Durante anos, a indústria de carros autônomos foi alardeada como a próxima grande novidade em IA, com promessas de robôs-táxi substituindo motoristas humanos e bilhões de dólares sendo investidos em empresas que juravam que a tecnologia estava pronta para entrar em ação.
A General Motors (GM) estava supostamente no centro de tudo. Com a Cruise, sua divisão de veículos autônomos (VA), a GM afirmava estar liderando a transição para um futuro sem motoristas. Mas, em dezembro, a CEO Mary Barra deu uma notícia devastadora: a Cruise iria encerrar suas atividades.
A GM incorporou as operações da Cruise à sua divisão mais ampla de desenvolvimento de software, chamando isso de "realinhamento". A verdadeira mensagem? Suas ambições com os robotáxis estavam por um fio. Barra apresentou a situação como uma medida voltada para o futuro, alegando que isso "aceleraria o caminho a seguir"
O curso intensivo de fracasso de Cruise
A Cruise foi uma aposta ousada no futuro. Barra havia promovido os robotáxis da empresa como revolucionários iminentes. Na conferência South by Southwest de 2023, ela declarou: “Chegamos. Está acontecendo agora.”
A GM projetou um aumento de US$ 50 bilhões na receita anual proveniente de robotáxis até 2030, dobrando seu lucro atual de US$ 50 bilhões. Parecia revolucionário. Mas, como se viu, os números eram mais fantasia do que realidade.
Em seu auge, a divisão operava algumas centenas de veículos, todos monitorados por milhares de funcionários trabalhando remotamente. Esses carros não conseguiam trafegar em rodovias ou vias urbanas complexas e causavam congestionamentos e problemas de segurança repetidamente.
Em umdent, um veículo da Cruise interferiu no trabalho dos socorristas. Em outro, um carro parou no meio da viagem em São Francisco, bloqueando o trânsito por horas.
E então ocorreu o acidente que selou seu destino. No final de 2023, um carro operado pela Cruise atropelou uma pedestre que havia sido atingida por outro veículo. O carro autônomo freou, mas arrastou a mulher por seis metros antes de parar.
Ela sobreviveu, mas foi hospitalizada com ferimentos graves. Cruise fez um acordo extrajudicial no valor de US$ 10 milhões e pagou multas por omitir detalhes sobre odent. Quando a GM encerrou o caso, Cruise era um pesadelo de relações públicas e um buraco financeiro.
Mas a Cruise não foi a única a enfrentar dificuldades. A Waymo, subsidiária de carros autônomos da Alphabet, também enfrentou problemas semelhantes. Os carros da Waymo têm velocidade máxima limitada a 72 quilômetros por hora e ainda exigem supervisão humana.
Em umdentconstrangedor, um robotáxi da Waymo em Los Angeles ficou circulando indefinidamente em um estacionamento até que um operador humano interveio. A Alphabet não divulga os prejuízos da Waymo, mas sua divisão de "outras apostas", que inclui a Waymo, já consumiu US$ 37 bilhões desde 2016.
Bilhões jogados no lixo, e nenhum futuro sem motoristas à vista
Apesar de anos de testes e mais de 100 bilhões de dólares investidos em todo o setor, essas empresas não resolveram desafios críticos. Os chamados casos extremos são um excelente exemplo disso.
Os veículos autônomos têm dificuldades para lidar com situações como mau tempo ou instruções de equipes de emergência — cenários que motoristas humanos enfrentam diariamente. As primeiras demonstrações, em meados dos anos 2000, sugeriram que esses problemas estavam quase resolvidos. Mas, duas décadas depois, a tecnologia ainda não está pronta.
O setor de IA em geral enfrenta problemas semelhantes, especialmente com a corrida das empresas para desenvolver grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT da OpenAI. Esses sistemas, assim como veículos autônomos, são propensos a erros que exigem supervisão humana.
No mundo dos carros autônomos, existe a "frenagem fantasma", onde os veículos param inesperadamente. Os chatbots têm sua versão disso: as "alucinações". Trata-se de fatos inventados ou mentiras descaradas geradas pela inteligência artificial. Ambos os problemas evidenciam a mesma questão: essas tecnologias não são tão inteligentes — ou confiáveis — quanto se diz.
Assim como na indústria de veículos autônomos, o cenário financeiro não é nada animador para os chatbots de IA. A OpenAI, a empresa de IA mais renomada, é avaliada em US$ 160 bilhões, mas acumula prejuízos bilionários anualmente.
Os paralelos não param por aí. Os carros autônomos foram vendidos como ferramentas para substituir motoristas humanos, e os chatbots visam substituir agentes de atendimento ao cliente, jornalistas e outros profissionais. Ambos os setores dependem de IA que ainda não é capaz de substituir completamente os humanos, tornando seus modelos de negócios, no mínimo, instáveis.
O elemento humano continua sendo insubstituível
Um dos problemas mais evidentes dos carros autônomos é a sua incapacidade de lidar com situações do mundo real que os humanos enfrentam sem esforço. O acidente em São Francisco envolvendo um veículo da Cruise é um excelente exemplo disso.
Após atropelar um pedestre, o carro não agiu como um motorista humano agiria — parando imediatamente para avaliar a situação. Essa incapacidade de replicar o julgamento humano tem implicações mais amplas. Ela demonstra o quanto a IA ainda precisa evoluir, não apenas na direção, mas em qualquer aplicação onde a tomada de decisões em tempo real seja crucial.
Os chatbots com inteligência artificial, por exemplo, têm dificuldades com nuances e contexto, muitas vezes produzindo respostas sem sentido ou até mesmo prejudiciais. Os personagens de IA de Mark Zuckerberg, criados para manter os usuários engajados em suas plataformas de mídia social, são outro exemplo.
Essas personalidades virtuais podem ser divertidas, mas não substituem a interação humana real. Em vez disso, elas levam os usuários a ambientes cada vez mais artificiais, levantando questões sobre os efeitos a longo prazo da IA na sociedade.
O fracasso dos carros autônomos deve servir de alerta para os investidores em IA. A tecnologia, embora impressionante em ambientes controlados, falha no mundo real.

