Os altos custos dos seguros ameaçam o crescimento dos veículos elétricos, à medida que o setor se volta para a tecnologia inteligente

- Os seguros aumentaram 37% e a manutenção entre 20% e 27% desde 2021
- A Europa terá um déficit de 0,8 milhão de estações de carregamento até 2030, devido à competição entre centros de dados com inteligência artificial por capacidade na rede elétrica.
- Os custos das baterias caíram 93%, para US$ 108/kWh, impulsionando o crescimento do mercado de veículos elétricos para US$ 2,326 trilhões até 2036.
Famílias em toda a Europa estão lutando para acompanhar o aumento vertiginoso dos preços dos carros, que têm representado um fardo significativo para os orçamentos familiares desde o início da epidemia.
Os prêmios de seguro aumentaram 37% desde 2021, enquanto as despesas com reparos e manutenção subiram de 20% a 30%, à medida que os veículos se tornaram mais complexos e peças como baterias ficaram mais caras.
Na França e na Alemanha, os carros representam cerca de 7% a 8% dos gastos das famílias, e até 11% para as famílias mais pobres.
Ao mesmo tempo, os custos de reparação estão a aumentar muito mais rapidamente do que os rendimentos em toda a UE.
James Kan, que lidera a pesquisa industrial para a região Ásia-Pacífico no BNP Paribas, salientou que as famílias que optam por carros elétricos podem não economizar tanto quanto esperam.
“A economia com combustível pode ser compensada pelos custos de seguro e manutenção de veículos elétricos em alguns mercados emergentes”, disse Kan.
A rede de carregamento não atinge as metas
Um dos principais problemas ainda é a falta de estações de carregamento. Como disse Kan, "a infraestrutura necessária ainda não existe" em muitos países.
Ele afirmou que a China e a Europa possuem as redes de carregamento mais robustas, enquanto os Estados Unidos e muitos países em desenvolvimento estão migrando para veículos híbridos devido à capacidade insuficiente da rede elétrica.
A rede europeia está crescendo, mas não rápido o suficiente. Desde 2020, o número de estações de carregamento aumentou aproximadamente 20% ao ano, chegando a 1,1 milhão no início de 2026.
Este valor ainda está aquém da meta da UE de 3,5 milhões até 2030, que exige um crescimento anual de 27%.
No ritmo atual, a Europa poderá ficar para trás em cerca de 0,8 milhões de estações.
A maioria dos carregadores também é lenta.
Apenas 16% são carregadores ultrarrápidos de corrente contínua. A rede é desigual, com a Holanda, a França, a Alemanha e a Bélgica detendo cerca de 65% de todas as estações.
A França e a Alemanha também representam cerca de 40% dos carregadores ultrarrápidos, enquanto muitas áreas rurais continuam mal servidas.
Os centros de dados também estão aumentando a demanda por eletricidade.
A Agência Internacional de Energia prevê que a UE utilizará 70 TWh em 2024, aumentando para 115 TWh em 2030, um aumento de 65%.
Isso significa que os sistemas de carregamento de veículos elétricos e de inteligência artificial competirão pela capacidade limitada da rede elétrica, enquanto a demanda geral de eletricidade na UE aumenta apenas de 1,1% a 1,5% ao ano.
Ao mesmo tempo, o aumento dos preços do petróleo está impulsionando o crescimento do número de pessoas que optam por veículos elétricos.
Um aumento de 30% no preço do petróleo Brent elevou os preços dos combustíveis na França, Alemanha e Holanda para mais de 2,0 euros por litro, um nível não visto desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Na Alemanha, o aumento dos preços dos combustíveis tem resultado frequentemente em queda nas vendas de automóveis.
Os preços podem subir ainda mais. No início da década de 2030, as políticas da UE podem levar os preços do petróleo a atingirem valores entre 100 e 114 dólares por barril, com os preços dos combustíveis variando de 2,10 a 2,55 euros por litro.
Sob padrões Net Zero mais rigorosos, o petróleo pode custar mais de 190 dólares por barril, com os preços nos postos de gasolina chegando a 5,60 euros por litro.
Com esses preços, muitas famílias teriam dificuldades para comprar veículos movidos a combustível.
Custos das baterias impulsionam a expansão do mercado
O mercado de veículos elétricos está crescendo rapidamente. Em 2026, valia US$ 575 bilhões e a expectativa é que alcance cerca de US$ 2,3 trilhões até 2036, crescendo em torno de 15% ao ano.
Isso agrega aproximadamente US$ 1,75 trilhão em valor ao longo da década.
A redução dos custos das baterias é um fator crucial para o crescimento. Os preços das baterias de íon-lítio caíram 93%, de US$ 1.474 por kWh em 2010 para US$ 108 em 2024, e continuarão a diminuir à medida que a produção aumentar.
Prevê-se que o consumo de baterias aumente de mais de 1.000 GWh atualmente para mais de 5.000 GWh no início da década de 2030.
Os preços poderão cair para menos de US$ 60 a US$ 70 por kWh até 2030 e, posteriormente, para menos de US$ 55, tornando os carros elétricos mais acessíveis do que os veículos a gasolina sem subsídios.
O carregamento inteligente também está em crescimento. O mercado de carregadores bidirecionais para veículos elétricos deverá aumentar de US$ 1,4 bilhão em 2025 para US$ 6,2 bilhões em 2032.
Esses sistemas permitem que os carros transfiram eletricidade de volta para a rede, equilibrando assim o consumo de energia e dando aos motoristas mais controle sobre sua energia.
Em última análise, à medida que a queda nos custos das baterias se choca com severas restrições na rede elétrica, o futuro do boom dos veículos elétricos dependerá da transformação desses veículos, de meros consumidores de energia, em pilares vitais e descentralizados da própria rede elétrica.
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