O Japão pretende reduzir a quantidade de títulos do governo de longo prazo que emitirá este ano, devido à crescente pressão exercida pela alta dos rendimentos e pela crescente preocupação com a dívida do país.
De acordo com a Reuters o Ministério das Finanças está analisando a decisão e provavelmente a tomará em junho, após conversas com os participantes do mercado.
Este possível corte visa títulos com os vencimentos mais longos — especificamente títulos do governo japonês (JGBs) de 20, 30 e 40 anos — após a queda acentuada na demanda e a alta dos rendimentos para máximas de vários anos.
Compradores tradicionais, como seguradoras de vida, começaram a recuar, enquanto investidores globais se tornaram cautelosos, já que a enorme dívida pública do Japão levanta questões sobre a sustentabilidade a longo prazo.
Os rendimentos dos títulos caem à medida que o mercado reage a possíveis cortes
O mercado reagiu rapidamente. O rendimento dos títulos do governo japonês (JGBs) com vencimento em 30 anos caiu 12,5 pontos-base, para 2,91%, atingindo seu menor nível desde 14 de maio. Ao mesmo tempo, o rendimento dos títulos de referência com vencimento em 10 anos caiu 5 pontos-base, para 1,455%.
A notícia pressionou o iene para baixo, que se desvalorizou 0,3% em relação ao dólar, fechando a 143,275. Até mesmo os títulos do Tesouro americano sofreram variações, com o rendimento do título de 30 anos caindo 7 pontos-base, para 4,963%, no início do pregão em Londres.
Os movimentos bruscos começaram depois que o Ministério das Finanças enviou um questionário às instituições financeiras, perguntando quanta dívida de longo prazo deveria ser emitida para o restante do ano fiscal. Os investidores interpretaram isso como um sinal claro de que as autoridades querem reduzir a emissão de títulos de longo prazo para acalmar a volatilidade e se adequar à fraca demanda.
Na sequência, o rendimento dos títulos japoneses com vencimento em 20 anos caiu 19,5 pontos base, para 2,31%, e o rendimento dos títulos com vencimento em 40 anos despencou 25 pontos base, confirmando ainda mais a sensibilidade do mercado.
Os efeitos também se estenderam aos mercados de títulos dos EUA, onde a queda nos rendimentos japoneses desencadeou uma onda global de compras, especialmente em títulos de longo prazo.
A emissão total de títulos da dívida pública japonesa deverá permanecer em 172,3 trilhões de ienes
Apesar dos possíveis cortes nos títulos de longo prazo, o montante total da dívida o Japão planeja emitir neste ano fiscal permanecerá o mesmo — 172,3 trilhões de ienes, ou US$ 1,21 trilhão, até março de 2026. O que pode mudar é a composição.
Se o ministério reduzir os prazos de vencimento muito longos, provavelmente venderá mais títulos de curto prazo. Isso pode incluir títulos de 2, 5 ou 10 anos, dependendo de onde a demanda for maistron.
Analistas como Shier Lee Lim, estrategista-chefe de câmbio e macroeconomia da Convera Singapura, acreditam que a mudança está sendo impulsionada pela pressão de investidores que vendem títulos para protestar contra comportamentos fiscais irresponsáveis.
“A mudança na estratégia de emissão é vista como uma resposta à crescente pressão de investidores que se opõem a políticas fiscais insustentáveis”, disse Shier. “Embora o sentimento de curto prazo tenha melhorado, a maior dependência de emissões com vencimento mais curto pode levar a maiores riscos de refinanciamento ao longo do tempo.”
Esse risco é real. Trocar dívida de longo prazo por títulos de curto prazo pode ajudar a reduzir os rendimentos atuais e acalmar os investidores, mas também significa que o Japão terá que refinanciar sua dívida com mais frequência — e possivelmente em condições piores.
Por enquanto, o Ministério das Finanças não anunciou a quantidade de cada vencimento que venderá. Essa decisão dependerá do resultado das reuniões de mercado de junho.
do Tesouro americano com vencimento em 30 anos subiram para níveis não vistos desde 2007, à medida que as preocupações com a dívida afetaram os mercados desenvolvidos.
O banco central do Japão também tem sinalizado que pode reduzir suas enormes reservas de títulos do governo japonês (JGBs), aumentando ainda mais a incerteza. Embora o Banco do Japão ainda não tenha tomado nenhuma medida concreta, a mera especulação já é suficiente para deixar os investidores apreensivos.
O receio é que, uma vez que o banco reduza seus empréstimos, não haja demanda suficiente para sustentar prazos mais longos — especialmente com as seguradoras agora se retirando do mercado. Isso deixa o Ministério das Finanças com opções limitadas: ou enfrentar o aumento dos custos de empréstimo ou ajustar a oferta antes que a situação piore.
Até o momento, o governo optou por agir. A questão é se esse ajuste será suficiente ou apenas uma solução temporária que levará a problemas maiores no futuro. Os investidores acompanharão de perto a decisão de junho para ver se o Japão conseguirá encontrar o equilíbrio entre a estabilidade do mercado e a sobrevivência fiscal.

