A inteligência artificial e a automação estão cada vez mais presentes em um cenário tecnológico em rápida transformação; portanto, os profissionais de saúde mental enfrentam novos desafios ao se adaptarem a essa nova realidade. A crescente utilização de terapias mediadas por dispositivos digitais preocupa os profissionais que buscam aprimorar seus métodos de psicoterapia individual.
Perturbação da IA no campo da saúde mental
Prevê-se que o mercado global de IA cresça exponencialmente, podendo atingir US$ 1,037 trilhão até 2030. Os avanços na IA, impulsionados pelo seu desenvolvimento, abriram caminho para que aplicativos de saúde mental permitam interações ou conversas em tempo real com terapeutas virtuais. Esses aplicativos, como Wysa e Youper, estão disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, são baratos e rápidos, tornando-os acessíveis a qualquer pessoa que deseje alcançar um bom estado de saúde mental.
Embora esses aplicativos sejam questionáveis para o propósito de oferecer ajuda, sua capacidade de compreender e lidar com sentimentos humanos muito complexos parece inatingível. Da mesma forma, a ausência de regulamentação no setor de aplicativos de saúde mental coloca em dúvida a qualidade do atendimento que esses aplicativos oferecem. Terapia online: com que frequência você se depara com essa pergunta? Alguns podem considerar a terapia online, dada a sua conveniência e facilidade de acesso.
Enquanto todas essas mudanças ocorrem em paralelo ao processo contínuo de adaptação dos terapeutas tradicionais às novas demandas de tratamento, muitos terapeutas agora oferecem a opção de consultas virtuais, o que permite aos clientes fazer terapia em casa pela internet. Essa adaptação se acelerou com a pandemia do coronavírus e continua mesmo após o fim das medidas de isolamento.
Conexão humana versus terapia com chatbot
Como a terapia baseada em IA carece de uma relação humana real, será necessário inserir emoções para proporcionar uma sensação de conexão entre o ser humano e a máquina. A terapia é um processo harmonioso, e o vínculo entre terapeuta e cliente é crucial para a cura. Os chatbots podem simular conversas, mas é impossível conversar com eles como conversamos com um ser humano, pois não possuem a empatia e a compreensão que fundamentam a interação humana.
As pessoas geralmente se sentem mais satisfeitas quando alguém reconhece e compreende sua situação, o que pode ser difícil de alcançar com chatbots. Através da terapia, o processo vai muito além de simplesmente "conversar"; ao combinar conexão humana e empatia, torna-se possível alcançar esse objetivo. O objetivo secundário da terapia é capacitar os indivíduos a interagirem com o mundo ao seu redor e a construírem relacionamentos, o que pode ser difícil quando se trata de terapia com chatbots.
O futuro da terapia
Os aplicativos baseados em IA, mesmo com funcionalidades robustas, ainda não conseguem substituir completamente a qualidade e a profundidade do cuidado humano oferecido pelas abordagens terapêuticas tradicionais. Contudo, os profissionais clínicos não devem rejeitar os efeitos totalmente positivos da implementação da tecnologia em sua prática. Em vez de temer a tecnologia como uma ferramenta para se distanciar da interação humana, devem considerá-la um instrumento para aprimorar, e não substituir, o envolvimento humano.
Os profissionais de saúde mental devem estar sempre atentos ao impacto da IA em sua área de atuação e ter em mente que, embora a IA aumente a qualidade do serviço, ainda existem áreas da saúde mental em que o toque humano é essencial. À medida que a tecnologia avança e se torna mais sofisticada, torna-se crucial encontrar o equilíbrio entre a inovação e os princípios básicos da terapia.

