A Zoho Corporation desistiu de seus planos de fabricação de semicondutores na Índia, avaliados em US$ 700 milhões, apenas um dia depois de o Grupo Adani ter cancelado seu empreendimento de semicondutores de US$ 10 bilhões.
As intenções da Índia de estabelecer uma indústria global de fabricação de semicondutores sofreram reveses significativos, com a paralisação de dois grandes projetos em um intervalo de poucos dias.
Zoho suspende seu projeto de US$ 700 milhões
A Zoho Corporation, uma importante empresa indiana de software, suspendeu seus planos de investir US$ 700 milhões na fabricação de semicondutores na Índia.
A iniciativa de US$ 700 milhões incluía planos para investir US$ 400 milhões na construção de uma fábrica em Karnataka, no sul da Índia. Esperava-se que a fábrica criasse 460 empregos e seria o primeiro projeto desse tipo no estado.
A Zoho formou um conselho para supervisionar o projeto e fez as contratações iniciais sob a responsabilidade da Silectric Semiconductor Manufacturing, mas a empresa teve dificuldades para encontrar um parceiro tecnológico adequado para supervisionar o complexo processo de fabricação de chips.
O cofundador da Zoho, Sridhar Vembu, confirmou a suspensão do projeto em uma publicação nas redes sociais. Ele afirmou que a empresa não tinha confiança no caminho tecnológico e na natureza intensiva em capital do negócio, já que precisaria de apoio governamental.
Em uma publicação nas redes sociais, Vembu afirmou: "Não tínhamos essa confiança na tecnologia". O executivo também enfatizou a necessidade de total confiança nos métodos utilizados antes de empregar dinheiro público.
“Como este negócio exige um investimento de capital tão elevado que necessita de apoio governamental, queríamos ter absoluta certeza do caminho tecnológico antes de aceitarmos dinheiro dos contribuintes”, afirmou .
A indústria de semicondutores da Índia sofre golpes consecutivos
Antes da Zoho Corporation suspender seu projeto, o Grupo Adani suspendeu seu projeto de semicondutores de US$ 10 bilhões em colaboração com a empresa israelense Tower Semiconductor.
O estado de Maharashtra aprovou o projeto que visava produzir 80.000 wafers semicondutores por mês e criar 5.000 empregos. No entanto, após algumas avaliações internas na empresa, surgiram incertezas quanto à demanda local por semicondutores e preocupações com o limitado compromisso financeiro da Tower, de Israel.
O Grupo Adani esperava um investimento mais substancial de seu parceiro e, após a decepção, decidiu interromper as negociações. É possível que as conversas sejam retomadas no futuro.
A desistência tanto da Zoho quanto do Grupo Adani de seus projetos representa um revés significativo para os esforços do primeiro-ministro Narendra Modi de posicionar a Índia como um pilar da indústria global de fabricação de chips.
Atualmente, a Índia não possui uma fábrica de semicondutores em operação, e tentativas anteriores de desenvolver tal instalação, como a joint venture Vedanta-Foxconn de US$ 19,5 bilhões, fracassaram.
Os projetos de semicondutores de empresas como a Tata e a Micron ainda estão em andamento, mas os recentes contratempos enfrentados pela já fragilizada indústria de semicondutores na Índia destacam os desafios de se construir uma indústria nacional de fabricação de chips.
A UBS estima que a Índia represente apenas 6,5% da demanda global de semicondutores, em comparação com 54% dos EUA e da China.

