As ações do Google, da Alphabet, despencaram 5% após a previsão de investimentos de capital para 2026 ficar entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões, e os anúncios do YouTube ficarem abaixo das estimativas

- As ações da Alphabet caíram 5% após a empresa prever um investimento de capital entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em 2026, mais que o dobro dos gastos de 2025.
- A receita publicitária do YouTube ficou abaixo das expectativas, em US$ 11,38 bilhões, com crescimento desacelerando para 9% em relação ao ano anterior.
- Os resultados do quarto trimestre superaram as estimativas, com lucro por ação de US$ 2,82 sobre uma receita de US$ 113,83 bilhões, e a receita da área de nuvem cresceu 48%.
As ações da Alphabet caíram 5% na manhã de quinta-feira, mesmo após a empresa divulgar resultados do quarto trimestre melhores do que o esperado. A queda ocorreu depois que a empresa anunciou uma previsão de investimentos massivos para 2026, variando entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões, mais que o dobro dos gastos de 2025. Além disso, a receita com anúncios do YouTube ficou abaixo das estimativas, assustando ainda mais os investidores.
No quarto trimestre, a Alphabet divulgou lucro por ação de US$ 2,82 e receita de US$ 113,83 bilhões, superando as estimativas dos analistas de US$ 2,63 e US$ 111,43 bilhões, respectivamente.
Métricas como a receita do Google Cloud e os custos de aquisição de tráfego tambémtronas expectativas. No entanto, os anúncios do YouTube arrecadaram apenas US$ 11,38 bilhões, valor abaixo das previsões. O analista da UBS, Stephen Ju, afirmou que a queda se deveu "em parte a alguns problemas com a marca"
Mark Shmulik, da Bernstein, acrescentou que os anúncios do YouTube cresceram apenas 9% em relação ao ano anterior, e as assinaturas, plataformas e dispositivos aumentaram apenas 17%, ambos considerados fracos neste cenário.
Analistas reagem ao resultado abaixo do esperado da campanha publicitária do YouTube e aos planos de investimento massivo em IA
Apesar dos números expressivostron, todas as atenções estavam voltadas para os planos de investimento da Alphabet. A diretora financeira, Anat Ashkenazi, disse aos analistas durante a teleconferência de resultados que o investimento de capital em 2026 teria como alvo a infraestrutura de computação de IA para o Google DeepMind, bem como a demanda de clientes de nuvem e investimentos estratégicos em outras áreas.
enjBlack, do Deutsche Bank, afirmou que o grande investimento de capital representa uma potencial vantagem a longo prazo: "A infraestrutura resultante cria uma vantagem competitiva significativa que poucos (ou ninguém) conseguem replicar."
Doug Anmuth, do JPMorgan, destacou que a Gemini agora conta com 750 milhões de usuários ativos mensais e que a receita da Cloud cresceu 48%, com a carteira de pedidos aumentando 55% em relação ao trimestre anterior, atingindo US$ 240 bilhões. Ele acrescentou que a receita de Busca também subiu 17%, demonstrando como a IA está impulsionando o uso.
Ainda assim, os investidores ficaram apreensivos com o tamanho do investimento. Shmulik, da Bernstein, disse: "Há uma semana, essa emissão já teria sido comprada, mas estamos em fevereiro e parece que nenhuma superação das expectativas de receita é suficiente."
O UBS alertou que a oferta restrita de poder computacional pode limitar o crescimento no curto prazo, mesmo com os investimentos. A empresa observou que a previsão de despesas de capital foi US$ 55 bilhões maior do que o esperado, elevando os custos totais entre US$ 16 bilhões e US$ 24 bilhões e aumentando o lucro por ação (EPS) de 2027 em apenas 1%.
Empresas de Wall Street ajustam metas e classificações para a Alphabet
Wall Street não se tornou pessimista, mas também não comemorou. O Morgan Stanley manteve a recomendação de compra com preço-alvo de US$ 330, considerando os investimentos da Alphabet mais um exemplo de "grandes players se distanciando do grupo"
A Bernstein elevou sua meta de preço para US$ 345, alertando que alguns investidores agora acreditam que a Alphabet está gastando demais. O UBS manteve sua recomendação neutra, com preço-alvo de US$ 348, afirmando que a avaliação da Alphabet já está esticada e que essa onda de gastos pode não empolgar ninguém.
O Barclays elevou sua meta para US$ 360, destacando o crescimento de 48% na nuvem e as margenstronna busca. Afirmou que os custos do DeepMind estavam disparando, acompanhando o aumento dos investimentos. O Bank of America estabeleceu um preço de US$ 370, alegando que a IA impulsionará a monetização da busca e que o Gemini, juntamente com as TPUs da nuvem, são ferramentas poderosas. Ambos apontaram eventos futuros, como o lançamento dos anúncios do Gemini e a conferência Cloud Next em 22 de abril, como catalisadores importantes.
O Deutsche Bank elevou sua meta para US$ 390, classificando o trimestre como positivo, com receita 18% maior em relação ao ano anterior, atingindo US$ 114 bilhões. O Citi concordou, elevando também sua meta para US$ 390, reconhecendo o impacto no fluxo cash livre, mas justificando o investimento com base na demanda por inteligência artificial.
O JPMorgan elevou sua meta para US$ 395, afirmando que os retornos estão aparecendo em Gemini, Cloud e Search, e que a Alphabet possui uma carteira de pedidos enorme para vários anos. Por fim, o Goldman Sachs elevou sua meta para US$ 400, dizendo que a empresa ainda apresenta fortestronoperacionais, mesmo com custos elevados.
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