As perspectivas econômicas da China para 2025 parecem muito confusas

- O Banco Mundial elevou a previsão de crescimento do PIB da China para 4,5% em 2025, mas a fraca demanda interna e os problemas estruturais ainda pesam muito sobre a economia.
- O retorno de Trump à Casa Branca ameaça a China com tarifas mais altas, controles tecnológicos mais rígidos e tensões crescentes sobre Taiwan e o Mar da China Meridional.
- Mais de 38% da população da China pertence à classe média vulnerável, correndo o risco de recair na pobreza apesar de décadas de progresso.
A previsão econômica da China para 2025 é como olhar para uma planilha caótica repleta de contradições. O Banco Mundial elevou suas expectativas para o crescimento do PIB do país no próximo ano, aumentando-as em 0,4 ponto percentual, para 4,5%.
Isso soa bem no papel. Mas, analisando mais de perto, fica claro que o otimismo está por um fio. As promessas vindas de Pequim são ambiciosas, mas os resultados? Bem, não estão exatamente à altura das expectativas.
Para 2024, o Banco Mundial aumentou sua previsão de para 4,9%, um pouco abaixo da meta oficial da China de 5%. Nada mal, considerando que a economia cresceu 4,8% nos primeiros nove meses do ano.
No entanto, os problemas subjacentes — demanda interna fraca, pressão deflacionária e um mercado imobiliário fragilizado — representam um duro golpe de realidade. A equipe econômica de Pequim, liderada pelodent Xi Jinping, anunciou reformas e ajustes fiscais, mas os críticos argumentam que são apenas palavras e pouca ação.
Demanda fraca, grandes promessas e perguntas ainda maiores
As dificuldades econômicas da China têm origem em um colapso de três anos no mercado imobiliário, que dizimou a riqueza das famílias e deixou a demanda interna debilitada. A mudança de foco de Xi para a manufatura e a indústria de alta tecnologia também não contribuiu muito para inspirar confiança.
As exportações, o pilar que mantém a economia estável, podem sofrer um grande golpe com a iminente volta de Donald Trump ao cargo. Seu retorno ameaça impor à China de até 60%, o que abriria um rombo de US$ 570 bilhões no comércio bilateral.
O Banco Mundial alerta que os estímulos tradicionais não são suficientes para tirar a China dessa crise. Reformas mais profundas são necessárias em tudo, desde saúde e educação até o sistema previdenciário. Ah, e tem o sistema de registro hukou, um pesadelo burocrático que há muito tempo é um obstáculo à mobilidade econômica.
Segundo o Banco Mundial, “medidas convencionais não serão suficientes” para reativar o crescimento. Tradução: é hora de Pequim parar com as soluções paliativas e levar a questão a sério.
E depois há a classe média — ou o que restou dela. Um estudo recente do Banco Mundial sobre mobilidade econômica entre 2010 e 2021 pintou um quadro sombrio: mais de meio bilhão de pessoas correm o risco de sair da classe média. O relatório reconhece que a China tirou 800 milhões de pessoas da pobreza nos últimos 40 anos, uma conquista monumental.
Mas hoje, 38,2% da população está presa em uma “classe média” vulnerável, à beira de voltar à pobreza. São pessoas que ganham mais de US$ 6,85 por dia (usando a paridade do poder de compra de 2017), mas não o suficiente para se sentirem seguras.
O panorama é alarmante: 17% dos 1,4 bilhão de habitantes da China permanecem na pobreza, enquanto 32,1% são considerados de "classe média estável". Isso significa que a maioria ainda se encontra em situação de instabilidade financeira.
Geopolítica: Trump, tarifas e muita tensão
Como se os problemas internos não bastassem, Xi Jinping enfrenta uma tempestade geopolítica. O retorno de Trump à Casa Branca é o pior cenário que Pequim não desejava. Odent americano deixou claro que pretende intensificar as restrições aos produtos chineses e endurecer os controles de exportação de tecnologias avançadas, como semicondutores, inteligência artificial e computação quântica.
Da última vez que Trump impôs tarifas, a economia da China estava em melhor situação. Agora, com dívidas excessivas, deflação e um caos no mercado imobiliário, o país está muito mais vulnerável. E não se trata apenas de guerras comerciais. Os falcões dos EUA estão pressionando por uma postura mais dura em relação a Taiwan e ao Mar da China Meridional, aumentando os temores de um impasse que poderia rivalizar com a Crise dos Mísseis de Cuba.
Há também a questão das relações regionais de Pequim. Ao longo dos anos, o comportamento agressivo da China em águas disputadas e sua coerção econômica têm aproximado os países vizinhos dos EUA.
As políticas "América Primeiro" de Trump, incluindo potenciais tarifas sobre aliados do Leste Asiático, podem dar a Pequim uma oportunidade para reconstruir algumas relações. Mas isso exige concessões — algo que Xi não demonstrou muito interesse em fazer.
Rússia, Ucrânia e a incógnita: uma retomada das relações EUA-Rússia
A guerra na Ucrânia complica ainda mais as coisas. A frustração da Europa com o apoio percebido de Pequim à Rússia tensionou as relações, e o apelo de Trump para que a China desempenhe um papel no fim do conflito adiciona outra camada de complexidade.
Xi está entre a cruz e a espada: pressionar Vladimir Putin para fechar um acordo, arriscando a "amizade incondicional" entre os dois, ou alienar ainda mais a Europa. E ainda há a carta na manga que ninguém previu: uma possível reaproximação entre EUA e Rússia.
A ideia de Trump se aproximar de Moscou não é absurda e poderia ser desastrosa para Pequim. Tal mudança enfraqueceria a amizade de Xi com Putin, ao mesmo tempo que liberaria recursos dos EUA para intensificar sua rivalidade com a China.
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.
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