Wall Street fechou em alta na terça-feira, e esse ganho se estendeu diretamente para a Ásia na manhã de quarta-feira. O S&P 500 subiu 0,16%, fechando em 5.776,65, ampliando a alta de segunda-feira.
O índice Nasdaq Composite subiu 0,46%, fechando em 18.271,86 pontos, enquanto o Dow Jones Industrial Average avançou apenas 4,18 pontos, encerrando em 42.587,50. A alta ocorreu em meio às apostas dos investidores de que as novas tarifas de Donald Trump serão menos agressivas do que o esperado.
Segundo a CNBC, os investidores ignoraram em grande parte os dados mais recentes sobre o consumo, referentes a março, que mostraram uma queda acentuada na percepção dos americanos sobre seu futuro financeiro. O Conference Board informou que seu índice de confiança caiu para 92,9, abaixo dos 93,5 esperados.
O componente de expectativas, que prevê os próximos seis meses, caiu para 65,2, o nível mais baixo desde 2013. Esse número também está muito abaixo de 80, o nível que muitos analistas usam para sinalizar possíveis recessões.
Apenas um setor permanece em alta neste mês: o de energia, com um aumento de 3,2%. Na terça-feira, registrou um acréscimo de 0,3%. Duas empresas lideraram essa valorização. A EQT subiu cerca de 13% em março. A Expand Energy vem logo atrás, com alta de quase 11%. Wall Street parece não se importar muito com a instabilidade da confiança, especialmente com as ações do setor de energia ajudando a equilibrar o mercado.
Os mercados asiáticos embarcam no trem de Wall Street
Esse mesmo ímpeto se estendeu aos mercados da Ásia-Pacífico na quarta-feira. Os índices regionais subiram em geral, acompanhando o desempenho de Wall Street. Os investidores asiáticos também reagiram a sinais de que as sanções comerciais de Trump poderiam ser mais brandas do que o inicialmente previsto.
Na Austrália, o índice S&P/ASX 200 subiu 0,71% e encerrou a sessão em 7.999 pontos. O Nikkei 225 do Japão avançou 0,65%, fechando em 38.027,29 pontos. O índice Topix teve alta de 0,55%, encerrando em 2.812,89 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 1,08% e fechou em 2.643,94 pontos, enquanto o índice Kosdaq, de empresas de menor capitalização, avançou 0,73%, fechando em 716,48 pontos.
O índice SET da Tailândia subiu 0,62% depois que a primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra sobreviveu a uma moção de desconfiança no parlamento no início do dia. A votação deu aos investidores a confiança de que seu governo não enfrentará perturbações no curto prazo.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,65%. Seu índice de tecnologia, que tracas 30 maiores empresas de tecnologia listadas em Hong Kong, também subiu 0,61%. Esse índice agora está próximo da zona de correção. Mas nem todos os mercados seguiram a tendência. O índice CSI 300 da China continental caiu 0,33%, fechando em 3.919,36.
O Morgan Stanley também tomou medidas na terça-feira. O banco elevou suas projeções para os índices chineses no final de 2025 pela segunda vez. Citando ostronresultados do quarto trimestre de 2024 e uma perspectiva econômica mais estável, aumentou a meta para o Índice Hang Seng em 9%, para 25.800 pontos.
A previsão para o índice MSCI China também foi elevada em 9%, para 83 pontos, e a estimativa para o CSI 300 foi aumentada em 8%, para 4.220. O Morgan Stanley afirmou que essas revisões para cima seguem sinais de força nos resultados corporativos chineses no quarto trimestre e a melhora das condições macroeconômicas.
Os EUA mantêm postura agressiva em relação à China
Em outra frente, na terça-feira, o governo dos Estados Unidos tomou novas medidas comerciais contra a China, o que pode gerar tensões nas próximas sessões. O Departamento de Comércio, por meio do Bureau de Indústria e Segurança, adicionou 80 organizações à sua lista de entidades exportadoras.
Mais de 50 delas são empresas chinesas, agora impedidas de receber mercadorias de fornecedores americanos, a menos que esses fornecedores obtenham permissão do governo.
A agência afirmou que essas empresas foram incluídas na lista negra por "agirem contrariamente aos interesses de segurança nacional e de política externa dos EUA". A medida faz parte do plano do governo Trump para limitar o acesso da China a certas tecnologias avançadas.
As novas restrições visam impedir que Pequim tenha acesso a ferramentas usadas em computação em exaescala e tecnologias quânticas, ambas utilizadas em inteligência artificial e computação de alto desempenho.
Esta é a primeira expansão da lista negra de Trump desde que retornou ao cargo em janeiro. Isso demonstra que a Casa Branca está adotando uma postura mais rígida em relação às exportações de tecnologia — especialmente tudo o que estiver ligado aos programas de defesa ou vigilância da China. Essas empresas banidas agora precisarão de licenças especiais se as empresas americanas quiserem negociar com elas.
Os mercados não pareceram muito afetados pela lista negra — pelo menos por enquanto. O foco permaneceu nos ganhos de Wall Street e na crença de que a implementação das tarifas de Trump poderia ser mais restrita.
Ainda assim, os investidores estão acompanhando a situação com atenção. "Há muita incerteza, mas, por enquanto, o mercado está reagindo ao que parece ser uma posição comercial mais fraca", disse Alex Hill, gestor de portfólio da Redwood Capital.
Por enquanto, os números apontam para uma alta. Se essa tendência se manterá dependerá do impacto do próximo pacote de tarifas e de como a China responderá.
Enquanto isso, executivos americanos estão voltando a investir em suas próprias ações. O número de empresas em que executivos compraram ações em vez de vendê-las aumentou em março, atingindo uma relação compra/venda de 0,5, a mais alta desde junho de 2024.
Essa estatística vem do Washington Service e significa que a proporção agora está próxima de sua média de longo prazo. É uma grande melhora em relação aos 0,2 registrados em janeiro, que era o nível mais baixo já registrado desde o início tracem 1988.
Alguns interpretam as compras como um voto de confiança tanto na economia quanto em suas próprias empresas. Mas, mesmo com essa mudança, o nível geral de compras por parte de executivos ainda está longe dos picos observados no final de 2018, nas mínimas da pandemia em 2020 ou durante o mercado de baixa de 2022.
Ainda assim, essa mudança está fazendo com que os investidores se perguntem: será que os executivos estão sinalizando que essa onda de vendas foi longe demais?

