As exportações de metais da Rússia para a China dobraram com a alta contínua dos preços do ouro

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As exportações de metais da Rússia para a China atingiram US$ 1 bilhão no primeiro semestre de 2025, um aumento de 80% em relação ao ano passado.
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Os preços do ouro subiram 28% este ano, atingindo mais de US$ 3.370 por onça.
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Após ser excluída dos mercados ocidentais depois da invasão da Ucrânia, a Rússia voltou-se para a China.
A Rússia tem apenas um parceiro comercial que ainda emite cheques substanciais: a China. E esses cheques acabaram de ficar muito maiores.
As exportações russas de metais preciosos para a China quase dobraram no primeiro semestre de 2025, atingindo US$ 1 bilhão, com o ouro liderando o crescimento em meio à disparada dos preços. Essa informação vem diretamente do Trade Data Monitor, que tracos registros alfandegários chineses.
As remessas de ouro, prata e outros minérios russos enviadas para a China aumentaram 80% em comparação com o mesmo período do ano passado. Esse aumento coincide com a forte alta dos preços do ouro e da prata, que acumulam ganhos de cerca de 28% neste ano.
A alta está sendo impulsionada pelo aumento das reservas dos bancos centrais, pelas tensões comerciais entre os EUA e seus parceiros e pelos investidores que buscam proteção em fundos negociados em bolsa contra o caos do mercado.
A Rússia se apoia na China após ser excluída do comércio de ouro ocidental
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, o Kremlin foi excluído dos principais centros de negócios mundiais, como Londres e Nova York. Isso fechou as portas para a demanda ocidental, mas as da China permaneceram abertas.
Com o Banco da Rússia, que já foi o maior comprador de ouro entre os bancos centrais, sem retornar ao mercado de forma significativa, as mineradoras russas agora apostam fortemente na demanda asiática.
A Rússia ainda produz mais de 300 toneladas de ouro anualmente, o que a torna o segundo maior produtor mundial. Essa produção precisa de um destino. Por enquanto, está sendo encontrada na China. E não apenas ouro, a Rússia também está exportando mais paládio e platina, graças à demanda do setor industrial chinês.
A MMC Norilsk Nickel PJSC, principal produtora chinesa de ambos os metais, voltou seu foco inteiramente para o leste. Essa estratégia parece estar funcionando. Os preços do paládio subiram 38% e os da platina, 59%, até agora neste ano. A China está lidando bem com isso, expandindo as importações enquanto o Ocidente mantém as sanções rigorosas.
Na Rússia, as mineradoras estão recebendo um incentivo extra da população local. Com a queda na confiança no rublo, a demanda por ouro no varejo russo atingiu níveis recordes em 2024, com pessoas comprando moedas, barras e qualquer metal físico que consigam armazenar. Metais preciosos se tornaram, basicamente, a poupança das famílias russas que tentam sobreviver à inflação e à volatilidade da moeda.
A turbulência global e a fraqueza do dólar impulsionam o ouro a novas máximas
Os preços do ouro não dispararam apenas por causa da mineração. Eles também estão reagindo à política global. Na manhã de segunda-feira, o ouro à vista subiu para US$ 3.369,02 por onça, enquanto os contratos futuros de ouro nos EUA atingiram US$ 3.376,40. A alta foi impulsionada pela desvalorização do dólar americano, que caiu 0,2% em relação a outras moedas importantes. Essa queda facilitou a entrada de investidores que não possuem dólares no mercado e a compra de ouro.
Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, explicou a alta de forma clara: “O dólar teve um início de semana moderado, o que abriu caminho para o ouro registrar ganhos logo no começo, com os prazos para a flexibilização das tarifas se aproximando rapidamente.” Ele acrescentou:
“Quanto mais nos aproximamos do prazo crucial de 1º de agosto sem que novos acordos comerciais sejam firmados, maior a probabilidade de o ouro começar a buscar uma nova alta em direção ao patamar de US$ 3.400 e talvez até além.”
A tensão está alta com o prazo final para as tarifas impostas pelodent dos EUA, Donald Trump, a poucos dias de distância. Seu secretário de Comércio, Howard Lutnick, ainda tem esperança de fechar um acordo com a União Europeia, mas até agora, nada de aperto de mãos.
Há rumores de que Trump também esteja considerando uma visita à China antes da cúpula da APEC, que acontece de 30 de outubro a 1º de novembro. Outra opção seria se encontrar com odent chinês Xi Jinping na reunião da APEC na Coreia do Sul.
Na Europa, espera-se que o Banco Central Europeu mantenha sua taxa de juros estável em 2,0%, após uma série de cortes recentes. Nos EUA, o presidente do Federal Reserve, Christopher Waller, afirmou na semana passada que o Fed deve prosseguir com um corte na taxa de juros em sua próxima reunião. Ambas as medidas tornam o ouro maistrac, especialmente com a queda dos rendimentos tradicionais e o aumento da incerteza.
No Japão, a coligação governante perdeu a maioria na câmara alta durante a votação de domingo, representando mais um choque político em um momento em que as negociações comerciais globais estão paralisadas. Essa instabilidade só alimenta ainda mais o mercado de metais.
E não é só o ouro que está em alta. Outros metais estão seguindo o mesmo caminho. A prata à vista subiu 0,4%, atingindo US$ 38,33 por onça, a platina adicionou 1,1%, chegando a US$ 1.437,53, e o paládio subiu 1,3%, para US$ 1.256,98.
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.
















