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O preço do petróleo subiu mais de 2% em meio às contínuas tensões comerciais entre EUA, Índia e Rússia

Neste post:

  • Os preços do petróleo subiram mais de 2%, já que os ataques na Ucrânia paralisaram 17% da capacidade de refino da Rússia.
  • Trump impôs tarifas sobre produtos indianos devido ao comércio de petróleo com a Rússia; a Índia considerou-as injustas.
  • A China permanece intocada, apesar de ser a principal compradora de petróleo da Rússia desde o início das sanções do G7.

Os preços do petróleo dispararam na terça-feira, devido às novas trocas de mísseis na Ucrânia, que interromperam a produção russa e desencadearam novas sanções comerciais por parte de Washington.

Segundo dados da CNBC, o petróleo Brent para entrega em novembro estava cotado a US$ 69,46 por barril às 10h54, horário de Londres, um aumento de 1,92% em relação ao fechamento de segunda-feira.

Nos Estados Unidos, o contrato de petróleo WTI para outubro atingiu US$ 65,97 por barril, com alta de 3,06%. OtracWTI não teve liquidação na segunda-feira devido ao feriado do Dia do Trabalho.

O último aumento de casos ocorreu após mais uma onda de ataques transfronteiriços na guerra da Ucrânia, que já dura mais de três anos e meio.

Volodymyr Zelenskyy,dentda Ucrânia, afirmou em uma publicação no fim de semana que seu país realizará mais "ataques profundos" em território russo.

A Reuters estima que esses ataques já tenham paralisado 17% da capacidade de processamento de petróleo da Rússia. A CNBC observou que não conseguiu confirmar a reportagem de forma independente dent As negociações para que Vladimir Putin concorde com negociações diretas estão paralisadas, apesar dos esforços da Europa e dos Estados Unidos.

No âmbito econômico, a Casa Branca intensificou a pressão ao impor novos impostos de importação sobre produtos indianos, alegando como justificativa as compras contínuas de petróleo bruto russo pela Índia. O governo indiano reagiu imediatamente, descrevendo a medida como “injusta, injustificada e descabida”

dent dos EUA, Donald Trump, agora de volta ao cargo, foi ainda mais longe, chamando a relação comercial dos Estados Unidos com a Índia de um "desastre totalmente unilateral" durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira.

Washington mira a Índia enquanto a China permanece intocada

Enquanto a Índia sofre com as tarifas, a China (a maior compradora de petróleo da Rússia) permanece intocada. Desde a entrada em vigor das sanções do G7, Pequim se tornou o principal cliente de Moscou. Mas, até o momento, nenhuma medida foi tomada contra ela.

Veja também:  A economia do Japão cresce além das previsões, apesar do impacto das tarifas.

Durante o fim de semana, Putin, Xi Jinping e Narendra Modi participaram da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, demonstrando unidade entre os países do chamado Sul Global. Não houve nenhum sinal de que alguém estivesse reduzindo as compras de petróleo russo.

Enquanto isso, os analistas do setor petrolífero aguardam possíveis atualizações sobre a produção de um grupo menor da OPEP+, que inclui a Rússia, a Arábia Saudita e outros seis países. Essa reunião está agendada para 7 de setembro. As expectativas de que algo mude são baixas.

O grupo acelerou recentemente a reversão de um corte de produção de 2,2 milhões de barris por dia, e analistas do ING afirmaram na terça-feira que "o grupo manterá os níveis de produção inalterados em outubro". Eles também alertaram que a OPEP+ poderá reintroduzir cortes se o mercado continuar a apresentar sinais de excedente.

As sanções tornaram-se a força dominante por trás das mudanças de mercado. Nos últimos dez anos, as sanções ocidentais aumentaram quase 450%, segundo dados da LSEG Risk Intelligence.

Isso inclui tanto proibições diretas quanto medidas secundárias que penalizam qualquer país ou empresa que faça negócios com entidades incluídas na lista negra. O maior aumento ocorreu após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022

Nesse período, as restrições da UE dispararam de zero para 2.534. Só em 2024, os EUA listaram 3.135 novos alvos, sendo 70% deles direcionados a empresas ou indivíduos russos, segundo o Centro para uma Nova Segurança Americana.

Veja também:  Europa oferece alívio das sanções para trazer o Irã de volta à mesa de negociações.

A Rússia usa frotas clandestinas para burlar sanções

Moscou não ficou parada. Os produtores e comerciantes russos, especialmente aqueles ligados à China e à Índia, que agora movimentam 80% das exportações de petróleo bruto da Rússia, construíram uma rede clandestina de navios e sistemas bancários paralelos.

Essas “frotas clandestinas” não utilizam seguradoras ocidentais nem seguem as normas de navegação. É assim que o petróleo bruto russo Urals se manteve acima do teto de preço de US$ 60 por barril em 75% dos dias de negociação desde dezembro de 2022.

Para impedir isso, a UE e o G7 (menos os EUA) concordaram em reduzir o preço máximo para US$ 46,50 este mês, mas poucos acreditam que isso terá grande efeito.

Em agosto, a diferença entre o preço do petróleo Urals e do Brent caiu para menos de US$ 5 por barril, o menor patamar desde o início da guerra. Moscou continua vendendo, mesmo sob restrições. Dito isso, o Ministério das Relações Exteriores britânico afirma que a Rússia perdeu cerca de US$ 154 bilhões em receitas diretas de impostos sobre o petróleo entre 2022 e o início de 2025.

O Ocidente tentou equilibrar a redução da receita do Kremlin com a manutenção do petróleo russo no mercado para evitar choques. A ideia é bloquear os lucros, não o fornecimento. O limite imposto pelo G7 em 2022 visava justamente isso: permitir o fluxo contínuo de petróleo, desde que as empresas de transporte marítimo respeitassem as regras de precificação. No entanto, a estratégia da frota clandestina desviou esse plano dos trilhos.

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