A China aprovou a aquisição da Ansys pela Synopsys por US$ 35 bilhões, após uma mudança de política dos EUA.
À medida que o design de chips se torna cada vez mais importante para a inovação e segurança globais, a regulamentação das ferramentas de software de suporte se tornou uma questão crucial na geopolítica. É por isso que a fusão entre a Synopsys e a Ansys representa mais do que um marco significativo na estratégia da Synopsys de expandir seu alcance para além das ferramentas essenciais de design de chips, abrangendo também o software de engenharia em geral.
China aprova acordo de US$ 35 bilhões após mudança na política dos EUA
O principal órgão regulador antitruste da China aprovou condicionalmente a aquisição da Ansys pela Synopsys por US$ 35 bilhões. A aprovação da Administração Estatal de Regulação do Mercado (SAMR) foi confirmada na segunda-feira, poucos dias depois de os Estados Unidos terem flexibilizado discretamente as recentes restrições à exportação de software para design de chips.
A fusão entre a Synopsys e a Ansys, duas empresas líderes de software dos EUA, foi anunciada pela primeira vez em janeiro de 2024 e já havia recebido aprovação dos órgãos reguladores dos EUA e da Europa.
No entanto, a SAMR suspendeu sua revisão em maio, depois que Washington impôs novas restrições que, na prática, impediram fabricantes americanos de ferramentas de projeto de chips, como a Synopsys, de vender software para a China.
A CEO da Synopsys, Sassine Ghazi, havia expressado otimismo anteriormente em relação à conclusão do negócio até o final de junho. No entanto, esse prazo foi adiado devido à pausa da SAMR.
No início de julho, o governo dos EUA flexibilizou partes dessa política restritiva, após as negociações comerciais entre os EUA e a China, que se arrastavam há meses, chegarem a um acordo em Genebra no final de junho. Empresas envolvidas nas negociações confirmaram que as mudanças na política foram comunicadas no início deste mês.
Segundo fontes familiarizadas com o assunto, o Ministério do Comércio da China solicitou à SAMR (Administração Estatal de Regulamentação de Mercadorias) a retomada do processo de aprovação, que estava suspenso, logo após os EUA terem flexibilizado as restrições. O órgão regulador respondeu prontamente, aprovando o acordo em 12 de julho, apenas um dia após a retomada do processo.
As condições da SAMR
Embora a China tenha finalmente permitido a transação, a SAMR impôs três condições principais para gerir as preocupações relativas à concentração de mercado e garantir que as empresas chinesas não sejam injustamente prejudicadas após a fusão.
As empresas são obrigadas a alienar linhas de negócios onde suas ofertas se sobrepõem significativamente, a fim de mitigar o risco de controle monopolista em mercados de software específicos.
A SAMR também estipulou que os clientes chineses devem ter permissão para renovar seustracexistentes nos mesmos termos após a fusão, para evitar que as empresas locais sofram interrupções repentinas ou renegociações desfavoráveis.
Por fim, o órgão regulador chinês determinou que a Synopsys continue oferecendo seu software EDA para empresas chinesas em termos justos e razoáveis, sem viés em relação a preços ou funcionalidades.
O órgão regulador observou que a Synopsys aceitou formalmente esses termos em 11 de julho. Qualquer descumprimento poderá resultar em penalidades de acordo com a lei antitruste da China.
A Synopsys, com sede no Vale do Silício, fornece ferramentas EDA essenciais e propriedade intelectual utilizadas por empresas líderes em semicondutores, como a Nvidia e a Intel, para projetar e testar seus chips.
A Ansys, com sede na Pensilvânia, inicialmente trabalhava com software de análise estrutural, mas desde então se tornou uma das principais empresas no setor de ferramentas de simulação multifísica, utilizadas em indústrias que vão desde a automotiva e da construção civil até a saúde e a aeroespacial.
Analistas afirmam que o acordo de US$ 35 bilhões reflete a crescente convergência entre o design de semicondutores e os fluxos de trabalho de engenharia, devido à complexidade de tecnologias modernas como inteligência artificial, veículos elétricos e automação industrial.

