagem de Dinheiro) impedem os comerciantes de aceitarem esses pagamentos.
Um excerto das conclusões afirma:
Todos esses riscos decorrem da ausência de estruturas legais bemdefique estabeleçam as regras e responsabilidades tanto para os emissores quanto para os usuários de stablecoins. Esse cenário de incerteza faz com que os comerciantes hesitem em aceitar stablecoins como uma opção de pagamento convencional.
Relatório de pagamentos da IDA Finance e da Quinlan Associates
Os usuários, por sua vez, têm criticado a falta de transparência em relação às reservas de algumas stablecoins não regulamentadas. Para eles, essa falta de clareza gera dúvidas sobre a segurança e a confiabilidade dos ativos. Essa incerteza sobre o que lastreia as moedas impede seu uso generalizado.
A incerteza regulatória expõe os usuários de stablecoins a riscos
O relatório destaca ainda os vários riscos a que esta ambiguidade regulamentar expõe de stablecoins . O primeiro é o risco de mercado devido à ausência de requisitos de taxa de reserva legalmente definidos. Assim, as moedas podem perder o seu valor de paridade quando os ativos que as lastreiam flutuam, como aconteceu com o colapso da Terra.
Em segundo lugar, a falta de licenciamento dá aos emissores carta branca sobre seus empreendimentos. Sem ninguém para supervisionar sua gestão, existe o risco de má administração, o que pode levar a problemas financeiros. Quando isso acontece, os usuários podem perder seus fundos ou não conseguir resgatá-los pelo valor total em moeda fiduciária.
Por fim, há o risco de liquidez. Projetos de stablecoins podem ter dificuldades para atender a solicitações de resgate repentinas e volumosas, como aconteceu com a NuBits. Reservas insuficientes e a crescente desconfiança dos usuários levaram ao colapso de uma das stablecoins pioneiras em 2018.
Esses riscos ressaltam a importância da transparência das stablecoins, uma questão que regulamentações robustas podem ajudar a resolver. Até o momento, a Lei de Mercados de Criptoativos da União Europeia continua sendo a medida mais ousada para regular o setor. Outras nações seguiram o exemplo, fornecendo diretrizes para o uso seguro e transparente dessas moedas.
Cash espécie e moedas fiduciárias dominam as transações, apesar da crescente adoção de criptomoedas
Embora a adoção de criptomoedas esteja crescendo, cash continua sendo o meio preferido para concluir transações. Mesmo os estabelecimentos que aceitam stablecoins aindatracprocessadores de pagamento externos para converter os criptoativos em moeda fiduciária.
Portanto, a aceitação indireta de criptomoedas por esses estabelecimentos limita ainda mais o uso de stablecoins na economia real. O fato de geralmente restringirem o uso de criptomoedas a itens de baixo valor não ajuda. Essa cautela evidencia o quanto ainda estamos longe da popularização dos pagamentos com criptomoedas.
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Nélio Irene
Nellius é formada em Administração de Empresas e TI, com cinco anos de experiência no setor de criptomoedas. Ela também é graduada pela Bitcoin Dada. Nellius já contribuiu para importantes publicações de mídia, incluindo BanklessTimes, Cryptobasic e Riseup Media.















