A aquisição do Twitter por Elon Musk, que ele renomeou como X, transformou-se em um pesadelo financeiro que ninguém previu — bem, talvez alguns tenham previsto, mas os bancos envolvidos certamente não queriam acreditar.
Os 13 bilhões de dólares que Elon Musk tomou emprestado para financiar essa aventura ousada fizeram deste um dos piores negócios em financiamento de fusões e aquisições desde a crise financeira de 2008.
Esses bancos — Morgan Stanley, Bank of America, Barclays e outros — aproveitaram a oportunidade de trabalhar com o homem mais rico do mundo, provavelmente pensando que seria fácil. Mas, em vez de cashrapidamente repassando a dívida aos investidores, acabaram ficando com o prejuízo.
A dívida está "presa", como se diz no setor, ou seja, está acumulada nos balanços, ocupando espaço e prejudicando os lucros. Seria de se esperar que eles conseguissem encontrar alguém disposto a assumir a dívida, mas o fraco desempenho financeiro da empresa X tornou isso impossível.
O desastre dos empréstimos que não desaparece
Os empréstimos que Elon usou para comprar o Twitter perderam valor rapidamente logo após a conclusão do negócio de US$ 44 bilhões. Os bancos deveriam se livrar dessa dívida rapidamente e lucrar com as taxas.
Vale mencionar que até o próprio Elon Musk admitiu que o negócio estava supervalorizado. Mas os bancos estavam tão deslumbrados com a oportunidade de trabalhar com ele que não desistiram. Elon e seus investidores investiram cerca de US$ 30 bilhões na compra do Twitter, dando aos bancos uma margem de segurança caso as coisas não dessem certo.
Aviso de spoiler: as coisas desandaram rapidamente.
Quase dois anos após a ascensão de Elon Musk ao poder, a X ainda enfrenta sérios problemas financeiros. A própria empresa afirmou no ano passado que seu valor de mercado havia caído para menos da metade, chegando a cerca de US$ 19 bilhões.
É verdade que houve um aumento no uso do aplicativo, provavelmente porque as pessoas não conseguem desviar o olhar do desastre, mas isso não se traduziu em dinheiro. A receita publicitária, que já estava em dificuldades antes da entrada de Elon Musk, não está se recuperando.
E o cara não ajudou em nada. Ele passou de mandar os anunciantes que abandonaram a plataforma "se foderem" para processá-los diretamente, juntamente com uma associação comercial, acusando-os de conspiração ilegal para boicotar a X. O grupo, como era de se esperar, planeja contestar essas acusações na justiça.
Enquanto isso, a saúde financeira da X está por um fio. Mesmo antes das taxas de juros pararem de subir, Elon Musk afirmou que a X tinha uma obrigação de pagar cerca de US$ 1,5 bilhão em juros anuais.
Os bancos tentaram resolver a situação no início deste ano. Eles discutiram um plano no qual Elon Musk amortizaria parte da dívida da X, e os bancos reduziriam os juros.
Mas, surpresa, surpresa, esse plano não deu em nada. Agora os bancos estão num impasse. Eles não querem irritar Elon Musk porque esperam lucrar com a abertura de capital da SpaceX ou da Starlink.

