ÚLTIMAS NOTÍCIAS
SELECIONADO PARA VOCÊ
SEMANALMENTE
MANTENHA-SE NO TOPO

As melhores informações sobre criptomoedas direto na sua caixa de entrada.

A Nexperia suspende os envios de wafers para sua fábrica na China, aumentando os riscos da guerra dos chips

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
A Nexperia suspende os embarques de wafers para sua fábrica na China, aumentando os riscos da guerra dos chips.
  • A Nexperia interrompeu os envios de wafers para sua fábrica na China depois que a unidade se recusou a pagar.

  • A unidade chinesa foi acusada de má conduta, incluindo a abertura de contas bancárias não autorizadas.

  • A China e os Países Baixos estão em conflito pelo controle da fabricante de chips.

A Nexperia interrompeu o envio de wafers para sua fábrica de montagem na China depois que a unidade chinesa se recusou a efetuar os pagamentos, alegando que as entidades chinesas não estavam mais operando de acordo com suas regras de governança corporativa.

Segundo a Bloomberg, a administração afirmou que as instruções emitidas pela sede global não estavam sendo seguidas, e por isso a fabricante de chips informou aos clientes, em 29 de outubro, que os envios para a unidade estavam suspensos. Essa decisão expôs conflitos internos na empresa em um momento em que a cadeia de suprimentos global de semicondutores já se encontra sob pressão.

A Nexperia fornece chips de potência e controle usados ​​em veículos fabricados por empresas como a Volkswagen e a BMW.

A direção afirmou que as instruções emitidas pela sede global não estavam sendo seguidas. A empresa declarou:

“Não podemos controlar se e quando os produtos de nossa fábrica na China serão entregues. Dada a falta de transparência e supervisão sobre os processos de fabricação, não podemos garantir a propriedade intelectual, a tecnologia, a autenticidade e os padrões de qualidade dos produtos entregues pela fábrica da Nexperia na China a partir de 13 de outubro.”

A paralisação aumenta a pressão sobre as montadoras que dependem de um fornecimento constante de chips para evitar atrasos na produção.

Fábrica chinesa enfrenta acusações

A Nexperia afirmou que a recusa em pagar pelos wafers não foi um caso isolado. A empresa relatou que selos corporativos pertencentes às entidades chinesas foram apropriados e utilizados sem a devida autorização.

Segundo a empresa, cartas não autorizadas com informações incorretas foram enviadas a clientes, subcontratadostracfornecedores terceirizados e funcionários. A Nexperia também afirmou que a unidade chinesa abriu contas bancárias não autorizadas e orientou os clientes a efetuarem pagamentos para essas contas em vez de utilizarem os canais corporativos autorizados.

Esse conflito interno ocorre em um contexto de envolvimento governamental. O governo holandês assumiu o poder de veto sobre a empresa em setembro. As autoridades holandesas afirmaram haver preocupações de que a controladora Wingtech estivesse restringindo as operações da Nexperia e ameaçando a segurança do fornecimento de chips.

O fundador da Wingtech, Zhang Xuezheng, foi suspenso do cargo de CEO da Nexperia por um tribunal de Amsterdã em 7 de outubro. A Wingtech negou as acusações e afirmou que deseja a reintegração de Zhang.

Em resposta à medida do governo holandês, a China impôs restrições às exportações dos produtos Nexperia provenientes da fábrica da empresa em Guangdong. Essa fábrica era responsável por cerca de metade do volume de produção da Nexperia antes do conflito.

Com as exportações restritas, a Nexperia já vinha enfrentando dificuldades. A paralisação do fornecimento de wafers adiciona mais um fator de interrupção aos planos de produção.

Pressão comercial entre governos holandês e chinês

O Ministério do Comércio da China criticou os Países Baixos esta semana, afirmando que o governo holandês não tomou medidas suficientes para resolver a disputa.

A China anunciou em 1º de novembro que concederia isenções para as exportações dos produtos da Nexperia, mas pediu aos Países Baixos que "parassem de interferir" nos assuntos internos da empresa e trabalhassem para resolver a situação. A China declarou:

“Os Países Baixos continuam a agir unilateralmente sem tomar medidas concretas para resolver o problema, o que inevitavelmente agravará o impacto negativo na cadeia de abastecimento global de semicondutores.”

A Nexperia afirmou que aprecia o compromisso em restabelecer o fluxo de suprimentos, mas disse que ainda não recebeu os detalhes necessários sobre como e quando as restrições às exportações serão suspensas.

A empresa afirmou que deseja compreender as condições, os critérios e os procedimentos necessários antes que as operações possam retornar à normalidade.

A tensão já afetou as montadoras. A Volkswagen, maior fabricante de automóveis da Europa, afirmou que está analisando outras opções de fornecimento para garantir o fornecimento de chips.

A empresa afirmou que a produção está garantida para a semana atual, mas a incerteza persiste. Fornecedores e fabricantes de todo o setor automotivo reduziram a produção devido a preocupações com a escassez de transistores e chips lógicos da Nexperia.

A situação permanece sem solução. Tanto a pressão governamental quanto as disputas internas na empresa continuam simultaneamente.

Quanto mais isso se prolongar, mais as linhas de produção de automóveis ficarão paradas, os fornecedores hesitarão e as cadeias de suprimentos de semicondutores ficarão sobrecarregadas. Ainda não há sinais claros de uma solução.

Não se limite a ler notícias sobre criptomoedas. Compreenda-as. Assine nossa newsletter. É grátis.

Compartilhe este artigo
Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

MAIS… NOTÍCIAS
INTENSIVO AVANÇADAS
CURSO