Goldman Sachs, Bank of America e Morgan Stanley acabaram de divulgar seus resultados do segundo trimestre e, sejamos honestos, os analistas de Wall Street se deram mal. Os três superaram em muito as projeções dos analistas, principalmente devido ao caos no mercado e ao aumento repentino da atividade de negociação.
Entre as tarifas de Trump e a volatilidade global, este trimestre proporcionou aos bancos exatamente o tipo de problema que eles sabem como monetizar. O Goldman Sachs teve um desempenho excepcional, faturando US$ 14,58 bilhões e superando a estimativa de US$ 13,47 bilhões em mais de um bilhão de dólares.
A maior parte desse valor veio das negociações, que superaram as previsões dos analistas em US$ 840 milhões. Só isso já é impressionante. Mas o lucro por ação da empresa ficou em US$ 10,91, bem acima dos US$ 9,53 esperados. Resumindo: o lucro disparou 22% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 3,72 bilhões.
A negociação de ações foi o principal fator, gerando US$ 4,3 bilhões, um aumento de 36% em relação ao ano passado e US$ 650 milhões a mais do que as pesquisas da StreetAccount haviam previsto.
Morgan Stanley supera as expectativas em números de ações e patrimônio
O Morgan Stanley não ficou muito atrás. O banco registrou lucro por ação de US$ 2,13, superando a previsão de US$ 1,96. A receita atingiu US$ 16,79 bilhões, superando as estimativas em mais de US$ 700 milhões. O lucro líquido subiu para US$ 3,5 bilhões, um aumento de 13% em relação aos US$ 3,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
A divisão de títulos institucionais apresentou um crescimento, registrando receita líquida de US$ 7,64 bilhões, ante US$ 6,98 bilhões no ano anterior. A atividade de negociação dos clientes foi tron , especialmente em ações. Essa tendência tem sido consistente, e o CEO Ted Pick fez questão de destacar isso, afirmando: “Seis trimestres consecutivos de lucros consistentes... refletem níveis mais altos de desempenho em diferentes cenários de mercado”.
Outro ponto forte do Morgan Stanley veio da gestão de patrimônio. Esse segmento gerou US$ 7,76 bilhões em receita, impulsionada principalmente por taxas de administração de ativos. É um ganho sólido em relação aos US$ 6,79 bilhões do ano passado. E se você tem acompanhado o mercado, sabe que as ações do Morgan Stanley subiram mais de 12% no acumulado do ano, mais que o dobro do índice S&P 500. Esse ímpeto não se alterou muito no pré-mercado, mas ainda assim, está presente.
O Bank of America se beneficia do caos e obtém lucro recorde
O Bank of America pode ter adotado uma postura mais discreta, mas seu segundo trimestre foi igualmente impactante. O banco registrou um trimestre recorde, impulsionado por fortes oscilações de mercado e um tron na receita líquida de juros. A receita com operações de renda fixa, moedas e commodities (FICC) cresceu 19%, atingindo US$ 3,25 bilhões. Um resultado expressivo. As operações com ações adicionaram outros US$ 2,13 bilhões, um aumento de 9,6% em relação ao ano anterior. Ambos os números superaram as expectativas dos analistas.
Os mercados têm estado instáveis desde abril, quando o presidente dent impôs tarifas agressivas aos parceiros comerciais dos EUA. Esse desastre se traduziu em ganhos para a área de mercados do Bank of America, assim como para o restante de Wall Street. Em vez de apostar na recuperação de fusões e aquisições (que não se concretizou), esses bancos capitalizaram sobre a volatilidade dos mercados e o grande volume de negócios com seus clientes.
Um dos grandes destaques do Bank of America foi a receita líquida de juros, que subiu 7,1%, para US$ 14,7 bilhões. Os analistas previam um aumento de apenas 6,5%. Essa receita representa o lucro obtido pelos bancos com empréstimos, menos o que pagam aos depositantes, ou seja, sua principal fonte de renda.
O CEO Brian Moynihan afirmou: “Os consumidores mantiveram-se resilientes, com gastos saudáveis e boa qualidade de ativos, e as taxas de utilização de empréstimos comerciais aumentaram. Além disso, observamos um bom desempenho em nossos negócios nos mercados.”
O lucro líquido do trimestre foi de US$ 7,12 bilhões, um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior. Esse valor também supera em muito os US$ 6,56 bilhões esperados pelos analistas. E para o Bank of America, o segundo maior banco dos EUA, superar esses números neste cenário de mercado não é algo que Wall Street vá ignorar.

