Os responsáveis políticos do BCE alertam que os "piores cenários" económicos estão a materializar-se

- O Banco Central Europeu alerta para uma recessão mais acentuada na zona do euro, citando as tarifas americanas e a instabilidade financeira global como principais fatores desencadeantes.
- Autoridades do BCE sinalizam uma provável redução da taxa de juros em 17 de abril, com as previsões de inflação e crescimento sendo revisadas para baixo.
- O presidente do Banco Central da Espanha sugere que o euro pode desafiar o status do dólar americano como moeda de reserva em meio às mudanças na dinâmica do comércio global.
O Banco Central Europeu (BCE) prevê uma recessão mais acentuada do que o esperado na economia da zona do euro, desencadeada pelas tarifas comerciais dos EUA, que, segundo a instituição, causaram instabilidade financeira global. De acordo com um alto funcionário do BCE, alguns dos piores cenários econômicos previstos pela instituição estão se concretizando em tempo real.
José Luis Escrivá, governador do Banco da Espanha e membro do conselho diretor do BCE, disse ao Financial Times na quarta-feira que as tarifas impostas pelo presidente dos EUA,dent Trump, estavam causando um "choque negativo muito significativo na atividade econômica".
Em declarações feitas antes da reunião de política monetária do BCE em 17 de abril, Escrivá afirmou que o impacto total das elevadas tarifas recíprocas ainda não está claro, mas está sendo acompanhado de perto pelos bancos centrais em toda a Europa.
O governador do BDE afirma que o euro é uma alternativa ao dólar nas transações globais
Segundo Escrivá, as disputas comerciais entre a Europa e os EUA podem ter repercussões financeiras globais que podem afetar o status do dólar americano como moeda de reserva. Ele afirmou que esses acontecimentos representam um desafio para os mercados financeiros americanos, acrescentando que “agentes econômicos e autoridades em todo o mundo” estão agora reavaliando a relevância futura do dólar.
Segundo dados, o índice do dólar (DXY) caiu pela segunda sessão consecutiva na quarta-feira, recuando 0,65% para 102,29, ante 102,96 no pregão anterior.
O representante do BDE defendeu o euro como substituto do dólar americano em queda, alegando que a zona do euro possui uma economia mais estável, com governança fiscal sólida e estado de direito. Esses fatores, argumentou ele, poderiam tornar o euro uma alternativa cambial global maistrac.
Escrivá também revelou que o BCE irá rever a previsão de crescimento económico de Espanha para 2025, que atualmente se situa em 2,7%. Afirmou que as quedas nos mercados de ações globais desde o início de abril “testaram a resiliência do sistema financeiro a nível mundial,embora considerasse que os mercados continuavam a funcionar de forma “ordenada”.
“Por enquanto, o sistema é muito mais resiliente do que costumava ser”, concluiu Escrivá.
O BCE havia previsto anteriormente que uma guerra comercial declarada com os Estados Unidos poderia reduzir o crescimento do PIB da zona do euro em 0,5 ponto percentual no primeiro ano. Essa estimativa baseava-se em modelos que pressupunham uma escalada limitada e uma possível retaliação da UE.
No entanto, de acordo com quatro autoridades com conhecimento direto do assunto, as tarifas americanas estão se mostrando muito mais prejudiciais do que o BCE havia previsto inicialmente. Essas autoridades, falando à Reuters, disseram que discussões internas já começaram sobre a revisão dessas previsões para cima, anulando a expansão econômica de 1% esperada para a região neste ano.
Perspectivas de inflação afetadas pela incerteza
As projeções indicavam que os preços ao consumidor e a inflação subiriam caso a UE respondesse com tarifas retaliatórias, mas a realidade parece ser diferente. Analistas agora afirmam que, no curto prazo, a estagnação econômica provavelmente fará com que a inflação caia, em vez de subir.
Os preços da energia caíram, o euro está se fortalecendo e os rendimentos dos títulos corporativos estão subindo, fatores que contribuem para pressões desinflacionárias. Fontes internas do BCE também confirmaram que os mercados financeiros continuam funcionando e que os mecanismos de transmissão da política monetária estão intactos. Consequentemente, não há necessidade imediata de introduzir novas medidas de liquidez ou instrumentos de apoio ao crédito.
A Alemanha, conhecida por suas regras orçamentárias tradicionalmente rígidas, flexibilizou recentemente seus limites de endividamento para financiar o aumento dos gastos com defesa e infraestrutura. Ao mesmo tempo, a União Europeia está elaborando medidas mais abrangentes para facilitar o financiamento de despesas militares por meio de dívida.
Escrivá observou que qualquer impacto inflacionário decorrente da disputa comercial dependeria, em parte, da reação da UE, tanto em termos de política comercial quanto de expansão fiscal. Ele espera que as autoridades fiscais, e não os bancos centrais, assumam maior responsabilidade na gestão da resposta econômica da zona do euro a fatores externos.
Corte de juros esperado apesar de divergências internas
Diante do cenário de deterioração, os mercados financeiros já precificaram mais um corte na taxa de juros do BCE, previsto para ser anunciado em 17 de abril. Caso se concretize, será a sétima redução da taxa básica de juros pelo banco central desde junho, levando-a para 2,25%.
Muitos membros do Conselho do BCE manifestaram publicamente apoio a um novo corte nas taxas de juro, com exceção do austríaco Robert Holzmann. Odent do Bundesbank, Joachim Nagel, um membro linha-dura do Conselho do BCE que deverá opor-se aos cortes nas taxas de juro de empréstimo, insinuou, numa conferência de imprensa realizada na segunda-feira, que se encontrava alinhado com a maioria.
Nagel afirmou que o BCE "faria a sua parte" para reforçar a resiliência da zona euro, observando que a inflação estava, em geral, a tracde atingir a meta de médio prazo de 2% do BCE.
Autoridades do BCE também confirmaram que não houve discussão sobre a retomada do programa de compra de títulos do banco, conhecido como flexibilização quantitativa (QE). O banco central deixará expirar seus títulos de rodadas de estímulo anteriores para reduzir seu balanço patrimonial e retirar liquidez do sistema.
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Florença Muchai
Florence tem se dedicado à cobertura de notícias sobre criptomoedas, jogos, tecnologia e inteligência artificial nos últimos 6 anos. Seus estudos em Ciência da Computação pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Meru e em Gestão de Desastres e Diplomacia Internacional pela MMUST (Universidade de Ciência e Tecnologia de Meru) lhe proporcionaram ampla experiência em idiomas, observação e habilidades técnicas. Florence trabalhou no VAP Group e como editora para diversos veículos de mídia especializados em criptomoedas.
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