Os apoiadores do Estado Islâmico, enfrentando significativas derrotas militares, estão cada vez mais utilizando inteligência artificial (IA) para gerar propaganda online sofisticada. Especialistas relatam que os apoiadores do EI conseguiram produzir propaganda elaborada, como boletins de notícias criados por IA em diferentes idiomas, utilizando essa tecnologia.
Leia também: Bots que utilizam IA inundam as redes sociais com desinformação.
Um exemplo disso foi o Estado Islâmico Khorasan (ISKP), um braço do Estado Islâmico ativo no Afeganistão e no Paquistão. Após um ataque reivindicado pelo Estado Islâmico na província de Bamiyan, em 17 de maio, que matou quatro pessoas, incluindo três turistas espanhóis, o ISKP divulgou um vídeo com uma apresentadora de notícias criada por inteligência artificial. A apresentadora, falando pashto, parecia ser uma moradora local e narrava o ataque, demonstrando o uso de inteligência artificial pelo grupo para tornar o conteúdo mais verossímil.
Afiliadas da IS implantam âncoras de notícias geradas por IA
Outro vídeo produzido por IA foi divulgado, com um apresentador virtual afirmando que o Estado Islâmico estava por trás de um ataque com carro-bomba em Kandahar, no Afeganistão. O especialista em cibersegurança Roland Abi Najem destacou a eficácia desses vídeos deepfake gerados por IA, acrescentando que o Estado Islâmico utiliza produções com qualidade de Hollywood há anos.
"A IA agora possui ferramentas fáceis de usar para criar conteúdo falso, seja texto, foto, áudio ou vídeo; você só precisa de dados, algoritmos e poder computacional, então qualquer pessoa pode criar conteúdo gerado por IA em suas casas ou garagens."
Roland Abi Najem
O uso de IA pelo Estado Islâmico para fins de propaganda teve início oficialmente poucos dias após o terrível atentado terrorista em Moscou, em 22 de março, que deixou 145 mortos. Especialistas apontaram que, pela primeira vez, uma apresentadora de notícias feita por IA foi utilizada para noticiar o ataque e que o grupo recorreu à disseminação de notícias falsas por meio de IA.
Expansão da influência extremista por meio de conteúdo de IA
Mona Thakkar, pesquisadora do Centro Internacional para o Estudo do Extremismo Violento, afirmou que os apoiadores do Estado Islâmico utilizam técnicas de criação de personagens.
“Esses esforços receberam respostas positivas de outros usuários, refletindo que, por meio de futuros esforços colaborativos, muitos apoiadores poderiam produzir vídeos de propaganda sofisticados e de alta qualidade, impulsionados por IA, para o Estado Islâmico, com maior duração, melhores gráficos e técnicas mais inovadoras.”
Leia também: Qual é a batalha entre notícias falsas e inteligência artificial nas eleições de 2024?
Thakkar também observou que membros que promovem o Estado Islâmico no Telegram incentivam o uso de bots geradores de imagens com IA, pois estes produzem imagens de alta qualidade para o canal, uma vez que são eficazes e fáceis de usar. Essa prática indica o uso crescente da IA como ferramenta para aumentar a eficácia e a coesão do extremismo.
A IA possibilita operações de influência e recrutamento
Embora o grupo tenha perdido terreno considerável na Síria e no Iraque, ele ainda utiliza inteligência artificial para disseminar sua mensagem de ódio e apresentar uma fachada de força. Como afirmou Najem, com a ajuda da IA, o Estado Islâmico pode criar vídeos deepfake para influenciar celebridades e influenciadores específicos, principalmente jovens, a se juntarem à organização.
Leia também: Inteligência artificial revoluciona os esforços de combate à lavagem de dinheiro e ao terrorismo.
O pesquisador da Rede Global sobre Extremismo e Tecnologia, Daniel Siegel, explicou que a inteligência artificial mudou a natureza das operações de influência online de grupos extremistas.
“A utilização estratégica de deepfakes extremistas com canções religiosas, apresentando personagens animados e personalidades da internet, representa uma evolução sofisticada nas táticas usadas por extremistas para ampliar o alcance de seu conteúdo.”
Siegel também afirmou que outras organizações terroristas, como a Al-Qaeda e o Hamas, também recorreram à IA para produzir conteúdo para seus seguidores. Embora essas organizações radicais usem IA para criar conteúdo profissional, traduzido e convincente, as autoridades e as gigantes da tecnologia precisam encontrar maneiras de combater essas ameaças.
Reportagem Cryptopolitan Brenda Kanana

