Empresas de tecnologia chinesas estão estocando chips de memória de alta largura de banda (HBM) da Samsung em preparação para uma possível proibição dos EUA ao semicondutor com capacidade de inteligência artificial. O governo americano está considerando adicionar o HBM à sua lista de chips avançados de IA que os fabricantes dos EUA não podem vender para o país asiático.
Desde que os EUA impuseram as primeiras restrições aos chips em 2022, as regras foram endurecidas duas vezes para eliminar brechas que permitiam à China ter acesso a esses componentes essenciais. Analistas de mercado observaram que a nova proibição em potencial poderia impactar significativamente as ambições da China em inteligência artificial.
Uma possível proibição poderia prejudicar as ambições da China em relação à IA
A Reuters, citando fontes familiarizadas com o assunto, informou que entidades chinesas representaram 30% da receita de HBM da Samsung no primeiro semestre de 2024, com startups de tecnologia entre os muitos clientes. Esse acúmulo de estoques ressalta os esforços da China para se manter competitiva apesar das restrições comerciais.
Os semicondutores HBM são componentes cruciais de processadores avançados usados em computação de inteligência artificial. Portanto, a aquisição desses chips por entidades chinesas sugere que o país está disposto a desenvolver seus próprios chips com capacidade de IA, apesar das proibições comerciais.
A China tem feito progressos nessa área. A Huawei, por exemplo, está desenvolvendo seus chips de IA Ascend usando a tecnologia HBM2E da Samsung, e outras empresas como a CXMT estão produzindo chips HBM2 internamente. No entanto, os chips HBM2 chineses estão três gerações atrás do mais recente HBM3E, o que evidencia uma lacuna tecnológica significativa.
A restrição também deverá afetar a Samsung. A gigante da tecnologia é uma das três principais empresas produtoras de chips HBM e a única que obtém uma parcela significativa de sua receita com chips da China. Uma proibição comercial poderia acabar com a capacidade da Samsung de capitalizar atrondemanda do mercado chinês.
Entidades chinesas ainda estão recebendo chips da Nvidia
Entretanto, a Samsung não será a primeira empresa afetada por uma proibição comercial. Diversas empresas, principalmente a Nvidia , perderam bilhões em receita potencial devido a proibições de exportação de chips para a China.
Os EUA argumentam que essas medidas são necessárias para conter o desenvolvimento da IA na China, que é vista como uma ameaça à segurança dos EUA e seus aliados. Os EUA também instaram as nações aliadas a implementarem restrições comerciais semelhantes a semicondutores, com possíveis expansões para Malásia, Israel, Singapura e Taiwan.
No entanto, essas restrições não impediram completamente a disponibilidade de chips de IA na China. Em vez disso, dificultaram o acesso, criando um lucrativo mercado negro para esses componentes. Uma reportagem recente do New York Times revelou que fornecedores chineses ainda conseguem abastecer clientes domésticos com chips avançados da Nvidia.
Vale ressaltar que algumas empresas criaram novas entidades para contornar as proibições, enquanto outras estão adquirindo chips no mercado negro por meio de operações de contrabando.

