O Telegram lançou sua primeira grande atualização do ano, introduzindo um sistema de verificação de contas por terceiros, além de novos filtros de busca de mensagens e a opção de converter presentes em NFTs. A mudança faz parte do esforço da plataforma para aprimorar a segurança e abordar críticas antigas às suas práticas de moderação de conteúdo.
Anteriormente, o programa de verificação do aplicativo de mensagens focava em figuras públicas e organizações. O novo sistema permite que entidades terceirizadas já verificadas, como agências reguladoras ou consórcios do setor, autentiquem contas. Essas contas exibirão um logotipo exclusivo em vez do tradicional selo azul de verificação do Telegram.
“Esta plataforma descentralizada para verificação adicional ajudará a prevenir golpes e reduzir a desinformação, com uma solução proativa exclusiva que estabelece um novo padrão de segurança para plataformas sociais”, afirmou o aplicativo de mídia social em uma postagem no blog.
Telegram apresenta sistema de verificação de terceiros para verificadores
De acordo com um comunicado de imprensa recente do Telegram, os verificadores terceirizados precisam primeiro ter seus bots verificados pela empresa para participar. Uma vez aprovados, eles podem atribuir a verificação a outras contas usando a API de Bots do Telegram.
As entidades verificadas exibirão o logotipo da organização ao lado de seus nomes de perfil. Essa funcionalidade espelha os programas de verificação em plataformas como o X, onde as contas afiliadas são marcadas com a marca da organização.
A empresa de mídia social também estabeleceu um procedimento para entidades que desejam se tornar verificadores terceirizados em sua plataforma. Para começar, as organizações devem primeiro ter seus bots oficiais verificados pela empresa de mídia social. Uma vez verificados, a organização pode enviar uma solicitação ao Telegram para obter a capacidade de autenticar outras contas.
Após a aprovação, os verificadores podem usar a API de bots do Telegram para atribuir ou remover a verificação. O processo também exige que as entidades acessem o perfil do bot, onde podem selecionar as contas e os chats a serem verificados. As contas verificadas exibirão o logotipo exclusivo da organização ao lado de seus nomes para deixar claro que foram autenticadas.
A atualização recente surge após o CEO da plataforma, Pavel Durov, anunciar um renovado compromisso em lidar com as críticas às políticas de moderação . Em uma mensagem para seus 12,2 milhões de assinantes, ele enfatizou a importância de combater atividades ilegais na plataforma.
“Embora 99,999% dos usuários do Telegram não tenham qualquer envolvimento com o crime, os 0,001% que se envolvem em atividades ilícitas criam uma má imagem para toda a plataforma, colocando em risco os interesses de nossos quase um bilhão de usuários”, afirmou Durov.
Resposta de Durov aos desafios legais envolvendo o Telegram
Durov enfrenta atualmente diversas acusações legais na França, onde os promotores alegam que o aplicativo de mensagens foi usado para crimes como fraude, lavagem de dinheiro e disseminação de material de abuso sexual infantil. O empresário, nascido na Rússia, negou as acusações, afirmando que o Telegram remove ativamente milhões de publicações e canais prejudiciais diariamente.
O CEO do Telegram criticou as autoridades francesas pela forma como lidaram com a investigação, observando que nem ele nem os representantes do Telegram na UE foram contatados sobre as preocupações.
“Usar leis da era pré-smartphones para acusar um CEO de crimes cometidos por terceiros na plataforma que ele gerencia é uma abordagem equivocada”, escreveu ele. “Desenvolver tecnologia já é suficientemente difícil. Nenhum inovador jamais criará novas ferramentas se souber que pode ser responsabilizado pessoalmente por um possível uso indevido dessas ferramentas.”
Os procuradores de Paris acusaram o empresário de vários crimes relacionados à investigação, incluindo cumplicidade na administração de uma plataforma online usada para transações ilícitas e cumplicidade em crimes envolvendo material de abuso sexual infantil.
Apesar das acusações, Durov afirma que o aplicativo de telecomunicações está comprometido em aprimorar suas práticas de moderação. "As alegações em alguns meios de comunicação de que o Telegram é uma espécie de paraíso anárquico são absolutamente falsas", escreveu ele, acrescentando que os esforços de moderação da plataforma visam proteger seus quase um bilhão de usuários.

