Os mercados globais fecharam o pregão de segunda-feira em queda, com os investidores supostamente perdendo a confiança nas ações americanas. Isso foi alimentado pelos comentários precipitados dodent Donald Trump sobre o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.
Trump insiste em pressionar o banco central dos EUA para que faça reduções "preventivas" nos custos de empréstimo, a fim de evitar uma possível desaceleração da economia americana.
A notícia do desentendimento político entre o presidente dos EUA e Powell fez com que os principais índices americanos continuassem a perder valor na sessão de ontem. O S&P 500 caiu 2,36%, o Dow Jones Industrial Average recuou 2,48% e o Nasdaq Composite despencou 2,55%, mantendo a tendência de queda acentuada que vem afetando os investidores há semanas.
Dólar cai, ouro dispara enquanto investidores buscam proteção contra perdas
O índice ICE do dólar americano despencou para 97,92, seu nível mais baixo desde março de 2022, e já acumula uma desvalorização de mais de 9% neste ano. A queda do dólar levou os investidores a buscarem outras moedas e mercados de ativos, com estes últimos registrando maior demanda.
Os preços do ouro dispararam para um recorde histórico de mais de US$ 3.500 por onça, devido ao aumento da demanda de investidores que estão saindo do mercado de ações em busca de um ativo mais "seguro". Analistas veem esse movimento como um sinal de que os mercados estão se preparando para uma possível interferência política na política monetária dos EUA.
Na Ásia, os mercados reagiram de forma desigual à turbulência nos EUA. O índice Hang Seng de Hong Kong subiu quase 0,5%, enquanto o Nikkei 225 do Japão caiu 0,2%.
A Moody's Analytics afirmou esperar que o Banco do Japão adie novos aumentos nas taxas de juros em sua próxima reunião de maio, destinada a avaliar as condições internas e as flutuações do mercado cambial global.
Moedas consideradas de refúgio, como o iene japonês, o franco suíço e o euro, valorizaram-se significativamente em relação ao dólar. Analistas acreditam que esses ganhos podem ajudar os países asiáticos e europeus a reduzir a inflação, tornando as importações mais baratas, mas também podem afetar os exportadores que enfrentam tarifas americanas.
A onda de vendas dos "Sete Magníficos" gera ansiedade no mercado
A queda do mercado de ações na segunda-feira também incluiu desvalorizações acentuadas das ações das "Sete Magníficas", um grupo de empresas de tecnologia que registrou os maiores ganhos na recuperação do mercado entre novembro e janeiro, mas que agora está absorvendo grande parte do ímpeto de queda do mercado.
A Tesla, empresa do bilionário Elon Musk, registrou a maior queda, de 6%, antes da divulgação do balanço do primeiro trimestre, prevista para terça-feira. As ações da Tesla caíram 44% este ano, e a empresa encerrou recentemente seu pior trimestre desde 2022.
No fórum de perguntas de investidores da Tesla, onde os acionistas podem postar dúvidas antes das teleconferências de resultados, um usuário perguntou se o conselho tomou medidas para lidar com os danos à marca decorrentes do relacionamento do CEO Elon Musk com o governo dos EUA, que supostamente manchou seu nome e está dando aos investidores um motivo para se desfazerem das ações da Tesla.
Será que Powell e o Fed vão reduzir as taxas de juros?
Segundo Jeremy Siegel, economista-chefe da Wisdom Tree, o atual cenário do mercado deveria dar ao Federal Reserve mais motivos para cortar as taxas de juros. Em entrevista ao programa Squawk Box da CNBC na noite de segunda-feira, Siegel afirmou que as expectativas inflacionárias de longo prazo, mencionadas algumas vezes por Powell como um indicador que poderia apoiar ou descartar cortes nas taxas, diminuíram.
“Analisei os dados e acredito que existem razões econômicas convincentes para o Fed reduzir as taxas de juros neste momento. Nos próximos cinco anos, a expectativa de inflação a longo prazo é de 2,3%. O indicador preferido do Fed, o índice deflator do consumo pessoal (PCE), está cerca de três décimos de ponto percentual abaixo disso. Portanto, na verdade, com base no PCE, a expectativa inflacionária de longo prazo que o próprio Fed utiliza está agora em 2%. Então, sabe, sob essa perspectiva, acho que há muitos motivos para isso”, concluiu.

