Marc Rowan, CEO da Apollo Global Management, uma importante gestora de ativos alternativos com sede nos EUA e mais de US$ 600 bilhões em ativos sob gestão, criticou, em uma entrevista recente, o que ele chama de abordagem fragmentada da Europa em relação à regulamentação financeira.
Segundo Rowan, a Europa está "em guerra consigo mesma", pois a regulamentação tornou-se excessiva, sufocando o crescimento e dificultando a competição com os EUA. Para ele, essa abordagem é autodestrutiva, especialmente em meio à busca da UE por maior competitividade econômica.
Marc Rowan pressiona a Europa para flexibilizar as regulamentações
Rowan, cofundador do grupo de capital privado com sede em Nova York, acredita que a Europa praticamente não fez progressos na implementação das reformas necessárias para garantir investimentos e reanimar a economia debilitada da região.
“Vejo a Europa um pouco em guerra consigo mesma no que diz respeito à regulação financeira”, disse Rowan ao Financial Times. “Do ponto de vista político, há todos os sinais de aceitação da tomada de risco, da privatização e dos mercados privados. [Mas] do ponto de vista regulatório, nem tanto.”
Ele destacou como existem muitos problemas que atualmente afligem os EUA, mas no Reino Unido, esses problemas são piores.
Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu, alertou no ano passado que poderia haver um "desafio existencial" se o continente não conseguir melhorar sua produtividade.
Rowan prevê que, em termos relativos, a Europa crescerá muito mais rapidamente do que os EUA em termos de capital privado, porque precisa mais dele.
Segundo ele, empresas e governos europeus estão a recorrer a grupos de capital privado para incentivar a competitividade nos seus setores tecnológicos.
“Eles não querem ser, como vi essa expressão hoje de manhã, uma colônia tecnológica”, disse Rowan . “Eles querem ser líderes — querem ter sua própria infraestrutura, sua própria base de defesa, tudo próprio. Para isso, é preciso um capital enorme.”
Marc Rowan vê potencial na Europa apesar dos comentários
A Apollo já possui considerável influência na comunidade de investimentos, com mais de US$ 500 bilhões em ativos sob gestão. Mesmo assim, continua trabalhando para expandir seus negócios e vê a Europa como um terreno fértil, apesar das críticas de Rowan à sua abordagem em relação à regulamentação financeira.
A estimativa é de uma oportunidade de US$ 15 trilhões em ativos de famílias na Europa e no Oriente Médio, o que indica um mercado significativo para gestores de capital privado.
De fato, no mês passado, a Apollo Global Management lançou três novos fundos de capital privado direcionados a investidores individuais de alta renda na Europa, com foco em crédito privado, crédito diversificado e mercados secundários privados.
Segundo uma reportagem da Bloomberg, os investidores interessados em participar precisarão de um investimento mínimo de € 10.000, com possibilidade de aportes mensais e um limite de resgate trimestral de 5%.
Essa iniciativa coloca a Apollo em uma disputa acirrada com outras empresas como a Blackstone e a Ares Management, que também têm como alvo indivíduos de alta renda, com o fundo ECRED da Blackstone detendo € 2,7 bilhões e o da Ares, € 4,6 bilhões.
“É um mercado enorme que hoje é muito mais acessível para gestores de capital privado, e com uma base de investidores que deseja cada vez mais acessar os mercados privados”, disse Véronique Fournier, diretora de distribuição de riqueza da Apollo para a região EMEA.

