Os mercados de previsão apostam que o bloqueio de Ormuz continuará por mais tempo, mesmo após Washington e Teerã terem estendido o cessar-fogo.
Os operadores em Kalshi reduziram as probabilidades de um rápido retorno à normalidade do tráfego marítimo, depois de ambos os lados terem dito muito pouco sobre o único ponto que realmente interessa ao mercado: se o Irã reabrirá o estreito e se os EUA deixarão de bloqueá-lo com força naval.
Em Kalshi, os apostadores atribuem ao tráfego normal no Estreito de Ormuz apenas 42% de probabilidade até 1º de junho. As probabilidades melhoram para 59% até 1º de julho e 61% até 1º de agosto. O mercado Polymarket apresenta um cenário semelhante. Os apostadores de lá atribuem ao estreito 45% de probabilidade de retorno à normalidade até o final de maio e 67% até o final de junho.
Ambas as plataformas utilizam o mesmo padrão. Elas defifluxos normais como a média móvel de sete dias das escalas de trânsito pelo estreito, com base nos dados do IMF PortWatch.
Os mercados adiam ainda mais as apostas na reabertura, uma vez que o tráfego marítimo permanece muito abaixo do normal
O tráfego real pelo Estreito de Ormuz ainda está longe dos níveis pré-guerra. Na quarta-feira, apenas oito navios cruzaram o estreito, incluindo três petroleiros, segundo dados da LSEG. Antes da guerra, a rota costumava receber mais de 100 navios por dia.
No mesmo dia, o Irã afirmou ter apreendido dois navios que tentaram passar sem autorização. Isso foi importante porque os mercados já estavam atentos à possibilidade de o número de navios se recuperar após a prorrogação do cessar-fogo. A recuperação não ocorreu.
Em uma nota divulgada na quinta-feira, Ulrike Hoffmann-Burchardi, diretora de investimentos do UBS para as Américas, escreveu que a reabertura do estreito "continua sendo uma meta incerta". Ela citou comentários de Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano, que afirmou que o estreito não será reaberto enquanto o bloqueio naval dos EUA permanecer em vigor.
Hoffmann-Burchardi escreveu: “Esses acontecimentos apontam para os desafios de resolver o conflito e reabrir o Estreito para permitir a normalização dos fluxos e da produção de energia”. Ela acrescentou: “Um período prolongado de preços elevados da energia pode afetar ainda mais o crescimento”
Irã apreende navios, Trump intensifica ameaças e petróleo volta a subir acima de US$ 100
A tensão militar aumentou ainda mais na quinta-feira. Trump afirmou que "atiraria e mataria" qualquer embarcação que lançasse minas no estreito. Ao mesmo tempo, o preço do petróleo Brent voltou a ultrapassar os 100 dólares por barril. O Irã, então, divulgou um novo vídeo com o objetivo de demonstrar seu controle sobre a rota.
A televisão estatal exibiu imagens de comandos mascarados invadindo o MSC Francesca, um grande navio cargueiro. O vídeo mostrava tropas em uma lancha cinza aproximando-se da embarcação, subindo uma escada de corda até uma porta lateral no casco e pulando para dentro com fuzis.
A transmissão também mostrou outro navio, o Epaminondas. O Irã afirmou que ambas as embarcações foram apreendidas na quarta-feira após tentarem cruzar a fronteira sem autorização.
Washington também ampliou suas ações no mar. Os EUA disseram ter abordado outro petroleiro, o Majestic, no Oceano Índico na quinta-feira. O petroleiro parecia ser o mesmo superpetroleiro que foi visto pela última vez perto do Sri Lanka, transportando 2 milhões de barris de petróleo bruto.
Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra em fevereiro, o Irã, na prática, fechou o Estreito para navios que não sejam os seus. Desde o colapso das negociações de paz na terça-feira, poucas horas antes do término do cessar-fogo de duas semanas, o Irã parece ter mantido o controle da hidrovia.
Ainda há negociações diplomáticas em curso, mas com condições. Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters na quinta-feira que o Irã poderia considerar participar de uma reunião no Paquistão, mas somente se o bloqueio dos EUA for suspenso e os navios iranianos apreendidos forem liberados.
Naquela mesma manhã, Trump publicou que a Marinha dos EUA tinha controle total do estreito. Ele escreveu: “Temos controle total sobre o Estreito de Ormuz. Nenhum navio pode entrar ou sair sem a aprovação da Marinha dos Estados Unidos. Está 'selado a sete chaves' até que o Irã consiga fechar um acordo!!!”

