Cidadãos americanos demonstraram preocupação com a indústria de inteligência artificial (IA), citando diversos motivos. Essas preocupações surgiram em resposta à consulta pública sobre o Plano de Ação para IA proposto por Donald Trump. Mais de 10.000 americanos enviaram seus comentários sobre o plano.
Em fevereiro, a Casa Branca solicitou a opinião pública sobre seu Plano de Ação para Inteligência Artificial, um plano que foi usado para substituir a estrutura implementada pelo ex-dent dos Estados Unidos, Joe Biden.
Segundo os últimos relatórios, o Gabinete de Políticas de Ciência e Tecnologia da Casa Branca (OSTP) publicou as propostas recebidas, que incluíram contribuições de startups, inovadores, acadêmicos e líderes de mercado no setor de IA, incluindo OpenAI, Meta e Anthropic.
Americanos revelam suas principais preocupações em relação à inteligência artificial.
Segundo relatos, as manifestações incluem receios quanto ao uso da tecnologia para fins ilegais, a ameaça do Oriente, a violação de direitos autorais e como as tarifas de Donald Trump prejudicarão o setor. Ao comentar as respostas, o diretor do OSTP, Michael Kratsios, disse:
“Os Estados Unidos são, e devem continuar sendo, líderes globais em tecnologia de IA. O grande volume de comentários públicos que recebemos reflete o profundo interesse que os americanos têm no futuro da IA.”
Embora a gama de preocupações e recomendações tenha variado, alguns aspectos foram considerados mais importantes do que outros. Um ótimo exemplo é a violação de direitos autorais e o roubo de propriedade intelectual, uma área que tem levado empresas de IA e o público em geral a se confrontarem.
Este último grupo defende que as empresas deveriam ser obrigadas a compensar os proprietários dos dados e os criadores (como comprovam os inúmeros processos judiciais), enquanto as empresas acreditam que os reguladores deveriam poder protegê-las em termos de acesso aos dados.
As respostas revelaram as visões contrastantes entre as duas partes, com o público em geral, organizações sem fins lucrativos e ativistas de direitos humanos apelando ao governo para que implemente regras mais rigorosas de proteção de direitos autorais e sanções contra empresas de IA que violem a lei.
Eles também instaram o governo a tornar obrigatória a compensação quando dados pertencentes a criadores forem usados para treinar modelos de IA. Acreditam que, dessa forma, o governo estará protegendo os criadores e, ao mesmo tempo, criando um arcabouço regulatório para empresas de IA.
Empresas de IA querem que seus modelos aprendam com materiais protegidos por direitos autorais.
Segundo relatos, as empresas de IA não compartilharam da mesma opinião. A OpenAI destacou que o governo americano deveria poder "preservar a capacidade dos modelos de IA americanos de aprender com material protegido por direitos autorais". A empresa também discutiu as leis europeias de proteção de dados, que, segundo ela, são imprevisíveis e dificultam a inovação, especialmente para startups menores e mais recentes com orçamentos reduzidos. A OpenAI ressalta que os Estados Unidos não devem seguir o mesmo caminho.
Essa visão foi compartilhada por diversas outras empresas de IA, incluindo Amazon, Meta, Microsoft, Google e a empresa francesa Mistral AI. Os investidores da empresa também alertaram o governo contra a limitação do acesso dos modelos de IA aos dados.
“Uma interpretação agressiva da lei de direitos autorais coloca os desenvolvedores dos EUA em uma desvantagem significativa em relação aos de países com visões diferentes sobre a proteção da propriedade intelectual”, afirmou a Andreessen Horowitz.
O investidor de capital de risco quer que o governo dos Estados Unidos lembre os americanos de que as leis de propriedade intelectual existentes "protegem a capacidade dos desenvolvedores de treinar modelos, mesmo usando obras protegidas por direitos autorais". Embora o público e as empresas de IA estivessem divididos em outros aspectos, eles estavam unidos em sua visão sobre a China. O público estava preocupado com o desafio da China ao domínio americano no setor, com a startup chinesa de IA DeepSeek sendo usada como exemplo nesse sentido.
Segundo a OpenAI, a China utiliza um modelo de liderança "autoritário" que permite ao país disponibilizar recursos em tempo hábil, observando que os Estados Unidos precisam responder da mesma forma ou ficarão para trás.
O Google soou o alarme sobre o crescente número de patentes na China, que registrou o maior aumento global no ano passado. Outras empresas, incluindo a Anthropic, demonstraram preocupação com a segurança nacional, instando o governo a investigar os modelos de IA divulgados na internet para avaliar seu nível de ameaça.

