A OpenAI causou grande impacto esta semana com diversos acordos comerciais importantes que podem remodelar a forma como as empresas de inteligência artificial desenvolvem sua tecnologia. No entanto, a empresa agora enfrenta o desafio de tornar os planos ambiciosos do CEO Sam Altman em realidade.
A empresa por trás do ChatGPT anunciou esta semana uma série de parcerias que envolvem enormes quantias de dinheiro e colocam a OpenAI no centro da próxima geração de sistemas de aprendizado de máquina.
Os anúncios começaram na segunda-feira, quando a Nvidia disse que investiria até US$ 100 bilhões para ajudar a OpenAI a criar espaço em data centers com milhões de unidades de processamento gráfico.
No dia seguinte, a OpenAI compartilhou detalhes sobre um acordo maior com a Oracle e o SoftBank, expandindo o que eles chamam de projeto “Stargate” para uma promessa de US$ 400 bilhões distribuída em várias etapas e locais. Na quinta-feira, a OpenAI anunciou uma parceria comercial com a Databricks, demonstrando que a empresa deseja alcançar mais clientes corporativos.
A empresa, mais conhecida por seu programa de bate-papo ChatGPT e modelos de linguagem GPT, quer se tornar muito mais do que isso.
A OpenAI espera se juntar ao grupo das principais empresas de computação em nuvem, mesmo gastando bilhões de dólares e dependendo totalmente de investimentos para continuar crescendo. Os planos de construção da empresa exigiriam energia elétrica suficiente para abastecer mais de 13 milhões de residências americanas.
Altman afirma há muito tempo que a criação do próximo nível de tecnologia de IA exigirá uma infraestrutura computacional muito maior do que a existente atualmente.
A OpenAI afirma que está simplesmente atendendo à demanda dos clientes, que continua crescendo. A empresa acredita que esses investimentos eventualmente gerarão lucro.
Fontes internas afirmam que a OpenAI espera faturar US$ 125 bilhões até 2029, com base nas próprias previsões da empresa.
Grandes desafios de infraestrutura pela frente
Mas essa estratégia acarreta grandes riscos quando se trata de construir tudo na prática.
Criar 17 gigawatts de capacidade energética exigiria cerca de 17 usinas nucleares, e cada uma leva pelo menos dez anos para ser construída. Representantes da OpenAI afirmam estar em negociações com centenas de empresas de infraestrutura na América do Norte, mas nada está definido ainda.
A rede elétrica americana já apresenta problemas, as turbinas a gás estão esgotadas até 2028, a energia nuclear demora muito para ser instalada e os projetos de energia renovável enfrentam obstáculos políticos.
“Estou extremamente otimista em relação à energia nuclear, à fissão avançada e à fusão”, disse Altman. “Deveríamos construir mais… muito mais usinas de fissão da geração atual, dada a necessidade de energia densa e abundante.”
Esta semana ficou claro o quão grandes são os planos de Altman, já que o CEO da OpenAI começou a apresentar números específicos para suas ideias, algumas delas enormes.
Especialistas do setor apoiam estratégia ousada
“Ao contrário das revoluções tecnológicas anteriores ou das versões anteriores da internet, é necessária muita infraestrutura, e esta é apenas uma pequena amostra dela”, disse Altman na terça-feira, na primeira unidade Stargate da OpenAI em Abilene, Texas.
Essa abordagem – direta, ambiciosa e que ignora o pensamento tradicional – tem marcado a forma como Altman lidera durante esse novo período.
Deedy Das, sócio da Menlo Ventures, disse que as parcerias de infraestrutura da OpenAI com a Oracle podem parecer extremas para algumas pessoas, mas ele vê a situação de forma diferente.
“Não vejo isso como uma loucura. Vejo como algo existencial para a corrida rumo à superinteligência”, disse ele.
Das explicou que dados e poder computacional são os dois fatores mais importantes para expandir a IA, e elogiou Altman por ter compreendido desde cedo quanta infraestrutura seria necessária.
“Um dos seus dons é ler o exponencial e planejar de acordo com ele”, acrescentou.
Segundo ele, os avanços anteriores em IA não vieram de programas de computador melhores, mas sim do acesso a um poder computacional massivo. É por isso que empresas como OpenAI, Google e Anthropic estão tentando construir sistemas maiores.

