Autoridades comerciais em Bruxelas já não acreditam que as negociações com os Estados Unidos serão concluídas até o prazo de 9 de julho estabelecido por Trump, embora ambos os lados tenham acelerado o ritmo na última semana.
Segundo a Bloomberg, a União Europeia considera mais provável que se chegue a um acordo básico sobre princípios gerais até o prazo final — e não a um acordo definitivo. Isso deixaria muitos detalhes importantes sem solução, e a Casa Branca ainda nem sequer respondeu à última proposta da UE.
As negociações tornaram-se urgentes porque Washington planeia impor uma tarifa de 50% sobre quase todas as exportações da UE se não houver um acordo até ao prazo limite. Isso abrange cerca de 380 mil milhões de euros, ou cerca de 434 mil milhões de dólares, em comércio — aproximadamente 70% das exportações europeias para os EUA.
A medida de Trump visa aumentar a pressão. Mas, do lado da UE, as autoridades já se preparam para uma possível retaliação caso o acordo fracasse.
Sefcovic impulsiona as negociações enquanto prepara contramedidas da UE
Maros Sefcovic, chefe de comércio da UE, tem estado em contato constante com Howard Lutnick, secretário de comércio dos EUA, e Jamieson Greer, representante comercial dos EUA.
Eles têm conversado regularmente por telefone e até mesmo realizaram uma reunião presencial recentemente para agilizar o processo. Essas conversas começaram depois que ambos os lados concordaram, há duas semanas, emtraco processo. Apesar disso, ainda não houve resposta oficial dos EUA às últimas sugestões da UE, e o tempo está quase se esgotando.
A Comissão Europeia divulgou uma atualização aos Estados-Membros no início desta semana. Neste momento, ambas as partes estão envolvidas em negociações detalhadas sobre setores específicos, incluindo aço, alumínio, aeronaves civis, automóveis, produtos farmacêuticos e semicondutores.
Eles também estão discutindo problemas com barreiras tarifárias e não tarifárias. Mas autoridades envolvidas dizem que a situação ainda é difícil. A UE acredita que os EUA estão pressionando por termos que beneficiam principalmente Washington e não oferecem muito em troca.
Por isso, Bruxelas está preparando seus planos de contingência. Autoridades estão analisando possíveis contramedidas caso as negociações fracassem completamente. Essas medidas incluiriam mais do que apenas tarifas.
A Comissão Europeia está pedindo aos países membros que ajudem a identificar áreas estratégicas em que os EUA dependem da UE — áreas que poderiam ser usadas para exercer pressão. A UE está tentando deixar claro que, se Trump desencadear uma guerra tarifária, eles responderão imediatamente.
O bloco já aprovou tarifas sobre € 21 bilhões em produtos americanos, visando principalmente estados politicamente sensíveis. Isso inclui soja da Louisiana, estado onde reside o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson. Abrange também aves, motocicletas e outros produtos agrícolas dos EUA.
Uma segunda rodada também está pronta — ela imporia tarifas sobre € 95 bilhões em exportações americanas, incluindo aeronaves da Boeing, carros fabricados nos EUA e bourbon. Essa segunda lista está diretamente ligada às novas tarifas “recíprocas” e impostos sobre automóveis de Trump.
Lagarde alerta para maiores danos econômicos à medida que a UE traça linhas vermelhas
A UE ainda está tentando resolver algumas das queixas de Washington, especialmente sobre barreiras não tarifárias. Autoridades afirmam que estão simplificando as regras internamente, mas não concordarão com nada que afete a autonomia do bloco em matéria de impostos ou regulamentação. Essas áreas são "linhas vermelhas", e a Comissão não as ultrapassará sob nenhuma pressão, mesmo com a ameaça de 9 de julho no horizonte.
Enquanto a UE continua tentando dialogar, também se prepara para o fracasso. Paralelamente a essas negociações, o bloco mantém discussões bilaterais com os EUA sobre minerais críticos. Essa questão também pode surgir na cúpula do G7 no Canadá, ainda este mês, embora não esteja claro se algo concreto resultará disso.
Na quarta-feira, Christine Lagarde, presidente dent Banco Central Europeu, afirmou que o mundo caminha para problemas econômicos ainda maiores se os países continuarem a usar o comércio como arma. Em discurso em Pequim, Lagarde disse: “Temos testemunhado um aumento acentuado no uso de políticas industriais destinadas a impulsionar a capacidade produtiva interna. Desde 2014, as intervenções relacionadas a subsídios que distorcem o comércio global mais que triplicaram em todo o mundo.”
Lagarde acrescentou que a China não está sozinha — governos em mercados emergentes e economias avançadas estão fazendo o mesmo. Ela destacou que a participação dos Estados Unidos na demanda global aumentou nos últimos anos, impulsionada em parte por altos gastos do setor público. "Políticas comerciais coercitivas não resolvem os desequilíbrios financeiros", disse ela. "Elas apenas causam danos econômicos."

