Segundo relatos, os líderes chineses ainda estão se esforçando para estabilizar a economia antes da posse de Donald Trump. A pressão é grande, e Pequim sabe disso.
Em meio a uma crise no mercado imobiliário, à queda livre do yuan e à fragilidade da confiança do consumidor, o governo está fazendo uma promessa atrás da outra para evitar que a economia do país afunde.
Os órgãos reguladores estão implementando planos para estabilizar os mercados imobiliário e de ações, intensificar as políticas fiscais e apagar os incêndios em seu sistema financeiro. A situação é crítica. Com as ameaças de guerra comercial de Trump no horizonte, Pequim está se esforçando ao máximo para controlar a narrativa — e os números.
O caos no mercado imobiliário coincide com as promessas ousadas do governo
O setor imobiliário está no epicentro da crise. Os preços dos imóveis despencaram, as vendas estão em queda livre e as economias das pessoas estão desaparecendo mais rápido do que se pode dizer "bolha imobiliária". Dong Jianguo, vice-ministro do Ministério da Habitação, anunciou planos para estimular a demanda e controlar a oferta de terrenos. Essa medida, segundo ele afirmou em uma conferência no fim de semana, poderia ajudar o setor a se recuperar, mas ninguém está apostando tudo nisso ainda.
Enquanto isso, o Ministério das Finanças está intensificando os esforços com promessas de políticas fiscais “sustentadas e eficazes” para o próximo ano. Estão se preparando para emitir mais títulos da dívida pública local e expandir as áreas onde esses recursos podem ser investidos. Essencialmente, Pequim está injetando dinheiro na economia na esperança de que o efeito seja duradouro.
Mas nem todos estão convencidos de que isso seja suficiente. A Conferência Central de Trabalho Econômico — uma reunião de altos funcionários liderada pelodent Xi Jinping — prometeu aumentar a meta de defifiscal para 2025 e concentrar-se em impulsionar a demanda interna. Eles tornaram o consumo uma prioridade máxima pela primeira vez em uma década. Parece ambicioso, mas o tempo está se esgotando e os resultados precisam aparecer ontem.
Desaceleração do crédito e roleta da política monetária
Se a crise imobiliária na China já não fosse ruim o suficiente, os números da expansão do crédito deram um tapa na cara dos formuladores de políticas. Em novembro, o crescimento do crédito atingiu seu nível mais baixo para o mês desde 2009. Os empréstimos para a economia real, que exclui instituições financeiras, secaram, apesar do aumento na emissão de títulos do governo. O resultado? Uma combinação brutal de crédito fraco e frágil confiança econômica.
Wang Xin, diretor do departamento de pesquisa do Banco Popular da China (PBOC), afirma que o banco central planeja reduzir as taxas de juros e o índice de compulsório no próximo ano. A ideia é inundar o sistema com liquidez e facilitar o crédito para as empresas.
Wang também mencionou a flexibilização das condições de financiamento para a economia real, o que poderia significar crédito mais barato para fabricantes e empreendedores que lutam para se manter à tona.
Mas não é só isso. O Politburo comprometeu-se recentemente com uma política monetária "moderadamente frouxa" para 2025, sinalizando mais cortes nas taxas de juros e maior facilidade de acesso ao crédito. Resta saber se essas medidas serão suficientes para dissipar a pressão deflacionária.
Yuan enfrenta dificuldades devido aos temores de uma guerra comercial
O yuan está em queda livre, e Pequim sabe que isso é um problema. A moeda vem se desvalorizando desde meados de outubro e, na semana passada, sofreu mais um baque após relatos de que as autoridades poderiam permitir uma maior depreciação. A potencial guerra comercial com Washington não ajuda, já que os temores de tarifas e sanções pesam bastante sobre os mercados cambiais.
Zou Lan, chefe do departamento de política monetária do Banco Popular da China (PBOC), afirma que o banco central está redobrando seus esforços para gerenciar as expectativas da taxa de câmbio. "Responderemos vigorosamente a choques externos", disse ele em entrevista, acrescentando que o PBOC evitará "riscos de sobrevalorização" da taxa de câmbio. Parece bom na teoria, mas os mercados não estão exatamente tranquilos.
Para sustentar o yuan, o Banco Popular da China (PBOC) e a Administração Estatal de Câmbio (SAFC) aumentaram o parâmetro de ajustedentpara financiamentos transfronteiriços. Tradução: empresas e bancos agora podem contrair mais empréstimos externos, o que pode ajudar a estabilizar a moeda.
O governador do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, afirmou: "Temos a confiança, as condições e a capacidade de manter um mercado cambial estável."
As exportações disparam enquanto a economia doméstica afunda
Eis o paradoxo: a economia doméstica da China está em situação precária, mas suas exportações estão em alta. No ano passado, o país acumulou um superávit comercial de US$ 1 trilhão. As exportações totalizaram US$ 3,58 trilhões, enquanto as importações mal chegaram a US$ 2,59 trilhões. As fábricas estão produzindo mercadorias em ritmo acelerado, de painéis solares a veículos elétricos, mantendo intacta a dominância da China no comércio global.
Mas o panorama interno não é tão otimista. A classe média está restringindo os gastos devido à perda de empregos, à crise do mercado imobiliário e à diminuição das reservas financeiras. Mesmo com o apoio do governo, o consumo permanece fraco e a deflação é uma ameaça constante.
Apesar desses problemas, o governo não está desistindo. Medidas para reativar a produção industrial e aumentar a confiança do consumidor estão em andamento, mas não estão produzindo resultados rápidos.
Enquanto o mercado de títulos registrou uma alta recorde na semana passada, o mercado de ações não acompanhou o ritmo. Os rendimentos dos títulos do governo chinês com vencimento em 10 anos caíram para a mínima histórica de 1,77%,tracum fluxo intenso de recursos para o setor. Os rendimentos dos títulos de longo prazo também caíram acentuadamente, refletindo a cautela dos investidores.
Por outro lado, o índice CSI 300 das ações chinesas teve seu pior dia em três semanas, caindo 2,4%. O contraste entre os mercados de ações e de títulos evidencia a divisão atual no sentimento dos investidores.

