Autoridades chinesas alertam a BYD e suas concorrentes de veículos elétricos para que se "autorregulem" em meio à interminável guerra de preços

- Reguladores chineses convocam a BYD e as principais montadoras de veículos elétricos devido a guerras de preços insustentáveis e riscos na cadeia de suprimentos.
- As autoridades alertam contra a venda de veículos abaixo do custo, a contabilização de "quilometragem zero" e o não pagamento de contas a fornecedores.
- A BYD acelera sua expansão na África do Sul em meio ao escrutínio interno, com o objetivo de alcançar 35 concessionárias até o próximo ano.
Autoridades chinesas convocaram executivos das principais fabricantes de veículos elétricos (VE) do país, incluindo a líder do setor, BYD Co., para uma reunião a portas fechadas em Pequim nesta semana, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, citadas pela Bloomberg.
A intervenção envolveu, segundo relatos, três das agências reguladoras mais poderosas do país: o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, a Administração Estatal de Regulação do Mercado e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.
Segundo fontes, estiveram presentes altos representantes de mais de uma dezena de fabricantes de automóveis, incluindo o Zhejiang Geely Holding Group e a Xiaomi Corp.
As autoridades instruíram as montadoras a "autorregularem" suas estratégias de preços e alertaram contra a venda de veículos abaixo do custo ou a realização de "campanhas de desconto". A discussão abordou veículos com "quilometragem zero" e contas não pagas a fornecedores, que supostamente estão distorcendo as finanças da cadeia de suprimentos e funcionando como instrumentos de dívida de fato.
As autoridades buscam estabilidade de mercado em mercados competitivos
Segundo fontes, a liderança chinesa teme que os prolongados cortes de preços estejam levando algumas montadoras à falência. Embora a reunião não tenha resultado em nenhuma diretriz formal, o tom da conversa exalava "seriedade", disseram fontes internas.
Um porta-voz da Geely citou declarações recentes do presidente Li Shufu, nas quais ele afirmou que a empresa é “contra guerras de preços”. Além disso, em uma coletiva de imprensa na quinta-feira, o Ministério do Comércio reiterou que continuará trabalhando com outros departamentos para aprimorar a supervisão da indústria automobilística e criar um ambiente de concorrência justa.
No final do mês passado, a BYD reduziu os preços em até 34%, uma decisão que não foi bem recebida por grupos do setor e veículos de comunicação estatais.
Sem mencionar diretamente a BYD, a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis criticou duramente uma recente ação de preços de "uma certa empresa" por desencadear um "pânico de guerra de preços" e mergulhar a indústria no que descreveu como um "ciclo vicioso"
O grupo alertou que os descontos indiscriminados estavam prejudicando a rentabilidade em todo o setor e colocando em risco a segurança da cadeia de suprimentos.
Na sexta-feira, segundo dados, as ações da BYD caíram até 2,7%, enquanto as da Xiaomi recuaram 2,4%. As ações da Geely Automobile Holdings caíram 1,7% nas negociações em Hong Kong.
A mídia estatal critica as práticas de desconto
Veículos de comunicação estatais chineses, incluindo a Xinhua, o Diário do Povo e a CCTV, publicaram reportagens pedindo o fim dos descontos abusivos e solicitando que as montadoras se concentrem na qualidade e na estabilidade da indústria.
O Diário do Povo, principal jornal do Partido Comunista Chinês, argumentou que essas táticas de precificação poderiam levar a produtos de baixa qualidade e prejudicar a imagem internacional dos produtos "Made in China".
Segundo a consultoria contábil GMT Research, a dívida líquida real da BYD pode chegar a 323 bilhões de yuans (US$ 45 bilhões), um valor significativamente maior do que os 27,7 bilhões de yuans divulgados em seu balanço financeiro de meados de 2024. A empresa afirmou que essa diferença pode ter sido causada pela prática da BYD de atrasar pagamentos a fornecedores e por estratégias de financiamento questionáveis.
A BYD mira o mercado sul-africano
Para fugir do calor do mercado interno, a BYD planeja quase triplicar sua rede de concessionárias na África do Sul até o próximo ano, de acordo com um alto executivo da empresa.
Steve Chang, gerente geral da BYD Auto África do Sul, afirmou em entrevista na quarta-feira que a empresa aumentará o número de concessionárias de 13 para aproximadamente 30 a 35 até o final do próximo ano.
“Queremos educar e cultivar o mercado da África do Sul”, disse Reuters.
O mercado de veículos de nova energia (NEV) da África do Sul ainda está em seus estágios iniciais, mas está crescendo rapidamente. De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Automóveis da África do Sul (NAAMSA), as vendas de NEVs subiram para 15.611 unidades em 2024, ante 7.782 em 2023.
Chang espera que a BYD saia na frente da concorrência no mercado africano ao se estabelecer no continente em breve.
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Florença Muchai
Florence tem se dedicado à cobertura de notícias sobre criptomoedas, jogos, tecnologia e inteligência artificial nos últimos 6 anos. Seus estudos em Ciência da Computação pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Meru e em Gestão de Desastres e Diplomacia Internacional pela MMUST (Universidade de Ciência e Tecnologia de Meru) lhe proporcionaram ampla experiência em idiomas, observação e habilidades técnicas. Florence trabalhou no VAP Group e como editora para diversos veículos de mídia especializados em criptomoedas.
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