Steve Witkoff passou três horas em uma reunião a portas fechadas com Putin na quarta-feira e saiu de lá sem absolutamente nada que pudesse agradar a Donald Trump.
O Kremlin descreveu a reunião como “construtiva e útil”, mas isso nada mais é do que russo para “não concordamos em nada”. A reunião terminou pouco antes do prazo final das sanções de Trump. A pressão era grande, mas Putin não cedeu um milímetro.
Trump queria progresso rumo a um acordo de paz na Ucrânia. Em vez disso, a Rússia continuou lançando mísseis. Desde o último encontro entre Witkoff e Putin, em abril, a Rússia intensificou os ataques. Cidades na Ucrânia têm sido atingidas por ataques incessantes de drones e bombardeios de mísseis.
Putin continua a protelar, Trump continua a esperar
Segundo a agência de notícias estatal russa TASS, RIA Novosti, “Putin transmitiu alguns sinais aos Estados Unidos sobre a questão ucraniana.
Sinais correspondentes também foram recebidos do presidente dent .” Mas eles não disseram quais eram esses sinais. Nada concreto. Apenas conversa vaga e manipulação. O Kremlin também disse que divulgará mais informações depois que Witkoff apresentar seu relatório a Trump. Ou seja, basicamente, “contaremos a vocês mais tarde”. Tática Classic
Quando Witkoff desembarcou em Moscou, foi recebido pelo enviado de investimentos da Rússia, Kirill Dmitriev. A mídia do Kremlin exibiu um vídeo de Witkoff apertando a mão de Putin antes do início das negociações. Esse aperto de mãos acabou sendo o único "progresso" visível
Trump vem perdendo a paciência há cerca de um mês. No início de julho, ele ameaçou a Rússia com novas sanções caso o país não avançasse em direção à paz na Ucrânia.
“Vamos ver o que acontece”, disse ele na Casa Branca. “Tomaremos essa decisão naquele momento.” Esse momento já passou, e é óbvio que ele não está satisfeito com o resultado.
Nos bastidores, Trump tem chamado as conversas telefônicas de Putin de "tensas", acusando-o de espalhar "besteiras" sobre a Ucrânia. Ele também classificou os ataques com mísseis da Rússia como "nojentos". Mas as ameaças e os insultos não fizeram Putin sequer reconhecê-los. Trump não conseguiu o que queria. E então, como de costume, descontou sua raiva em outro lugar.
Trump se volta para a Índia após fracasso nas negociações com Putin
Minutos depois de saber que a reunião havia fracassado, Trump agiu, atacando a Índia. A Casa Branca anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre as importações indianas. Isso eleva a tarifa total para 50%. Trump assinou uma ordem executiva que dizia:
"Constato que o Governo da Índia está atualmente importando petróleo da Federação Russa, direta ou indiretamente. Consequentemente, e em conformidade com a legislação aplicável, os artigos da Índia importados para o território aduaneiro dos Estados Unidos estarão sujeitos a uma taxa adicional de imposto ad valorem de 25%."
Trump já havia alertado a Índia na semana passada sobre a imposição de tarifas. Ele disse que o país pagaria uma taxa de 25% mais uma "penalidade" pela compra de armas e energia da Rússia. Até então, ninguém sabia qual seria essa penalidade.
Na terça-feira, ele deixou isso claro durante uma entrevista no programa "Squawk Box" da CNBC. Ele disse que aumentaria a tarifa sobre a Índia "substancialmente nas próximas 24 horas, porque eles estão comprando petróleo russo, estão abastecendo a máquina de guerra". Ele acrescentou: "E se eles continuarem fazendo isso, eu não ficarei nada feliz"
Durante quatro meses, Washington continuou a insinuar um novo acordo comercial com a Índia. As manchetes estavam repletas de otimismo. Um acordo parecia próximo. Então, tudo desmoronou. Trump transformou esse acordo comercial em um campo de batalha. Tudo começou a piorar em 30 de julho, quando Trump acusou a China de apoiar Putin e ameaçou com uma “punição” todos os envolvidos.
Dias depois, autoridades indianas disseram que continuariam comprando petróleo russo, independentemente do que Trump dissesse. Essa foi a gota d'água.
Agora a Índia é o novo alvo. A guerra comercial de Trump tem uma nova frente. E não se trata mais apenas de economia. Trata-se de poder de barganha. Se Putin não der ouvidos a Trump, Trump prejudicará seus clientes. Mas, se a história nos ensina algo, é que a Rússia não cederá primeiro.
Steve Witkoff e Vladimir Putin se encontraram no Kremlin na manhã de quarta-feira | Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS