As 24 pessoas mais ricas controlam 16% de toda a riqueza mundial

- 24 superbilionários controlam US$ 3,3 trilhões, ou 16% de toda a riqueza dos bilionários, o que equivale ao PIB da França.
- A maioria deles fez fortuna no setor de tecnologia, e seus patrimônios dependem muito dos preços das ações, o que leva a flutuações enormes.
- A desigualdade de riqueza aumentou, com o 1% mais rico dos EUA detendo 30% da riqueza total do país em 2024.
Um pequeno grupo de 24 pessoas detém agora US$ 3,3 trilhões, ou 16% de toda a riqueza, um valor equivalente ao PIB da França. Esses indivíduos são agora chamados de "superbilionários" pela Forbes, por possuírem um novo patamar de riqueza e poder extremos.
A primeira lista de bilionários da Forbes, em 1987, contava com 140 pessoas, cujo patrimônio combinado era de US$ 295 bilhões. Naquela época, a pessoa mais rica era o japonês Yoshiaki Tsutsumi, um magnata do setor imobiliário com US$ 20 bilhões. Hoje, a pessoa mais rica do mundo, Elon Musk, possui um patrimônio de US$ 419,4 bilhões, o que representa 21 vezes o que Tsutsumi tinha no auge de sua carreira e mais de 2 milhões de vezes a renda média das famílias americanas.

Os superbilionários acumulam riqueza extrema
Para ser considerado um superbilionário, uma pessoa precisa ter pelo menos US$ 50 bilhões. Entre eles, 16 possuem mais de US$ 100 bilhões, o que os torna centibilionários. Há uma década, esse tipo de fortuna praticamente não existia. Em 2014, esse grupo detinha apenas 4% de toda a riqueza dos bilionários. Agora, sua fatia quadruplicou.
“Os bilionários sempre controlaram quantidades significativas de riqueza, obviamente, mas agora estamos falando de diferenças entre os próprios bilionários”, disse Maya Imberg, da Altrata, uma empresa global de inteligência patrimonial. “É impressionante o quanto o patrimônio líquido de algumas dessas pessoas cresceu.”
O dinheiro deles financia o mercado imobiliário de luxo, e cada um deles possui pelo menos US$ 100 milhões em propriedadesdentpessoais. Esse valor provavelmente está subestimado, já que muitos detêm imóveis em nome de empresas ou por meio de sócios. Mercados como Nova York, Los Angeles, Miami e Aspen têm visto um aumento nas vendas de casas de nove dígitos e na construção de arranha-céusdentespecificamente para a classe bilionária.
Fundadores de empresas de tecnologia dominam a lista dos superbilionários
A maioria dos superbilionários fez fortuna no setor de tecnologia ou em indústrias impulsionadas pela tecnologia. Das 10 pessoas mais ricas do mundo, 6 vêm da área de tecnologia, incluindo Musk, Jeff Bezos, Mark Zuckerberg, Larry Ellison, Sergey Brin e Steve Ballmer.
Diferentemente dos industriais do passado, os bilionários da tecnologia de hoje construíram suas fortunas com base no preço das ações, e não em ativos físicos. Suas riquezas podem flutuar em dezenas de bilhões em um único ano, dependendo do sentimento dos investidores. Zuckerberg, Bezos e Jensen Huang, da Nvidia, já vivenciaram oscilações dessa magnitude.
Os monopólios tecnológicos também ajudaram esses bilionários a acumular suas fortunas. Joseph Stiglitz, economista ganhador do Prêmio Nobel, destacou que as leis antitruste atuais foram criadas para empresas como a Standard Oil, não para gigantes da tecnologia. "O poder de monopólio gerou o potencial para enormes quantidades de riqueza", afirmou.
Ele também destacou as brechas fiscais, considerando-as essenciais para o acúmulo de riqueza dos bilionários modernos. "Esses caras, tanto no nível corporativo quanto no individual, têm sido ainda melhores em sonegar impostos do que em produzir bons produtos", afirmou. O pacote de remuneração de US$ 50 bilhões do CEO da Tesla é um exemplo desse sistema em funcionamento.
Dinheiro novo substitui riqueza antiga
Ao contrário das gerações anteriores, em que as fortunas eram construídas ao longo de décadas, a economia atual, impulsionada pela tecnologia, também permitiu que fundadores acumulassem somas enormes em apenas alguns anos. Antes de sua prisão em 2022, Sam Bankman-Fried, o agora desacreditado fundador da FTX, por exemplo, possuía um patrimônio de US$ 26 bilhões antes dos 30 anos. Um relatório da Heritage Foundation de 2024 observou que nomes como Rockefeller, Carnegie e Vanderbilt praticamente desapareceram das listas de bilionários.
“As grandes fortunas americanas de hoje são dinheiro novo, não antigo”, afirmou o relatório. Dos 97 bilionários que herdaram riqueza da lista Forbes 400 de 2005, menos da metade permanece na lista. Aqueles que ainda estão lá têm três vezes mais probabilidade de terem caído de posição do que de terem subido.
A mudança começou nas décadas de 1980 e 1990, quando a globalização e a tecnologia remodelaram as indústrias. A internet e as plataformas digitais permitiram que os empreendedores expandissem seus negócios mais rapidamente do que nunca. Sam Bankman-Fried, o bilionário das criptomoedas que caiu em desgraça, construiu uma fortuna de US$ 26 bilhões antes dos 30 anos — embora a tenha perdido tão rápido quanto a construiu.
Ao mesmo tempo, a desigualdade de riqueza aumentou drasticamente. Em 2024, o 1% mais rico das famílias americanas controlava US$ 49,2 trilhões, ou 30% de toda a riqueza dos EUA. No final da década de 1980, esse número era de 23%.
Com fortunas dessa magnitude, os superbilionários exercem uma influência desproporcional sobre a política, a mídia e a economia. Musk é dono da Tesla, da SpaceX e da X (antiga Twitter), Bezos é dono do The Washington Post e Zuckerberg controla o Facebook, o Instagram e o Threads. Seu poder vai além da riqueza, moldando a opinião pública, as políticas públicas e os mercados.
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.
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