O ouro ultrapassou os US$ 3.500 por onça troy pela primeira vez na história na terça-feira, depois que Trump intensificou sua disputa com o presidente do Federal Reserve, Jay Powell, enfraquecendo o dólar americano e abalando os mercados globais.
A alta ocorreu depois que Trump publicou uma mensagem no Truth Social na noite de segunda-feira, chamando Powell de "Sr. Tarde Demais" e exigindo que o Fed cortasse as taxas de juros "AGORA". O conflito aumentou os temores dos investidores em relação à economia e levou os investidores imediatamente a buscarem refúgio em ativos seguros.
Os investidores correram para alocar seu dinheiro em locais menos expostos ao caos em Washington. Trump, agora de volta à Casa Branca, reacendeu a pressão sobre Powell poucos dias depois de o Fed Chain ter alertado que a onda de tarifas do governo poderia aumentar a inflação e desacelerar o crescimento.
A crescente tensão entre odent e o banco central abalou um mercado já instável, que ainda lidava com as consequências das políticas comerciais dos EUA.
A publicação de Trump derruba o dólar e as ações, e impulsiona o ouro
Os mercados não hesitaram em reagir. O S&P 500 caiu 2,4%, enquanto o Nasdaq despencou 2,6%. Na Europa, o Stoxx Europe 600 perdeu 0,7% e o FTSE 100 de Londres abriu estável.
O índice do dólar, que compara a moeda americana com uma cesta de moedas principais, caiu mais 0,2%, elevando sua queda anual para perto de 10%. O iene se fortaleceu, ultrapassando ¥140 por dólar, algo que não acontecia desde setembro passado.
Os repetidos ataques de Trump a Powell já duram anos, mas esta nova onda de críticas surge num momento em que a credibilidade do Fed já está sob pressão. Analistas do RBC disseram :
“As manchetes sobre a pressão de Trump sobre o Federal Reserve, as dúvidas sobre sua independência e sua capacidade de demitir Powell — independentemente do resultado — aumentaram a incerteza em um mercado já saturado de incertezas.”
O mercado de títulos praticamente não se alterou, embora não estivesse calmo. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos subiram 0,02 pontos percentuais, para 4,43%, e os rendimentos dos títulos de 30 anos subiram o mesmo valor, para 4,93%. A variação mínima refletiu mais cautela do que confiança.
O Fed manteve as taxas de juros estáveis este ano, após três cortes consecutivos em 2024, incluindo uma queda significativa de 50 pontos-base em setembro. A próxima reunião será em maio e agora tem ainda mais importância, visto que os investidores estão atentos para saber se Powell se manterá firme ou cederá à pressão de Trump.
O emprego de Powell também se tornou uma incógnita ainda maior. Trump não escondeu seu desejo de se livrar dele, e alguns economistas alertaram que qualquer tentativa de destituí-lo antes do término de seu mandato, em maio de 2026, poderia prejudicar ainda mais a economia.
Michael Feroli, economista-chefe para os EUA do JPMorgan Chase, afirmou: "Qualquer redução na independência do Fed aumentaria os riscos de inflação, que já está sujeita a pressões ascendentes decorrentes de tarifas e expectativas de inflação um tanto elevadas."
O ouro não subiu apenas por conta de polêmicas. Ele vem se valorizando o ano todo, com alta de 33% desde janeiro. Alguns investidores o utilizam como proteção contra a inflação. Outros simplesmente buscam algo que não envolva o Fed ou o dólar. Dados do Standard Chartered mostraram que mais de US$ 19 bilhões foram investidos em ETFs lastreados em ouro somente no primeiro trimestre.
O índice do dólar, estagnado em 98,33, pairava logo acima de sua mínima desde março de 2022, após ter caído para 97,923 no dia anterior. A moeda americana continua em queda, à medida que os investidores se desfazem de ativos dos EUA ou se protegem contra possíveis cortes nas taxas de juros.
Enquanto isso, Bitcoin praticamente não se moveu. No momento da publicação desta notícia, estava cotado a US$ 88.481, parecendo tranquilo em comparação com o caos nos mercados de moedas fiduciárias. O rei das criptomoedas decepcionou os investidores até agora em 2025. Chegou a atingir US$ 100.000, mas não conseguiu se manter nesse patamar. Agora, está oscilando logo abaixo da resistência em torno de US$ 90.000. Uma alta de menos de 5% poderia levá-lo a testar US$ 92.540, a máxima de 25 de fevereiro.
Dois indicadores de momentum — o Índice de Força Relativa (RSI) e a Convergência/Divergência da Média Móvel (MACD) — apontam para uma possível virada de alta. Mas, por enquanto, Bitcoin está estável, sem grandes destaques.

